Desvendando o tarot e o arcano “a roda da fortuna”.

Tudo vai, tudo volta; eternamente gira a roda do ser. Tudo morre, tudo refloresce, eternamente transcorre o ano do ser. Tudo se desfaz, tudo é refeito; eternamente constrói-se a mesma casa do ser. Tudo se separa, tudo volta a se encontrar; eternamente fiel a si mesmo permanece o anel do ser. Em cada instante começa o ser; em torno de todo o ‘aqui’ rola a bola ‘acolá’. O meio está em toda parte. Curvo é o caminho da eternidade. (Nietzsche)



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O Tarot sem sombra de dúvidas é um baralho de cartas misterioso e ainda até hoje de origem desconhecida (uma vez que se tem diversos registros sobre a sua origem, porém, nenhuma história descoberta e comprovada como sendo a primeira e/ou única). Tendo, pelo menos, muitos séculos de existência, é o antepassado direto das nossas modernas cartas de jogar.

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No correr das gerações, as figuras presentes nessas cartas desfrutaram de muitas encarnações. Testemunho da vitalidade e da sabedoria do antigo tarot é o fato de que, embora tenha gerado um filho tão ativo quanto as cartas de jogar que usamos hoje em dia, o baralho-mãe não se aposentou. Na Europa Central, as cartas do tarot têm permanecido em uso constante em jogos e na cartomancia. Agora, na América, o tarot veio repentinamente à tona da consciência pública.

As personalidades do tarot (conhecidas como Arcanos Maiores e Menores – caberia um novo artigo só para explicar a diferença dos dois) introduziram-se em nossa autossatisfação a fim de trazer-nos mensagens de grande importância; mas o homem moderno, imerso como está numa cultura verbal (e em seus achismos ideológicos), acha a linguagem simbólica e não-verbal do tarot difícil de decifrar (ou simplesmente inválida).

As cartas do tarot, que nasceram num tempo em que o misterioso e o irracional tinham mais realidade do que hoje, trazem-nos uma ponte efetiva para a sabedoria ancestral do nosso eu mais íntimo. E uma nova sabedoria é a grande necessidade do nosso tempo – sabedoria para resolver nossos problemas pessoais e sabedoria para encontrar respostas criativas às perguntas universais que a todos nos confrontam.


Quero ressaltar que os símbolos retratados no tarot são contínuos e eternos e as utilidades dele são infinitas e não se limitarão a este artigo. As figuras do tarot estão sempre nessa vida de várias maneiras. À noite, surgem no sono, para nossa estupefação e pasmo. De dia, nos instigam à ação criativa ou fazem travessuras com os planos lógicos.

Nesse artigo, depois de alguns pedidos de leitores, irei falar sobre o Arcano “A Roda da Fortuna”, que é uma das cartas mais enigmáticas e cheias de possibilidade do tarot, desse modo, procurarei explanar de modo simples, singelo e despretensioso sobre algumas possibilidades, das infindas presentes nessa linda lâmina do tarot.


A RODA DA FORTUNA E POSSÍVEIS “LEITURAS”

O Arcano 10 (A Roda da Fortuna) chama-se cabalisticamente Reino ou Centro Vital, chama-se Raiz de todas as Leis da Natureza e do Cosmos.  A Roda da Fortuna é um símbolo de uma força inexorável na vida que parece operar além do nosso controle e com a qual teremos todos de chegar a um acordo. Nosso foco vai da íntima contemplação da iluminação pessoal ao panorama mais amplo dos princípios universais, culminando na questão central do destino contra o livre-arbítrio, tal como é apresentada pela Roda da Fortuna.

Esse Arcano nos traz uma antítese que se complementa o tempo todo, de um lado, o anseio do yang de dominar e organizar, e do outro lado, a tendência do yin para receber e conter. Como sabemos, ambos são instintivos em toda a natureza, e ambos operam continuamente em todos nós. A Roda da fortuna, diante de suas ambiguidades que se complementam, de um lado, nos apresentam uma tarefa heroica, o desafio da essência humana, instigando-nos a encontrar sentido num sistema aparentemente impulsionado pela mera energia animal (instintiva). Por outro lado, nos distraem deliberadamente com suas charadas, desviando-nos da nossa busca e minando nossas forças com suas exigências insaciáveis (a busca constante do significado da vida).

Diante do que construímos até aqui, meditemos sobre a Roda que temos à frente. Trata-se de uma energia cuja essência é o movimento. Dessa maneira podemos usá-la como uma espécie de ideia móvel das relações recíprocas de muitas facetas entre a natureza e a natureza humana. A vida se apresenta aqui como um processo – como um sistema de constante transformação, que envolve igualmente a integração e a desintegração, a geração e a degeneração. O alto e o baixo não são mostrados aqui como duas forças fixas brincando de cabo de guerra, todas essas energias se fundem sutilmente umas nas outras como as estações do ano.

Como se revela o girar da Roda, nada existe, tudo começa a ser tudo e não existe uma sincronia início-meio-fim, mas tudo ao mesmo tempo. Até no momento em que lemos estas palavras, algumas células do nosso corpo estão morrendo e outras, novas, estão nascendo. A reflexão sobre as eternas revoluções da Roda pode ajudar-nos a experimentar a simultaneidade de todos os opostos – até as forças aparentemente irreconciliáveis chamadas nascimento e morte.

Meditando sobre esta carta experimentamos um mundo não criado no tempo, desse modo, quando aquietamos a respiração e sincronizamos as batidas do coração com o movimento da Roda, estabelecemos ligação com o nosso próprio nascer e o nosso próprio morrer; e não como dois acontecimentos discretos, que marcarão o princípio e o fim de uma experiência linear chamada vida, mas como dois aspectos sempre presentes de um processo contínuo, cujas revoluções se estendem até o infinito. Nesses momentos experimentamos a Roda como se ela se movesse através de todo o tempo, fiando ciclos contínuos de nascimento, morte e renascimento. Nessas ocasiões já não achamos o seu movimento um gesto monótono, uma repetição incessante do dia para a noite e da noite para o dia. Começamos a sentir que cada alvorada sucessiva traz um dia inteiramente novo e que a escuridão e cada noite nos envolve de novo em seu ventre negro. Em tais momentos de introvisão nossos ossos e tendões zunem com nova vida e nosso sangue canta com todo o conhecimento seguro de que nos levantamos cada dia recém-nascidos.

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Diante de tantas ambiguidades da vida, diante de tanto livre-arbítrio, diante de tanta dicotomia, A Roda da Fortuna não cessa de girar, desenrolando significados intermináveis. Enquanto lhe contempla o movimento, o ser humano principia a sentir que a vida, longe de ser um enigma que precisa ser resolvido, é, na realidade, um processo cósmico de mistério e assombro. Pela primeira vez na vida, o consulente (aquele que busca as respostas através do Oráculo) se coloca humildemente (diante de um tarólogo – que vai decifrar o indecifrável) tomado de um grande pasmo reverente, não só diante dos deuses, mas também diante da própria humanidade – perplexo e mudo ante a glória dolorosa de ser humano.

Espero que tenham gostado e que esse despretensioso artigo possa ter suprido um pouco da “sede” dos leitores que buscam os diversos significados da lâmina A Roda da Fortuna. Curtam e compartilhem para que mais pessoas possam compreender a magnitude dessa linda carta e tantas outras, que aqui não foram nem mencionadas (mais quem sabe um dia serão contempladas por um artigo meu), mas que estão presentes nesse Oráculo tão miraculoso chamado Tarot!

Tarólogo Diego

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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