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Devemos seguir confiantes de que o que nos é tirado já não nos serve mais

Acreditar em si mesmo, na sua intuição, na voz do seu coração, pode levá-lo a lugares maravilhosos onde as coisas e os sentimentos são reais. Devemos seguir confiantes de que o que nos é tirado já não nos serve mais.

Eu parecia aquela pessoa que estava em um barco sem vela no meio do oceano, mas tinha uma esperança louca dentro de mim que, por existir um barco, os ventos de alguma forma tão louca quanto a minha esperança, iriam me levar a uma ilha onde havia tudo o que eu ansiava e precisava.


Mas um dia, após uma noite de tormenta, o barco sumiu e eu fiquei à deriva – quero dizer, à deriva eu já estava. Só que desta vez sem barco, nem boia ou qualquer coisa inútil como essas duas para me apoiar. – Olhei para os lados, tentando manter a cabeça fora da água, mexendo as pernas freneticamente e não vi nada além de um vasto manto azul escuro que se estendia até o horizonte.

Eu me desesperei, quase me afoguei. Uma voz dentro de mim me mandou boiar para descansar. Assim eu fiz. Mas tinha medo da noite e das tempestades que poderiam vir. Tinha medo dos possíveis tubarões e baleias ou qualquer coisa do tipo. Tinha medo, medo, medo e quanto mais medo eu tinha, mais bolhas de medo nasciam dentro de mim até chegar a doer de verdade.

Eu estava boiando com os olhos fechados, pensando no barco, pensando em quando tinha o barco e pensando em como seria mais tarde sem o barco e aí a voz dentro de mim me mandou abrir os olhos. Obedeci. Eu não tinha mais nada mesmo, pelo menos alguma coisa como essa voz estava me dizendo o que fazer, mesmo que não parecesse ter sentido algum.


Primeiro o sol me ofuscou. Era tão claro e quente que, mesmo já ali há algum tempo, só naquela hora eu senti que ele me aquecia. A dor diminuiu. O sol brilhava tanto que eu percebi que a noite ainda estava longe. Então a voz me disse para parar de boiar e colocar meus pés no chão. Eu quis racionalizar e pensar que aquilo era bobagem, pois não havia chão que eu pudesse alcançar, mas resolvi continuar seguindo os comandos e confiante, deixei-me afundar.

Mas não afundei. Sim, havia chão! O que parecia impossível se materializou bem aos meus pés. Sentindo-me segura abri os olhos e lá estava a terra.

Uma praia com areias brancas e mornas, coqueiros sombreando uma vasta área coberta por plantas que em ramos formavam um belo tapete verde claro cujo sol banhava partes. Havia casas aconchegantes, pessoas sorrindo e me cumprimentando. Parecia que eu as conhecia e eu me permiti sorrir para elas. Era um mundo novo a minha frente com infinitas possibilidades.

Eu quis olhar para trás, mas não olhei. O barco tentou surgir na minha mente, mas afastei. Entendi que alguns processos são ilusórios, não seguros. Que devemos seguir confiantes de que o que nos é tirado já não nos serve mais. Que acreditar em si mesmo, na sua intuição, na voz do seu coração, pode levá-lo a lugares maravilhosos onde as coisas e os sentimentos são reais e a felicidade é uma conquista íntima, diária, que não depende do outro.



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: aidman / 123RF Imagens





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