Desilusão: uma oportunidade para reformar o seu interior

Desengano, decepção, desapontamento… sinônimos que podem triturar o nosso interior e a nossa força para viver.



Não importa de onde partiu o sentimento ou se o movimento foi ativo ou passivo, ele sempre vem rodeado de muita dor!

A realidade é que quando esperamos algo de alguém ou de alguma situação, depositamos a nossa esperança, a nossa ilusão no resultado daquilo que acreditamos e, quando a resposta vem às avessas, sentimos uma dolorida desilusão.

Diante desse cenário devastador supracitado, muitas pessoas costumam se entregar à tristeza, ao desânimo, à segregação social, desempenham as suas funções profissionais sem afinco e, em alguns casos, chegam a agravar o seu quadro clínico para uma depressão!

Mas se olharmos a situação por um outro ângulo, perceberemos que de lá do chamado “fundo do poço” só poderemos olhar para cima. Ou seja, o sentimento que nos empurra para baixo é o mesmo que nos faz erguer a cabeça para buscarmos uma saída!


O interessante é que, mesmo diante da dor, somos capazes de perceber exatamente onde erramos, seja pelo fato de confiar demais ou pelo fato de esperar demais, a verdade é que fizemos algo “demais” e essa demasia nos transportou para uma dimensão de confiança que nos tornou vulneráveis a sentir essa decepção.

Pronto. Depois de ter feito essa análise, só nos resta partir para a ação! Sei que você pode estar pensando: se fosse tão simples assim, não haveria ninguém triste, arrasado, decepcionado, não existiriam tantos crimes passionais, tanta depressão, tanto caos, bastaria uma simples reflexão para o ser humano resolver todas as coisas.

A boa notícia é que realmente, basta uma simples mudança de atitude para ressignificarmos a nossa desilusão.

É certo que a dor não vai passar da noite para o dia, porém, ao fazermos uma releitura da experiência vivida, procurando nos desassociar do problema, ou seja, sairmos da posição de protagonistas da história para virarmos telespectadores da nossa própria telenovela, poderemos instrumentalizar o caminho para a superação com elementos racionais, pautados em fatos objetivos e menos sentimentais. Dessa forma, poderemos reprogramar as nossas falhas, remodelar as nossas atitudes e nos fortalecer para não cometermos os mesmos erros novamente.


Permitam-me ilustrar com um exemplo bem simples: uma fruta, a banana, por exemplo. Quando elas estão verdes, podemos enrolar um jornal em volta e elas amadurecerão mais rápido. Isso porque provocamos a concentração do hormônio gasoso Etileno (hormônio produzido pelas plantas através de suas folhas para o amadurecimento), porém, quando há baixa concentração de temperatura, a liberação do etileno é inibida, retardando o processo de amadurecimento. Se fizermos uma analogia com o nosso tema, podemos dizer que no momento em que vivemos uma desilusão, a nossa casca ainda está verde, pois não percebermos que isso ou aquilo poderia acontecer, mas se nós nos desassociarmos, teremos a oportunidade de observar o problema de um outro lado do prisma e ampliar o nosso campo de visão, como na concentração hormonal do Etileno e, felizmente, atingiremos o amadurecimento.

É natural que, mesmo assim, os sentimentos de tristeza e desapontamento permaneçam e você continue com vontade de chorar ao lembrar da situação vivida. Talvez continue sem vontade de sair e interagir com os amigos etc. Porém, a partir do momento em que você entender que contribuiu para a realidade que está vivendo, seja por possuir uma parcela de culpa visível na situação, seja pela sua omissão em não agir no momento certo, ou por se vitimizar o tempo todo, por não ter percebido que as coisas não estavam bem.

A verdade é que nenhuma desilusão emerge apenas de um único lado; erramos em algum momento, até por agirmos como inocência, onde caberia maturidade.

Assumir a nossa parcela de culpa, analisar as nossas falhas, sair da posição de vítima e reprogramar as nossas ações com a cabeça erguida são atitudes que nos fortalecem, mexem com o nosso interior, fazem-nos arrumar a casa onde habita a nossa alma, impulsionando-nos para a mudança, para o crescimento pessoal, mesmo quando estamos lá embaixo, no chamado fundo do poço da decepção.

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Direitos autorais da imagem de capa: bustiucfilm / 123RF Imagens

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