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A DITADURA DA FELICIDADE!

É estranho escrever um texto na contramão do mundo, mas enquanto todos buscam ansiosamente a felicidade, muitos acabam sendo escravizados por ela.


Maquiavel sentenciou: “Os fins justificam os meios”, no entanto, observo que os meios se tornaram os fins. Nunca a felicidade esteve tão na moda e para obtê-la vale tudo, desde que, devidamente, postado, curtido e compartilhado! Em vez de um estado de espirito conquistado… ser feliz, se tornou uma impensada subjugação!

Neste processo, que antes era simples, tudo se complicou. Agora é necessário expor a melhor festa, a melhor viagem, o/a melhor namorado(a), o/a melhor filho(a), etc…nesta hipervalorização do cotidiano, os padrões e objetivos a serem atingidos se tornaram elevados demais, o que justifica a presença cada vez maior da depressão na vida de muitas pessoas.

Se o corpo e a razão “correm” atrás deste modelo de felicidade, a emoção não acompanha, porque precisa de um tempo (que não tem) para compreender e maturar. Aliás, qualquer pessoa, na atualidade, que escolha desafiar o senso comum de “maravilhoso”, sofre uma grande (im)pressão.


Como uma pessoa não quer ter filhos ou casar? Como não gosta de viajar? Como não participa de redes sociais? Como está sozinha?
Inconscientemente, a pergunta seria:“Como alguém consegue ficar bem, sem fazer tudo que eu faço ou desejo fazer?”

Mas não é o fazer que determina a felicidade, mas sim, quem somos. Contraditoriamente, fazemos coisas sem parar, mal tendo tempo de saber quem somos.

A meditação budista ou uma prece é um exemplo claro dessa “reconexão” consigo mesmo. Quando interrompemos o movimento do mundo, silenciamos e olhamos para dentro, reconhecemos a nossa natureza. Afastamos, temporariamente, as ilusões do “impermanente e mutável” e acessamos nossa essência perpétua.


Romper com a ditadura da felicidade, não é ser infeliz. É estar inteiro naquilo que se propõe fazer, sem melindres por cobranças externas ou inseguranças por simplesmente discordar ou ser/estar diferente.

Dizem que o PRESENTE é um presente. Logo, podemos considerar que a “presença”, também é uma dádiva. Assim, não é a felicidade que tem de ser presente, mas sim sermos presentes na felicidade!

Uma vez libertos dessa ditadura, o mundo antes restrito, ganha um novo panorama, chamado Liberdade! Liberdade de escolha, de sentimento e de ser quem se quer ser.

Seja Feliz, ou melhor, Seja!





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