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“Deus não quer me ver sofrer”: Colômbia autoriza eutanásia de mulher sem estado terminal

Diante da morte, marcada para este domingo (10), a colombiana Martha Liria Sepúlveda sorri.



Aos 51 anos, ela é a primeira mulher na Colômbia a conseguir autorização para a eutanásia sem estar em um quadro terminal.

Martha tem esclerose lateral amiotrófica (ELA), não consegue andar e tem convivido com dores e outras dificuldades. A mulher, então, decidiu pedir autorização para a morte assistida logo depois de a Corte Constitucional — o Supremo colombiano — ampliar o direito à eutanásia, que já era concedido a casos terminais. Conseguiu, e marcou a data para 10 de outubro.

“Sou uma pessoa católica, me considero alguém que crê muito em Deus, mas, repito, Deus não quer me ver sofrer e acredito que não quer ver ninguém sofrer. Nenhum pai quer ver seus filhos sofrerem”, disse, em entrevista à emissora colombiana Caracol.


“Para mim, a morte é um descanso”, emenda. Por ser católica, aliás, a decisão de Martha encontra muita resistência dentro da Igreja, que costuma se posicionar contra a prática. Questionada pela TV colombiana como lida com isso diante de padres, ela responde:

“A resposta [que dou a eles] é a mesma: faço isso porque estou sofrendo e porque creio em um Deus que não quer me ver assim. Para mim, Deus está me permitindo isso, então se gosta de mim, não gosta de me ver nesta situação”, justifica.

Direitos autorais: reprodução Twitter.

Até por isso, Martha decidiu morrer em uma manhã de domingo. “Como sempre vamos à missa, quis que fosse em um domingo. Quero que o procedimento, a cremação, a entrega das cinzas e a eucaristia ocorram no mesmo dia. E que não sejam em uma sala de velórios, acho que isso aumenta o sofrimento das pessoas.”


Os últimos dias de vida

Martha, então, tenta aproveitar os dias que lhe restam com cerveja e comida, na companhia da família. “Estou mais tranquila desde que autorizaram o procedimento. Rio mais, durmo mais tranquila”, afirmou à TV Caracol.

O filho Federico, de 22 anos, reconhece que gostaria de ter a mãe por mais tempo, mas afirma que aceitar a decisão da eutanásia é o “maior ato de amor” que já fez. “Em princípio preciso da mamãe, quero ela comigo, quase em qualquer condição. Mas sei que em suas palavras ela já não vive mais, apenas sobrevive”, disse.

“Meu foco agora é em fazê-la feliz, fazer com que ela ria, em divertir um pouco. E que sua estada na Terra, pelos dias que ainda restam, seja um pouco mais amena”, completa Federico.


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