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Distância saudável não é sinônimo de abandonar o outro!

Vejo que algumas pessoas cometem distorção semântica do termo “distância saudável” que o Arly Cravo criou, tornando-o sinônimo de omissão e abandono.

Elas ouvem apenas o termo distância e acham que isso significa ficar distante das outras pessoas, tipo ir embora, abandonar as pessoas, sair correndo e ficar longe rsrsrs.


Não é nada disso, gente. Vou esclarecer aquilo que eu entendo do termo:

Quando você toma distância de algo, você pode ficar a 1 cm distante daquilo, ou a 10 cm ou pode ficar a quilômetros de distância. Quando você está distante a 1 cm de algo ou alguém, você continua próximo, entende?

Essa é a distância saudável entre você e o outro, naquele momento, de acordo com o grau de consciência de vocês.


Creio que seria o mesmo que dizer “grau de proximidade saudável” entre as pessoas.

Por exemplo, pode haver pessoas com as quais o grau de afinidade entre egos é tão grande que elas podem se ver, de forma saudável, todos os dias. É benéfico para os dois, a troca de energia é boa, há um crescimento mútuo, os dois ficam felizes assim.

Com outras pessoas, o grau de afinidade pode ser menor, então, pode ser saudável elas se verem uma vez por mês,por exemplo. Claro que esse grau de afinidade é dinâmico, pode variar.


Mas vejam, isso não é unilateral, é sempre bilateral. Geralmente, o que sentimos pelos outros, eles também sentem pela gente, é recíproco, é uma questão de afinidade entre egos. ( claro que há pessoas que projetam coisas, mas o que elas sentem genuinamente por nós é sempre o mesmo que sentimos por elas, é uma questão energética, embora o ego delas possa ainda não ter percebido o sentimento verdadeiro).

Então, a distância saudável entre ambos é boa para os dois que estão na relação. Não é abandono, omissão, desprezo, descaso, ao contrário, os dois estão sendo beneficiados com esse grau de convivência.

Isso também é sinal de amor, de compaixão por si e pelo outro, porque existe uma equalização entre egos para tornar a relação saudável.

No exercício da distância saudável, ambos conseguem viver o grau de afinidade possível na relação.

Vejam, nessa busca pelo foco no grau de afinidade, a dupla vira um NÓS, como fala o Arly, e deixa de ser um EU. Então, como ele fala, a pergunta tem que ser: O QUE NÓS QUEREMOS?

Como vivemos numa sociedade com valores religiosos muito fortes, entendemos que convívios compulsórios, excessivos, conflituosos são necessários para o aprendizado e são sinal de amor. Tudo bem, para quem acredita que precisa do conflito e do excesso de convívio para aprender algo, sem problemas.

Para quem acredita que precisa se destruir, se auto-anular, abandonar a si mesmo para ajudar alguém, tudo bem, é o nível de consciência da pessoa.

Muitas pessoas interpretam presença física excessiva como sinal de afeto. Entretanto, nem sempre é o caso: ela pode representar auto-anulação, medo, vaidade, invasão e afins.

A compaixão genuína, ao que me parece, vem da percepção que vem da meditação, do autoconhecimento.

A pessoa verdadeiramente afetiva saberá até onde pode ir com cada pessoa sem ser excessiva ou omissa. É esse “feeling” que o exercício da distância saudável nos dá.

É a dupla que se relaciona que precisa sentir qual o conjunto intersecção entre ela para exercer a relação de forma verdadeiramente amorosa.

Espero ter esclarecido um pouco melhor.

Com amor, leveza e alegria,

Gisela Vallin

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Direitos autorais da imagem de capa: logoboom / 123RF Imagens





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