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Depois de ser assaltado, motorista atropela criminoso

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O caso aconteceu em Fortaleza, e o motorista do carro, responsável pelo acidente, afirmou que tinha sido assaltado pelo homem que atropelou.

Quando algumas situações saem do controle, podem desencadear prejuízos e impactos na vida de pessoas que nem sequer fazem parte do ocorrido. Em busca de controlar tudo o que acontece em nossas rotinas, acabamos assistindo a momentos de tensão, em que a melhor opção poderia simplesmente ser dar um passo atrás.

No último domingo, dia 16, no Bairro Meireles, em Fortaleza (CE), as câmeras da rua Ana Bilhar captaram o momento em que um motorista atropelou um suposto ladrão. O homem perde o controle do carro na tentativa de acertar o rapaz, mas acerta um Fusca estacionado na frente de um condomínio.

De acordo com reportagem do G1, o motorista, que não teve o nome divulgado, afirma que atropelou o homem que teria roubado seu aparelho celular. Ele conta que estava estacionado em outra rua, quando teve o telefone roubado pelo sujeito a pé. Com o intuito de recuperar o bem, o motorista seguiu o suposto ladrão e àquela altura o estava abordando, mas ele acabou “fugindo”, como conta.

As imagens mostram o suposto criminoso atravessando a rua, sem correr, quando o motorista liga o carro e vai em sua direção rapidamente. Assim que percebe que vai ser atingido, o homem começa a correr, mas é atropelado e jogado na calçada. Perdendo o controle da direção, o carro atinge um Fusca estacionado, jogando-o contra o portão do condomínio.

O dono do Fusca, Edmilson Pereira Xavier, estava dentro do veículo e contou que foi parar no portão do condomínio, sem conseguir sair pela porta do motorista, que ficou completamente amassada. Edmilson, que é proprietário do veículo há 23 anos, trabalha como porteiro do residencial e estava deixando o trabalho na hora da batida.

No dia seguinte, Edmilson registrou um boletim de ocorrência na delegacia por conta dos danos no carro. Testemunhas afirmam que o suspeito do roubo trabalha na região, cuidando dos veículos estacionados. A vítima do atropelamento ficou no chão por um breve tempo, e se levantou com dificuldades.

O motorista saiu do veículo para ir atrás do suposto ladrão, que foi embora andando. Nas imagens, não é possível ver nenhum roubo nem sequer o aparelho celular sendo devolvido, apenas o atropelamento e a batida. Edmilson explica que o impacto provocou ferimento em seu braço e choque no peito.

Veja o vídeo:

Justiça popular ou “justiça com as próprias mãos”

As redes sociais e o compartilhamento de notícias falsas potencializam um fenômeno que tem classe e cor no Brasil: o dos linchamentos e da justiça popular. Fazer justiça com as próprias mãos, em um primeiro momento, pode atiçar os ouvidos curiosos de cidadãos que se sentem frustrados com a alta da criminalidade, mas ultrapassa a barreira do correto, rompendo a ideia verdadeira de justiça: a de que uma pessoa é inocente, até que se prove o contrário.

O sociólogo José de Souza Martins, em sua obra “Linchamentos – A justiça popular no Brasil”, publicada pela editora Contexto em 2015, traça um panorama do cenário, cujos dados mostram ao menos um linchamento por dia no país. De acordo com Martins, mais de um milhão de brasileiros já participaram de alguma forma de atos em que promovem a justiça com as próprias mãos, isso porque acreditam que estão “fazendo um bem” para a sociedade.

Com a sensação de que a principal instituição que deveria “cuidar” dos crimes não funciona, é lenta, passando a ideia de insatisfatória, muitos cidadãos acreditam que precisam resolver certos crimes, e se sentem ainda mais inflados quando outras pessoas aderem ao movimento.

O Brasil se tornou o país onde mais acontecem linchamentos, superando até sobre os Estados Unidos, país onde mais se linchou. No caso dos estadunidenses, a prática só pôde ser contida depois que a população fez apelos, modificando a legislação, incriminando qualquer um que se envolver em atos de linchamento.

O ódio da população quando acredita estar diante de um crime quase em tempo real a motiva a usar as mãos — ou o que estiver ao seu alcance — para “extirpar” o suposto criminoso da comunidade.

Acompanhando os comentários da notícia nas redes sociais, em diversos portais, muitos afirmam com veemência e repetidamente que o motorista deveria ter “passado pelo menos cinco vezes em cima do criminoso para compensar o prejuízo”.

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