6min. de leitura

Diário de uma ciumenta em desconstrução…

O ciúme é um convidado esnobe e poderoso, não o chame para as suas relações!

Não importa o quão bom seja o seu coração ou a sua relação, ele pode chegar. Às vezes de mansinho, às vezes metendo o pé na porta.


O tão conhecido ciúme não é uma entidade que anda sozinha. Ele tem pai, mãe e tem amigos. O que quero dizer é que o ciúme é a soma de vários desafios emocionais e, quando ele atua, ocasiona múltiplas consequências. O ciúme é uma lente que amplifica e cega quem a usa. (quem nunca se arrependeu depois de uma discussão por ciúmes?).

Eu costumava pensar que eu tinha ciúme do que estava acontecendo ali, no momento: Um “contatinho” dele mandando mensagem, uma visita inesperada de uma ex na casa dele. Foi aí então que eu comecei a racionalizar a emoção que eu tinha quando estava com ciúme (tentem, vale ouro)! Eu entendi que eu tinha diversos medos que culminavam no meu ciúme: Medo de perdê-lo, medo que ele achasse alguém melhor e mais interessante que eu, porque a autoestima estava baixa, porque nem eu estava lá gostando muito da minha companhia naqueles dias…

Eu sou uma ciumenta em desconstrução (aquele momento que você sabe teoricamente o certo a fazer, mas ainda não tem a sabedoria o suficiente para aplicar). Acabei de terminar um relacionamento muito legal por causa disso.

EU não consegui sustentar a hipótese que o MEU namorado, objeto do MEU desejo, fruto do MEU tempo de vida investido, pudesse ter “contatinhos” no celular. Sabe contatinhos (aqueles números que a gente guarda no telefone só pra levantar nossa moral de vez em quando)?


Me deixava inconformada como só eu não bastava para ele, da forma que só ele bastava para mim. Não conseguia entender que nem todo mundo pensará como eu penso. Estar em um relacionamento é participar da colisão de dois universos inteiramente diferentes (ainda tenho dificuldade de aceitar isso!).

Todos esses “MEUS/EUS” que a gente tanto usa, são frutos do EGO. Um bichinho danado que vive dentro da gente que não aceita perder. Não entende que na vida tudo traz um aprendizado e que às vezes perdemos para ganhar depois, mesmo que experiência para a próxima. Não entende que é preciso deixar viver.

O amor é imprevisível e o ciumento tem dificuldade de amar porque ninguém consegue controlar o amor. Ele simplesmente é.

O ciúme é uma vertente do apego e não nos deixa ver que nada é nosso. Não nos deixa entender que a vida do outro, mesmo que misturada com a nossa, é do outro. Nos cega a enxergar que as experiência estão entrelaçadas as nossas, mas não são nossa propriedade. Não temos o direito de controlar o livre-arbítrio do outro.


O amor aprisionado morre, como já disse Osho. Ninguém gosta de quem o tira a liberdade.
Reflita sobre o por que você não gosta do seu chefe (parabéns aos que não tem esse problema).

Será que se a sociedade não tivesse imposto um monte de regras tais como: o casamento e a monogamia teríamos essa visão de relacionamento naturalmente? Biologicamente nascemos para praticar o amor livre e incondicional, mas mexeram aí também por interesses políticos da época, e nós vivemos o mesmo modelo de séculos atrás sem questionar nada.

E quando o ciúme vem feroz, nessas horas de “Deus nos acuda” a prática mais comum é pedir opinião para os amigos, conhecidos, contatos de grupos que você tem no facebook/Whatsapp. Sei que é quase irresistível inflar o ego com um monte de “você está certa, fez o que tinha que fazer”, mas não façam isso! Essas pessoas podem ser mais ciumentas que você, podem ter uma percepção mais alterada dos fatos que você, afinal de contas, elas não estavam lá.

Tente investigar o seu coração. Tente silenciar sua mente e fazer o exercício do “Por que?”
É simples e super poderoso.

Comece a pensar no momento que está passando e questione o “Por que” você sentiu, raiva, medo, tristeza ou o que for. Vá a fundo. Se você conseguir ser honesta o suficiente consigo mesma obterá grandes respostas.

Diferente do que costuma-se pensar o ciúme não é garantia ou um contrato que fixa a permanência de um na vida do outro, muito pelo contrário. O ciúme destrói tudo que toca.

Só o amor e a liberdade constroem.

Não pretendo impor nenhuma verdade, apenas expressar uma experiência pessoal com a esperança de ajudar outras pessoas.

Agradeço aos que doaram seu tempo e leram até aqui <3





Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.