Desapegue! Tudo é transitório, nada permanece imutável. Nem mesmo você!

De todos os sentimentos que experimentamos em nossa vida, o apego talvez seja o mais destrutivo de todos.

Pensando de uma forma simples e racional, o apego nada mais é que uma defesa do nosso ego, quando geramos um sentimento de perda. E, para que essa defesa não seja ativada, é necessário observar as chamadas “perdas” por um ângulo diferente.

Analisando o esse sentimento sob o foco da neurociência, uma vez que a sensação de perda é ativada em nosso cérebro, sinapses neurais são criadas.

Sinapses são ligações neurais criadas a partir da repetição de comportamentos ou reações a determinados acontecimentos que experimentamos.  E quanto mais sinapses geradas, mais fortalecidas estarão essas emoções em nosso cérebro.

Desta forma, fica mais fácil entender que sempre que criamos essa sensação ruim de que perdemos algo ou alguém, mais reforçamos a ideia de que perder significa sofrimento.

E como gerar outras sensações acerca deste fato?

Se fizermos uma análise mais profunda, entenderemos que não há perda do que não nos pertence.

Analisando mais profundamente, você concorda que nada neste mundo é seu?  

Tudo é transitório, pois nada permanece imutável. Nem mesmo você.

Eckhart Tolle, em seu livro Um Novo Mundo, fez a seguinte pergunta para uma senhora, dominada pelo sentimento de raiva, por ter perdido uma joia de família: “A pessoa que a senhora é tornou-se diminuída pela perda?” E só depois de olhar para dentro de si, ela conseguiu perceber que o fato ocorrido não a diminuíra em nada.

Infelizmente, nós ocidentais, geralmente não temos o hábito de ter este momento de olhar para dentro de nós mesmos – livre de acusações, vitimismo e outras várias emoções defensivas.

Quando encontramos essa resposta interior, fica mais acessível a compreensão de que a vida acontece somente no agora, pois daqui a um minuto tudo pode mudar. As juras de amor eterno são simplesmente uma falsa garantia da não percepção da transformação natural de todas as coisas.

A boa notícia de tudo isso é que podemos fazer uma reprogramação mental e criar novas sinapses, que aqui vamos chamar de sinapses positivas.

E como fazer isso?

Respire fundo e inicialmente pense em tudo que você considera que perdeu em sua vida e o que isso lhe trouxe de bom, posteriormente. Pode ser a perda de um trabalho, de algum bem material ou de alguma pessoa por afastamento ou morte.

Talvez, em algumas situações você ainda não consiga ver o ganho, porque não se permitiu visualizar ou realmente ainda não o experimentou. Todavia, apenas pelo fato de refletir sobre o acontecimento, dar-lhe-á a oportunidade de perceber quando esse ganho vier.

Feito isso, respire novamente e agradeça pelos ganhos já vividos e pelos que virão.

Neste momento você está ressignificando, ou seja, substituindo sinapses de perda por sinapses de ganhos; transformando o apego em liberdade para viver a sua essência, que é de amor, livre e desapegado.

Tente fazer isso todos os dias, como num momento de meditação e sinta a mudança acontecendo, gradualmente, dentro de você.

Este é o início da reprogramação mental. A partir daí, toda perda em sua vida, terá o significado de uma nova fase, uma nova oportunidade de fazer diferente e de ser a cada dia mais feliz.

Desapegue-se do que não faz diferença em sua vida e permita-se vivenciar na sua essência.

Para finalizar este artigo, deixo aqui uma frase do mestre espiritual Sri Prem Baba:

“As nuvens sempre passam. Podem ser nuvens claras ou escuras, mas sempre passam. Talvez tenha que chover uma tempestade, mas ela também passa. Compreenda que você não é a nuvem, você é o céu.”

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Direitos autorais da imagem de capa: subbotina / 123RF Imagens



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