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Devaneios de uma mãe desempregada

Se tem um conselho que eu quero passar adiante é o “Escute os mais velhos”. Quando somos jovens e detentores de todo o saber, costumamos “dar de ombros” e debochar dos ensinamentos dos nossos pais, avós, tios e pessoas aleatórias de mais idade.



Ah, mas se tem uma coisa que a idade traz, é sabedoria. E isso eu só aprendi agora.

Não, este texto não surgiu na tão temida crise dos 30. (Opa! Pensando bem, foi, sim). Completei 30 (TRINTEI, como diria a juventude) há 1 semana. E, hoje, me peguei pensando sobre como a idade, como esse número veio e ressoou fortemente na minha mente – como aqueles sinos(?) japoneses. Talvez, o fato de ter me tornado mãe tenha contribuído para isso. Assim, optei por me dedicar 100% a essa função, logo estou desempregada e sem ter de onde tirar um único tostão (em relação a dinheiro obtido do próprio trabalho. Apesar do senhor meu marido não me deixar faltar nada, ele não tem obrigação alguma de me dar dinheiro. E meu pensamento não tem nada com a vertente feminista. Mas, com o fato de eu saber bem o valor e o suor de cada centavo. Do quanto de sapo a gente precisa engolir para ter aquele garantido no fim de mês).

E, talvez, aí esteja o ponto. Qual o maior conselho que recebemos dos nossos pais ou pessoas que tenham o mínimo de consideração por nós? Poupe. Guarde dinheiro. O futuro é incerto. Hoje, você tem. Amanhã, não! E nós, com toda a nossa ganância por mais, por consumo, não escutamos. Achamos sempre que ganhamos pouco. Que com menos não dá para sobreviver. E, só agora, percebi que é possível (claro que tendo as necessidades básicas supridas) passar o mês com apenas 20 reais no bolso. E as coisas passam a ter mais sentido e a serem muito mais aproveitadas e vividas. Porque você passa a ter que escolher qual merece seu tão valoroso dinheirinho.

Eu poderia ter feito um bom pé-de-meia. Mas, era jovem e livre demais para perceber isso. Hoje, eu poderia – por exemplo – sair para comprar um pão sem ter que me preocupar com o suor alheio ou em contar moedinhas. Sabe quando você pode entrar no mercado para comprar qualquer coisa despretensiosamente, sem ter que se preocupar se vai dar R$ 10 ou R$ 40 reais, por que você vai poder bancar se der um ou outro? Pois é. Há muito não posso tirar essa onda. E até me sinto mal por isso.


Um amigo uma vez me disse: Dinheiro só é o problema quando você não o tem. E não é que é?! Faz total sentido.

Ontem, tive que ouvir um “você dá valor demais a dinheiro”. E não devia? Se eu o tivesse, poderia pegar meu filho e sair por aí (para um passeio diurno. Não penso em sumir!). Poderia chamar uma amiga para um lanche aqui em casa ou em outro lugar. E, se ela tiver sem grana, eu poder mandar um: “Cale a boca! Eu banco”. E não foi o fato de ter me tornado mãe que me colocou nesta situação. Por favor. Estou amando a experiência, e foi uma escolha minha ficar com ele em casa e poder acompanhar de perto o seu crescimento. Poder passar para eles os valores primordiais para a formação da sua personalidade. Não quero delegar isso para outra pessoa ou para uma Instituição. Que bom que eu tive esse poder de escolha. E, de forma alguma, julgo as mães que voltam ao trabalho logo após a licença maternidade. As mães já sofrem julgamentos demais.

Eu não culpo o fato de ter me tornado mãe e decidido me dedicar a isso de ser o responsável por eu estar fora do mercado de trabalho. A culpa é do próprio mercado. É inviável, com as tecnologias que hoje temos, que mais de 90% das empresas ainda não tenham vagas home-office. Não vou nem citar os inúmeros benefícios que esse tipo de trabalho traz para os negócios. Prender um funcionário por 8h, 9h em uma sala no seu escritório – dependendo da função, claro! – não é sinônimo de produtividade. Muita coisa ainda precisa de atualização.

Enquanto isso, coloco meu melhor sorriso e sigo com a criação do meu pequeno. Mesmo que, para isso, eu tenha que me privar de mim. Que, no final das contas, é o que toda mãe faz.


Direitos autorais da imagem de capa: Chema Photo on Unsplash


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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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