Pessoas inspiradoras

Donos cedem parte do quintal de suas casas para moradias de sem-teto

capa Donos cedem parte do quintal de suas casas para moradias de sem
Comente!

Chamado de Block Project, o grupo envolvido acredita que quem deve intervir para acabar com a população sem teto é a própria comunidade.

Difícil mensurar a quantidade de pessoas sem teto, população que está aumentando por conta da crise sanitária e financeira. De acordo com dados do Conselho de Direitos Humanos (CDH), existem pelo menos cerca de 800 milhões de pessoas sem teto no mundo. O levantamento foi apresentado em 2020.

A expectativa é que um ano depois esse índice tenha aumentado, já que os níveis de desemprego se mantêm em alta no mundo. Em Seattle, nos Estados Unidos, um grupo de moradores se uniram para montar o Block Project, pelo qual oferecem parte de seus quintais para que uma organização sem fins lucrativos construa uma pequena casa, ajudando quem não tem teto na cidade.

O arquiteto Rex Hohlbein conta, em entrevista para a Fast Company, que depois que conheceu um artista sem teto em frente ao seu estúdio, com o qual criou amizade, começou a ajudar as pessoas que precisam de um local para morar, assim criou o Block Project. Para ele, é extremamente complexo que exista apenas um programa governamental que lide com isso nos Estados Unidos, por isso, precisam de uma mudança completa na maneira de agir da comunidade, protegendo os mais vulneráveis.

O arquiteto e sua filha Jenn LaFreniere, também arquiteta, criaram em 2013 uma organização sem fins lucrativos chamada Facing Homeless, quando resolveram radicalizar nas ideias. Percebendo que os terrenos na cidade eram muito caros e que os projetos de construções que existiam costumavam demorar anos para sair do papel, ele decidiu pedir aos próprios residentes que cedessem parte de seus terrenos e quintais de maneira direta.

2 Donos cedem parte do quintal de suas casas para moradias de sem

Direitos autorais: reprodução/ Block Project

Rex explica que Seattle já tinha leis de zoneamento que permitiam que os moradores tivessem “unidades habitacionais acessórias”, ou outras casas em seus quintais. Conforme o arquiteto e sua equipe começaram a disseminar a ideia, o próprio departamento de planejamento da cidade acabou ajudando no fornecimento de suporte para fazer com que a construção ficasse ainda mais simples, eliminando o “tempo” dessa equação.

De acordo com os organizadores, o programa não serve para todas as pessoas em situação de rua. Eles explicam que os que possuem graves questões de saúde mental, por exemplo, ficariam melhor em ambientes onde haja serviços adicionais. Para os demais, a estratégia serve para oferecer uma moradia estável ao mesmo tempo que se conectam com vizinhos nas áreas que, provavelmente, não poderiam viver.

3 Donos cedem parte do quintal de suas casas para moradias de sem

Direitos autorais: reprodução/ Block Project

Mas a empresa não se limita a encontrar pessoas que cedam partes de seus terrenos, uma equipe foi criada para que os sem-teto recebam treinamento profissional, desenvolvam hábitos saudáveis e sejam inseridos no tecido social de maneira adequada. Os proprietários dos terrenos não precisam se comprometer com mais nenhuma solicitação, basta que sejam bons vizinhos, além de ceder o terreno.

As casas são bem pequenas, têm cerca de 12 m², com cozinha, banheiro, um espaço para dormir e uma varanda coberta. Mas elas não são produzidas sem nenhum tipo de padrão, o Living Building Challenge estabeleceu rígidas exigências de sustentabilidade, com recursos como energia solar e captação da água da chuva. Para o grupo, era extremamente importante que a casa não fosse uma simples construção, mas uma moradia avançada, tanto que pode até servir de inspiração para os moradores da região.

4 Donos cedem parte do quintal de suas casas para moradias de sem

Direitos autorais: reprodução/ Block Project

Quem se interessa em ajudar a população sem teto deve se inscrever no Facing Homeless, que avalia cada local para ver se ele se enquadra nos padrões da empresa. A organização sem fins lucrativos se compromete a deixar o imposto sobre a propriedade no mesmo valor anterior ao da construção da nova casa durante cinco anos, fazendo com que eles se sintam motivados a renovar o contrato.

Os moradores que adotaram a nova estratégia também podem entrar no movimento social que reivindica novas oportunidades e soluções para quem não tem moradia. Além disso, a forma como as casas são construídas permite que voluntários auxiliem no processo de erguer cada uma delas. O programa cresceu pelo “boca a boca”, e todos esperam que se torne algo mais natural e popular.

Comente!

A incrível jornada de uma mulher para oferecer um lar a crianças que seriam enviadas para o orfanato

Artigo Anterior

Jovem baiano que vende água em semáforo é aprovado em concurso da Polícia Militar

Próximo artigo