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Deveríamos tratar a nós mesmos como santuários sagrados… esquecemo-nos deque, de fato, somos templo!

Por que que a gente é assim

Por que que a  gente é assim?



Deveríamos ter nossos corpos como santuários sagrados, onde tudo que somos enquanto espírito ou essência se revela, no entanto esquecemo-nos constantemente dessa verdade e nem sempre entendemos que de fato somos um templo. O todo que nos contém existe para ser amado, respeitado e protegido.

Ao contrário, vivemos de forma estranha, internalizando, seja na forma concreta ou abstrata coisas nocivas que nos envenenam lentamente, adoecem-se e nos tornam infelizes.

Na maioria das vezes, temos plena consciência de todas as coisas que nos são nefastas, que promovemos em nós, trazendo malefícios físicos, emocionais ou para as nossas almas.


Tais condutas não podem ser explicadas, senão como a falta de amor por si mesmo, que como consequência, traz dissabores para nossas vidas nos diferentes formatos, resultando em nada menos do que sofrimentos.

Somos conscientes, por exemplo, de que fumar ou beber em excesso produzirá enfermidades, limitações que nos privam da liberdade de viver prazerosa e plenamente nos tornando prisioneiros de nosso autoflagelo.

Demoramo-nos em relacionamentos tóxicos por acreditar equivocadamente que o que nos une a certas pessoas são sentimentos nobres e positivos, sem refletir que, se assim o fosse tais relações não seriam pautadas no desrespeito, desentendimento e infelicidade.

Mantemos vivos em nós os pesares e culpas de acontecimentos de um passado remoto, cujas sensações não nos servem para nada mais a não ser reviver dores que já deveriam ter sido superadas, uma vez que o passado já não existe e não deveríamos dar a ele o poder de se fazer presente.


Maltratamo-nos com excesso de futuro, quando tentamos prever o que está por vir, sem a capacidade de nos manter otimistas, alimentando o medo, a insegurança, sofrendo antecipadamente por coisas que podem jamais acontecer.  Deixamos que a ansiedade nos consuma o juízo, os pensamentos, tirando nos a paz de que precisamos para ter saúde física, mental e em nossos espíritos.

E tantas são as formas que encontramos de maltratar a si mesmo, consciente ou inconscientemente, vivendo um autodescaso que nos transforma em seres infelizes, num paradoxo à felicidade que tanto almejamos.

Abrigamos em nós “com carinho”, “sentimentos de estimação” como ressentimentos, culpas, auto piedade que nos faz murchar intimamente, nos tornando secos, amargos, endurecidos e insatisfeitos, como se viver fosse um peso e não uma dádiva.

Enfim, não cabe no meu entendimento a razão pela qual nós seres humanos nos intoxicamos por ações e pensamentos danosos, comportando-nos como inimigos de nós mesmos.


Estranhas criaturas é o que somos, emocionalmente rudimentares e primitivos, cuja arrogância de crermos em nossa superioridade nos infesta de autoengano, condenando-nos a uma pretensa e fictícia felicidade ou à infelicidade concreta, masoquista e irracional.

“Mais uma dose? É claro que eu estou a fim A noite nunca tem fim Por que que a gente é assim?… Canibais de nós mesmos Antes que a terra nos coma… Cem gramas, sem dramas. Por que que a gente é assim?” – (Cazuza)

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Direitos autorais da imagem de capa: igorigorevich / 123RF Imagens


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