E eu fui cuidar de mim, da minha vida, deixei a vida se encarregar de ser. Então, eu melhorei

Eu não vou marcar de vê-lo e sumir, também não vou amá-lo e abandoná-lo, porque essa não é a lei do retorno. Essa é a lei da vingança, e de vingança estou exausta. Eu até tenho preguiça de dar o troco, sabe?

Eu aprendi que não vale mexer um ossinho do meu corpo para atingir alguém.

Deve ser porque, conforme a vida passa, eu aprendo que a lei da vingança, no final, acaba ferrando com nós mesmos, então eu aderi a lei do retorno.

Você esperava que eu fosse aparecer com outro na sua frente, esperava que eu fosse sair por aí falando que você beija mal, que eu fosse sair por aí ficando com o primeiro que aparecesse na minha frente, só para me livrar da frustração de vê-lo com outra. Você esperava que eu fosse lhe falar todas as verdades que estavam entaladas na minha garganta. Esperava que eu agisse feito você. Você esperou e pode ficar esperando.

Enquanto você perdeu seu tempo querendo me atingir de alguma maneira eu fui me recuperando, sabe?

Eu fui cuidar de mim, da minha vida e o deixei escanteio. Eu saí, fui dançar, vi séries, gargalhei, conheci pessoas bacanas, hidratei meu cabelo, cozinhei, assisti a vídeos engraçados sobre gatos, conversei sobre como a lua estava bonita no dia X. E aí eu eu melhorei.

E você? Você se amargurou. Percebeu minha indiferença, percebeu minha felicidade e percebeu o quanto eu estava melhor sem você. Você se arrependeu por perder o seu tempo tentando procurar consolo no beijo de outras pessoas, enquanto poderia ter procurado consolo no beijo de quem fazia seu coração palpitar fortemente – eu. Nós tínhamos chance de recomeço ainda, tínhamos chance de um acerto. Eu não estava brava – e diferente do que você pensou, eu nunca fiquei – eu o amava.

Mas eu me amava também e preferi não me ferir mais. Então, eu escolhi seguir em frente, deixei-o guardado aqui na minha memória e por cultivar apenas o carinho de alguém que me foi especial algum dia. Optei por transmitir amor ao invés de rancor.

Eu precisava me cuidar, já que você não foi capaz de cuidar de mim e muito menos de si próprio.

A porta continuará aberta para você, claro que não pense que chegará sentando no sofá e colocando os pés na mesa, mas eu preciso oferecer o que eu gostaria de receber de você. Essa é a filosofia da minha vida na minha atual fase, porque a lei do retorno é claramente isso, recebemos da vida o que para os outros oferecemos.

Eu aprendi que além de recebermos o que ofertamos, essa lei também nos traz boas consequências: empatia, amadurecimento e, principalmente, menos sofrimento.

Doer? Doeu. Mas não me descabelei como faria antigamente. Sentir? Senti. Mas a superação foi mais rápida e menos dolorosa.

Por isso eu lhe digo que não desejo para você os ciúmes que você me fez passar, não desejo a insegurança que você me fez ter, não desejo as insônias que você me causou, não desejo os choros que você me fez derramar, não desejo a desilusão que tive que enfrentar.

Eu deixo a vida se encarregar de ser e torço para que ela não o faça sofrer tanto como você me fez.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / profile_racorn



Deixe seu comentário