Descarto o artifício do silêncio. Raros possuem a capacidade de ler uma mensagem muda.

Sem Legendas – Descarto o artifício do silêncio.

Raros possuem a capacidade de ler uma mensagem muda.

Vivemos no reino da apatia de almas incultas, que buscam imagens belas, para encher sua visão vazia e de preferência sem nenhuma frase.

Ler, parece ser um sacrifício que requer um tradutor de sua própria língua.

E quando a necessidade exige a escrita, leio um “voltei”, com U. Esse é apenas um pequeno exemplo, pois já li coisas piores.

O filme tem que ser dublado!!…

Se não conseguem ler as frases curtas de um filme, como irão ler a legenda do olhar?

Um ponto não significa nada. Uma vírgula não forma uma carta. E preencher as reticências ou ler nas entrelinhas, é um exercício em vão, pois não acertarão.

Vejo-me na necessidade, de usar o artifício da juventude, onde aprendi que: “calar é consentir”. A fala não deixa dúvidas e nem oferece o desgaste para adivinhações, cogitações e conclusões erradas.

Jamais calo para consentir.

Quando calo, é porque já falei o que tinha que falar, esclareci tudo e a pessoa insiste em não entender.

É o meu calar do cansaço ao bater em portas de almas fechadas ou mentes obtusas.

É o esgotar da reserva de minha paciência, tentando fazer o ouvido mouco, ouvir e assimilar, aquilo que seu olhar não consegue decifrar.

Então paro. Empaco e não digo mais nada. Nem que a pessoa implore chorosa ou esperneie gritando. Para essas, o silêncio não vale por mil palavras. Nem mil palavras gritadas valem uma frase.

Ah! Para quem escrevo esse texto? O foco do assunto, esse portador da preguiça que não suporta ver a reunião das letras, nem mesmo irá ler.

Esse meu desabafo que chamo de “descarrego”, é apenas uma prerrogativa da minha preocupação.

Nutro uma fração ínfima de esperança, que de alguma forma, algum texto o instigue, o atraia, prendendo-o até o fim. E acabe arriscando ler um livro.

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Direitos autorais da imagem de capa: deeaf / 123RF Imagens



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