Divórcio: um aprendizado sobre seus familiares e sobre si mesmo

O divórcio de fato deixou de ser tabu, tornou-se algo recorrente na vida das famílias, cada um com sua crença, de fé ou de amor, lida com esse acontecimento de um jeito. Para muitos, o divórcio tem um peso árduo, é uma marca de fracasso e de incapacidade. Para outro é uma revolução, traz em si a solução mais saudável e libertadora. 

Independente dos sentimentos de cada um, as causas e o modo como nos divorciamos revelam muito sobre nós mesmos, a começar sobre nossa família de origem e em segundo lugar, sobre o aprendizado pessoal que necessitamos ter.

Alguns estudos revelam que ao escolher um parceiro ou parceira os atributos como inteligência, beleza, amorosidade e atração física, mascaram propósitos inconscientes que serão revelados ao longo da relação. A ressignificação dos reais motivos permite o crescimento individual e a evolução ou não da relação.

A aceitação das mudanças no outro é extremamente importante para a manutenção da relação. Um casamento saudável exige um olhar atento sobre si mesmo e constantes ajustes e aceitação do outro.

Porém, nem sempre é possível acompanhar tais mudanças, de forma que os emaranhados também revelam, quando observado de forma analítica, crenças e valores trazidos da família de origem, tornando-se impedimentos para que o casal siga adiante.

Uma vez não encontrando solução para manter o casamento saudável, o divórcio torna-se necessário para romper um ciclo de dor, mas como seguir em frente, se a dor do divórcio também é insuportável?

1. Um casamento acaba quando ambos estão dispostos, mesmo que inconscientemente. Portanto, ambos são responsáveis pelo fim.

Parece irônico, mas em matrimônios normalmente não é claro os motivos reais da sua ruptura, fica difícil das partes reconhecerem suas responsabilidades, gerando assim, vítimas e culpados. Não olhar de forma criteriosa para os problemas que ambos causaram à relação, dificulta o término e a libertação dos envolvidos.

Apesar da dor e do constrangimento que as responsabilidades individuais possam ter, olhar para as causas do divórcio é benéfico e acelera a aceitação e evolução individual. Quando não se olha para as causas, fica mais fácil julgar e culpar a si ou ao outro, e o jogo de empurra empurra provoca mais dor e violência emocional para si e ao outro.


2. Autoperdão

Toda decisão pelo divórcio é legítima, isto é, uma justa causa. Cada parceiro ou parceira carrega em si motivos verdadeiros para tomar essa decisão, e é preciso não se sentir culpado por isso.

Seja qual for o motivo da separação, ele está por trás das consequências. A traição, as brigas, o descaso, o rancor, a raiva e até mesmo a violência e passividade diante dela são sintomas de algo mais profundo. Ao terminar uma relação é preciso se perdoar, olhar a sua justa causa com carinho, aceitação e amor.

Apesar de ninguém escolher o passado, pode-se escolher até que ponto as consequências dele vão interferir na vida atual. Todos são livres para trilharem seu próprio caminho e carregar somente o que é necessário. Se não foi possível ter essa consciência dentro do casamento, tudo bem! Perdoe-se e siga adiante!


3. Um novo eu nasce a partir do divórcio

É estranho ouvir que o fim de um casamento não é um fim da vida.  De certa forma, é sim o fim de uma vida em que dois estavam unidos e dispostos a compartilhar tudo que cabe no casamento, como afeto, casa, vida financeira, familiares, amigos, hábitos, rotinas, sonhos…

O fim do casamento gera em qualquer pessoa muita tristeza. É a morte de muitas coisas, mas também uma possibilidade de renascimento. Muitas são as histórias de pessoas que se revolucionaram após a separação.  Existe uma nova energia e força cercando os recém-divorciados. Laços de afeto e comportamentos são revistos. É uma nova convocação da vida, quem se entrega de corpo e alma ao processo transcende. É libertador!  


4. Redefinir o conceito e prática do amor-próprio

Independente da motivação que causou o divórcio, o maior aprendizado que se pode ter é sobre o amor-próprio. Recomeça-se a vida após a separação pelo amor que se tem por si mesmo!

Olhar, sem culpa e sem vitimização para as escolhas que foram as feitas, parceiro, as motivações, a justa causa. Aceitar-se. Reverenciar a própria história e ancestrais.  Respeitar a si. Agradecer os anos e os frutos originados do casamento.  Por fim, fluir assumindo o seu novo lugar no mundo.   


5. A vida não nos promete um viver sem dor, mas nos concede o direito de recomeçar a qualquer momento tudo que se desejar.

É preciso carregar em si essa certeza libertadora. A mesma liberdade que temos para escolher amar, temos para sofrer e nos livrar do sofrimento. O recomeço depende unicamente da vontade individual de dar um basta naquilo que nos faz mal.

Faça no seu tempo, mas permita-se recomeçar. Se achar impossível amar alguém novamente, tudo bem! Mas lembre-se de que a vida o (a) convida a experimentá-la todos os dias!


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