Depois do tanto faz, não quero mais

Leia ouvindo: Led Zeppelin – Ramble On



Quando deixei você sair por aquela porta, sabia que não existia volta. Não digo nunca, digo não. Não tinha mais volta.

Depois do tanto faz, não quero mais. Eu sabia que você queria ficar, mas precisava ir. O nosso tempo tinha acabado. Ponto final para o cravo e para a rosa.

Te deixar partir, partindo meu coração em pedaços que nem eu mesma conseguiria juntar. Foi algo involuntário que doeu e ainda dói, foi o pior de nós dois, meu moreno. Ainda te chamo de meu, porque eu sei que uma boa parte de mim está ai. Mesmo você insistindo em dizer que gosta da vida que leva, com os amigos, as festas, as bebidas e as muitas mulheres que você aprendeu a conquistar por uma noite.


Você se tornou tudo aquilo que eu nunca quis para mim. Quanta contradição! Logo você, que era tão diferente, tão distraído e tão contente.

DEPOIS DO TANTO FAZ - FOTO DE DENTRO

Acho mesmo que a sua vida deve estar boa, o seu sorriso largo na foto não engana. Está aproveitando como poucos a liberdade que pegou de volta quando saiu pela porta. Ainda dói saber notícias suas, te encontrar pelos corredores e saber que a sua vida parece andar melhor sem mim. Os seus sinais aparecem, por amigos em comum, eu sei que você está bem. Sei também que sente a minha falta, mas não volta nem a pau por conta do orgulho e da liberdade que tomou conta de você. Talvez eu também não voltasse, o refúgio nos braços de uma outra qualquer parece mais confortável. Com ela, uma noite – ou várias. Comigo era para ser para a vida inteira.


Chego à conclusão que o pior de dois é o abismo criado depois de um término. Vidas que gostariam de ficar juntas, mas sabem que a liberdade misturada a um certo grau de orgulho dá nisso, uma distância tola que começa e termina numa troca de olhares quando a gente se esbarra por qualquer festa dessa vida.

O abismo só não é maior porque moramos na mesma cidade e temos o azar de frequentar os mesmos lugares, porque se eu pudesse mudaria de país e recomeçaria uma vida sem a sua lembrança, que é tão presença quanto ausência.

Só queria dizer que tenho saudades e que você faz mais falta do que deve imaginar por aqui. Eu continuo caindo um pouco mais no abismo. Como você bem sabe, nunca fui da superfície, gosto da profundidade. Tão profunda que me acostumei com abismos, com a distância e com a saudade. Eu só não acostumei com a sua nova fuga, que é bem isso, que você anda chamando de vida.

Quando quiser, volta. Não tranquei a porta e deixei a luz do corredor acessa. Eu continuo te esperando, quem sabe um dia, você não desiste dessa sua nova vida.

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