Amor-PróprioFelicidadeO Segredo

Do outro lado do espelho

do outro lado do espelho

Dia desses resolvi trocar o espelho quebrado de meu quarto, fui a um bazar e comprei um novo, baratinho, moldura simples, mas ao menos estava inteiro, sem distorcer tanto minha imagem refletida. Substituí a peça quebrada em uma briga por outra de menor valor, mas com seu vidro intacto. Espelhos sempre me causaram calafrios, no outro lado moravam as piores assombrações que já enfrentei, monstros de verdade, me perseguem desde que tive minhas primeiras experiências em frente a ele. Mas eu lutava com bravura. Certa vez discutíamos e quando ele estava quase me vencendo dei meu golpe final: joguei a flor de gesso que enfeitava minha escrivaninha, com tamanha força que ele trincou, selando sua derrota e minha falsa vitória, tão falsa á ponto de ter que conviver com mais monstros e com a peça, recebida de presente de minha avó toda quebrada, deixando uma impressão de descaso no aconchegante quarto cor de rosa.



Lembro-me de ter voltado triste da escola naquela manhã. Era dia dos namorados, dia em que montavam a barraca do “bom-bom do amor” onde os apaixonados mandavam os doces com cartões para suas namoradas ou pretendentes. Nunca recebi nenhum. Mas naquele dia lembro-me da mocinha entregando-me um delicioso exemplar com um sorriso estranho no rosto, aqueles em que você percebe crueldade e sarcasmo. A emoção foi tamanha que corri até o banheiro, procurei um canto bem discreto para ler o cartão que tanto sonhei em ganhar um dia. Triste desfecho. As palavras contidas no cartão não eram de nenhum apaixonado, tratava-se de uma brincadeira de mau gosto de minhas coleguinhas, onde elas ressaltavam meu jeito estranho de ser, os quilos a mais e o cabelo rebelde com o penteado ultrapassado. Fiquei por ali mesmo, no canto escuro, chorando oceanos de tristeza que depois fora descontado no pobre espelho.

Essa foi apenas uma das péssimas experiências que enfrentei ao longo dos anos escolares. Mas voltando ao foco da conversa, após muita luta interior, finalmente o espelho foi trocado, depois de longos meses contemplado minha imagem torta em meio aos estilhaços, finalmente agora a visão era nítida, clara. Tirei o pó com cuidado e enfim terminando a tarefa olhei uma bela menina que sorria, olhos azuis como o céu e um sorriso de encher a alma. Minha imagem. Soltei o riso e os cabelos ondulados, peguei um batom já esquecido em uma gaveta, uma tiara de flores e logo me transformei na princesa tão sonhada, que por anos foi deixada de lado, logo pela pessoa que jamais poderia tê-la esquecido: eu. Percebi que me abandonei, me escondi, me massacrei sem piedade…

Embalada por uma melodia alegre, dancei com minhas sapatilhas de bailarina sempre olhando no azul dos meus olhos e me conectando cada vez mais com a imagem refletida. Assim descobri que pessoas cruéis sempre irão existir, mas a menina em você estará lá, do “outro lado” á lembrando de que a vida é breve como um sopro e que em seu interior pulsa a mais linda luz que a faz recomeçar todos os dias, que grita que vale á pena esquecer, perdoar, soltar os cabelos, calçar as sapatilhas e sair rodopiando pela vida. Bela e forte! Você é assim… Alegre-se… Celebre a pessoa única que você é…


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