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Desculpa se eu ignoro o seu rancor, estou ocupada sendo feliz.

Sabe, minha felicidade toma-me muito tempo. Tenho que conciliar minha agenda entre amores e amigos verdadeiros, entre momentos de entrega simples e gratuita, entre o exercício da minha essência e das minhas verdades. Isso tudo demanda empenho, impede-me de  ser amarga.



Sim, este texto é para ti. Não tens um nome certo, não é específica a tua identidade. Podes ser aquele homem sisudo que passa por mim apressado, ignorando a minha presença. Ou aquele que se julga superior aos reles mortais como eu. Quem sabe, sejas aquela senhora renegada, que não dá bom dia e nem boa noite.

Podes até ser aquela jovem amargurada, que perde tanto tempo praguejando, que esquece que sua juventude está passando, num piscar de olhos, enquanto ela gasta sua energia reclamando do calor ou da chuva em demasia, esquecendo-se de entregar-se às estações.

Sei que a minha felicidade incomoda  Acredito que a minha gargalhada mais sincera, aquela que ecoa pelos corredores, que me faz lançar meu rosto num descontrole frenético, deva causar-te cinquenta espécies diferentes de arrepio. Mas, quer saber, não me importo nem um pouquinho com isso. Por ti, só lamento.


Se não consegues apreciar um bom vinho, jogado num sofá velho, de meias coloridas, lendo um livro e ser feliz. Se não consegues dividir uma pizza fria entre amigos, numa terça qualquer, simplesmente para comemorar a amizade. Se não consegues sorrir ao passar por uma criança de nariz sujo, que fala sozinha, brincando com sua boneca, como se nada ao redor mais importasse.

Se não consegues acordar sorrindo, espreguiçar cada músculo do seu corpo, cheirar o seu travesseiro, respirar fundo e agradecer por mais um dia que inicia. Se não consegues deitar na cama com o sentimento de ter feito o melhor possível naquele dia para deixar a tua vida e daqueles que te rodeiam mais abençoada que já é.

Escute meu conselho mais honesto: reveja suas prioridades, suas verdades, sua essência. Repense até mesmo se estás realmente vivendo ou apenas contando um dia após o outro, esperando sabe-se lá o quê, para ser melhor, para ser feliz.


És, para mim e tantos outros, um exemplo do que não devemos ser. De como não agir. E não me venha colocar a culpa em problemas, em destino, em falta de sorte ou de fé. Dias ruins, todos nós temos. Fases questionáveis, da mesma maneira. Jogar nos outros a responsabilidade do que nos afeta, é acreditar que o próximo, nada mais é que um outro alguém, que não merece compaixão e respeito. E, meu amigo. Não é assim que se joga o jogo, não é assim que a roda e o mundo giram.

E, por fim, se a minha felicidade te perturba, chega até ser engraçado. Pois para a tua mesquinharia, ruindade e frieza, desculpe-me, eu não estou nem aí. Poderia te dar meu ombro, conselhos, atenção, afeto, bondade, generosidade. Poderia, por horas e horas sentar ao teu lado, conversar, tentar entender tua história, teus tormentos e fantasmas. Poderia falar sobre generosidade, bondade, amadurecimento, resgates espirituais. Mas falaria sozinha. Jogaria minhas palavras ao vento.

Acredite, o problema está em ti, contigo. A bola está nas tuas mãos. Tens as rédeas da situação. Bater em paredes ocas, martelar pregos com plumas, uma hora cansa.

A responsabilidade, meu caro, pelas consequências de teus atos, é só tua. Não é minha e nem de mais ninguém. 

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Direitos autorais da imagem de capa: magiceyes / 123RF Imagens

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