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“DESESPERAR JAMAIS”: POR MAIS CALMA NA ALMA!

Uma sensação estranha morando no peito. Uma angústia que revira o estômago. Uma ansiedade que dá palpitações no coração. Esses podem ser sintomas de desespero. Sim, se você já se sentiu assim em algum momento da vida, é porque já parou para pensar no que vem pela frente, nas dificuldades e obstáculos, nas decisões tomadas no passado e que fizeram sua vida ser hoje do jeito que é, nas decisões a serem tomadas hoje e que determinarão o futuro e aí bate aquela incerteza, aquele medo…


E aí a gente mergulha nisso e quase se afoga porque o grande problema disso tudo é que vivemos tão desesperados pelo amanhã que nos esquecemos de aproveitar o hoje.

E (que ironia!) quando aquele tão almejado amanhã chega, já não nos interessamos mais por ele e queremos desesperadamente (olha o desespero aqui de novo!) o novo amanhã. E assim vamos esperando pelos amanhãs, apenas fazendo planos para o fim de semana quando poderíamos sair para tomar um sorvete no fim de tarde de uma segunda-feira, passear no shopping na terça à noite, pedalar sem rumo na quarta de manhãzinha, quando o sol ainda é tímido e sonolento, fazer um bolo recheado de chocolate na quarta e comemorar o aniversário na quinta mesmo.

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Mas não…queremos tudo pra ontem. Perder peso, ganhar músculos, aprender a falar inglês, viajar pelo mundo, ter uma carreira de sucesso, juntar dinheiro. Nos afogamos num desesperador mundo imediatista em que tudo tem hora certa para acontecer e quanto antes melhor. Dalai Lama disse, certa vez: “o que mais me surpreende na humanidade são os homens. Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E, por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer.  E morrem como se nunca tivessem vivido. ”

Ele estava falando sobre esse desespero de correr pela vida afora como se ela nunca fosse acabar. Ele estava falando dessa pressa que a gente tem de crescer, de chegar logo a sexta-feira, de que o tempo passe como se o ano que vem fosse por si só promessa de tempos melhores. Ele estava tentando nos alertar que a gente é que faz o agora e que esse amanhã com o qual a gente tanto sonha é consequência. Não é que a gente tenha que sentar e esperar alguma oportunidade cair do céu, mas é aquele negócio de fazer limonada com os limões. É a humanidade aflorada nas possibilidades de um amanhã aberto, livre, flexível porque o hoje é, está sendo. É o presente! E que presente!

Trata-se de levar uma vida mais leve, de almoçar mastigando cada pedacinho do alimento (não para fazer uma digestão melhor, não para emagrecer, não para enganar o estômago e comer menos) para apreciar o sabor, a mistura de texturas. É para dar ao nosso tempo (finito, frágil e efêmero) de existência experiências e vivências enriquecedoras e transformadoras. É para que a gente pare de lamentar a falta do que foi e tenha vivido tudo com tanto afinco que a saudade já nasça com aquela pontinha de orgulho e aquela calmaria de saber que o amanhã chega no tempo dele e está tudo bem! Caso contrário, a gente vive daquele jeito que Dalai Lama descreveu: como se nunca fosse morrer…como se nunca tivesse vivido.


Estamos solteiros/as e querem que namoremos. Namoramos e querem que casemos. Casamos e querem que tenhamos um filho. Temos um filho e querem que tenhamos outro para a criança não ser filha única. Aí a gente para e pensa: o que a gente quer da gente?  Porque nesse palco de vaidades com papéis pré-estabelecidos, a gente vai aprendendo a se esquecer de que a alma não está nem aí para esses relógios e para esses ponteiros inventados pelo homem e que para ela (a alma, essa luz que nos mantém acesos) esse desespero todo não faz o menor sentido. Aliás, desesperador mesmo é já ser concebido para entrar nessa lógica de nascer, crescer, se reproduzir e morrer.

Acontece, então, que a gente tem que se reinventar, tem que usar as dificuldades para encontrar nossas potencialidades…coisas que o destino calcula que faremos de modo exemplar. Não sabemos nada do amanhã e não há problema nenhum nisso (deixe estar que uma vida sem surpresas é bem monótona!). Não se desespere se você não sabe ainda o que fazer da vida. Não se desespere se a tão sonhada gravidez está demorando para acontecer. Não se desespere se o amanhã parecer imprevisível.

Mas quando bater aquele desespero (que, às vezes, é inevitável mesmo), acalme-se, respire fundo deixando o oxigênio chegar a cada parte de você. E aí, leve seu cachorro para passear e perceba que ele sairá feliz da vida, com aquela cauda balançante espalhando amor por aí, sem fazer ideia de para onde vai e do que lhe espera. É que ele confia tanto em você que sabe que, juntos, vocês estarão sempre no melhor lugar! É assim com a gente também: Deus nos leva para passear por diferentes lugares e nem sempre a gente sabe para onde vai, se vai voltar, se vai ficar. Mas se você confia, já acorda todas as manhãs tendo a certeza de que, juntos, estarão no melhor lugar de todos. E aí Ivan Lins canta a vida para a gente se acalmar: “desesperar jamais…”.





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