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Depois de sofrer bullying por ter paralisia cerebral, homem se torna instrutor físico: “Ajudo a superar obstáculos”

Matthew recebeu o diagnóstico quando tinha apenas 2 anos, e precisou travar uma dolorosa batalha durante sua infância para tentar ter a vida que queria no futuro.



A paralisia cerebral é um distúrbio de movimento, tônus muscular e postura que ocorre em crianças de maneira congênita. Segundo informações do Hospital Israelita Albert Einstein, os sintomas podem incluir movimentos involuntários, membros muito flexíveis ou muito rígidos e reflexos exagerados, e ocorre porque o cérebro se desenvolveu de maneira anormal, geralmente antes mesmo de a criança nascer.

É uma doença que não tem cura, apenas tratamentos paliativos, que conferem ao paciente uma melhora na qualidade de vida e bem-estar. No Brasil, são cerca de 150 mil casos por ano, e o tratamento inclui fisioterapia e, em alguns casos, cirurgia, que pode ser no cérebro ou em diversas partes do corpo.

Quando tinha apenas 2 anos, os pais de Matthew Schlafly desconfiavam de algo estranho no seu desenvolvimento, e indagaram os médicos se não poderia ser um caso de paralisia cerebral.


De início, um profissional negou o diagnóstico e mandou a família para casa que, frustrada, acabou aceitando aquela situação. Porém, um tempo depois, esse mesmo médico ligou para a família e confirmou suas suspeitas.

Matthew logo começou a fazer fisioterapia. O profissional informou à família que existia um hospital em Minnesota (EUA), a mais de 800 quilômetros de distância, especializado no tratamento de crianças com doenças complexas, doenças raras e lesões traumáticas. Os pais decidiram que valia a pena tentar. O primeiro procedimento a fazer era uma séria cirurgia nas costas, separando cerca de 33% dos seus nervos.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@jackedsdcp.

Ele tinha apenas 7 anos. Esse procedimento fez com que precisasse passar seis semanas no hospital. Assim que melhorou, Matthew sentou-se na beirada da cama e ficou balançando as pernas por algum tempo, quando sentiu um forte puxão nos quadris, perdendo totalmente a sensibilidade nos membros inferiores. Foram necessários meses para reaprender a andar, e a frustração foi tomando conta dos seus dias.


Vários outros procedimentos invasivos seguiram-se a esse: reconstruções ósseas, incisões musculares, inclusive os médicos chegaram a criar arcos para os seus pés.

Mas isso tinha um preço: cada cirurgia inseria em seu corpo barras e pinos metálicos, provocando-lhe problemas em detectores de metal. Quando o clima esfriava, o jovem não conseguia mais subir escadas, já que os metais em sua pele faziam com que seu corpo inteiro sentisse frio e ficasse rígido.

Como dessa vez, todas as outras ele superou a dor e a angústia, mas sempre percebeu que era tratado de forma diferente por ter paralisia cerebral. Matthew se sentia como “a criança deficiente”, sendo sempre o último a ser escolhido nos esportes em equipe, e mesmo quando ele começou a fazer luta-livre, sentia que não era bem-vindo no time.

Agora, aos 23 anos, é personal trainer certificado oficialmente e tem ajudado pessoas a superar obstáculos, tanto no coração quanto na alma e na mente. Matthew começou a frequentar a academia com apenas 9 anos, já que precisava fortalecer seus músculos e, desde o início deste ano, trabalha no mesmo lugar em que praticava atividade física.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@jackedsdcp.

Ele finaliza dizendo que só chegou até aqui porque precisou aprender, mesmo que da maneira mais difícil, a dar um passo de cada vez. Foram inúmeras cirurgias, reabilitações e sessões de fisioterapia, sendo que em muitos momentos sentia que estava regredindo. Mas precisou se concentrar em apenas colocar um pé na frente do outro, sem pressa.

Seu maior sonho é conhecer cada vez mais seus clientes, ajudando-os em cada etapa de suas vidas, criando uma conexão profunda e mostrando que eles têm capacidade de chegar aonde quiserem. Todos os dias, Matthew acorda e se pergunta como ficar ainda mais perto de realizar esse sonho.


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