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É INÚTIL QUERER AGRADAR A TODOS!

 Durante muitos anos da minha vida, em especial na fase da adolescência, buscava sempre agradar e esperava a aprovação dos outros.


Essa busca por aprovação começa na nossa primeira infância, entre 0 e 5 anos, pois quando tínhamos essa idade era comum fazer alguma gracinha, ou obedecer aos pais, e receber deles como “recompensa” uns parabéns ou algo semelhante.

Acontece que nesse período da vida temos nossos pais como pilares do cuidado e carinho, para nos ajudar na construção de nossa autoestima e educação emocional. Esse é um ponto positivo e que nos ajuda.

Por outro lado, se levarmos para nossa vida a necessidade (mesmo inconsciente) de agradar a todos, como se fosse uma obrigação, por consequência desagradamos a nós mesmos, aos nossos valores e desejos.


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É necessário aprender – e esse aprendizado virá ao longo da vida – a equilibrar e verificar ecologicamente a funcionalidade de agradar ou não os outros.

Por que te digo isso?!


Porque a princípio não existe nenhum problema em querer agradar a quem amamos: é tão gostoso agradar um filho, nossos pais, aquele amigo especial, a pessoa amada, é maravilhoso ver o sorriso deles estampado no rosto, ainda mais quando retribuem todo esse cuidado, quem é que não gosta?

O problema começa quando se vive em função de agradar aos outros. A recíproca precisa ser verdadeira, do contrário você se machuca, se anula e alimenta mais e mais uma falta de amor próprio.

O problema central dessa questão de agradar os outros está na grande necessidade de ser aceito, de ser acolhido. Desde pequenos quando agradávamos nossos pais, eles retribuíam com um afago, um sorriso. É importante aqui ter um certo cuidado, pois com a autoestima em baixa, crescemos e levamos para nossa vida o objetivo de agradar o tempo todo, pois assim acreditamos ter maiores chances de receber como recompensa um sorriso, um carinho extra, um elogio.

Como é a sua realidade?

Esse medo de exclusão pode ser tão forte e tão presente que você nunca diga “NÃO”. Dizer “NÃO” é algo passível de rejeição, exclusão, e as pessoas podem não te achar “tão legal assim”. A dor pode ser tão grande, que só de pensar já te faz mudar o foco, e novamente fazer a vontade do outro, anulando mais uma vez seus desejos.

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Com o passar do tempo esse comportamento de agradar a tudo e todos e o medo de dizer “NÃO” vai te sufocando, apertando a cada dia seu coração, trazendo angústia. Ao repetir esse mesmo padrão não somente em seu trabalho, mas em sua família, com seus relacionamentos sociais e afetivos, as pessoas começam a questionar sobre as suas vontades, e muitas vezes sentem a falta de posicionamento perante situações que precisam de sua real opinião sobre o assunto.

Há no mundo pessoas com baixíssima autoestima. Algumas destas pessoas sentem a necessidade – também inconsciente – de pisar no outro. São “amizades” tóxicas ou mesmo relacionamentos destrutivos. Nesses casos, a vítima, que é a pessoa que nunca diz “NÃO”, passa a se sentir ainda pior.

Ao continuar agindo assim, você vai anulando suas vontades, sonhos, cansando seu corpo e alma. A vida vai perdendo sentido, pois as suas vontades não serão levadas em consideração. Sua vontade de sair com os amigos vai diminuindo, a paixão pelo trabalho ou por estar entre familiares. As coisas tornam-se obrigatórias. Colocar limites é o primeiro passo. Quando alguém nunca diz “NÃO”, certamente também nunca diz “SIM” a si mesmo!

Antes que o fundo do poço se aproxime, exercite algo muito especial e profundo para você: descubra quais são seus reais prazeres, vontades, gostos. Anote.

Depois disso comece a entender que também é importante, que tem direitos, que merece sorrir, amar, comprar, viajar. E principalmente que PODE dizer NÃO: “não quero”, “não gosto”, “agradeço, mas não”. Se alguém ficar triste com sua negativa, não tem problema. Outra coisa que você precisa aprender aqui é que você não precisa agradar a todos o tempo todo. Você não precisa acertar o tempo todo, e você não precisa dizer “SIM” ou “NÃO” também o tempo todo. Você precisa aprender a se respeitar, e respeitar suas vontades.

IMPORTANTE: se você se viu nesse texto, segue uma dica: comece fazendo uma lista das coisas que você mais gosta de fazer. Você vai precisar resgatar lá no fundo do coração, porque normalmente a pessoa descrita no texto tem grande dificuldade, já que seus gostos se perderam no gosto dos outros, foi a tantos shows pelos outros, viu tantos filmes pelos outros, comeu tantos pratos diferentes para agradar aos outros que nem se lembra mais do que lhe apetece. Então comece fechando os olhos e buscando recordações ou momentos em que desejou expressar suas vontades. Comece escrevendo sobre suas bandas preferidas, músicas, livros, tarefas do dia a dia, sabores, cores, marcas, lugares e por aí vai. Exercite a auto investigação, o autoconhecimento. Permita-se conhecer de verdade, ser quem você é de verdade.

Se você não se enquadra neste tipo de personalidade, mas conhece alguém que se enquadre, não seja direto, mas aos poucos vá mostrando para esta pessoa o quanto ela é importante. Pergunte o que ela gosta, o que ela quer fazer. Se for um caso crítico ela irá responder: “O que você quiser fazer eu faço”, “o que você quiser comer eu como”. Mesmo assim estimule essa pessoa: diga “hoje não, hoje vamos fazer algo que você quer! ”

Quem se sente obrigado a sempre agradar está preso em um conflito delicado, mas não percebe. Liberte-se!

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Este é meu desejo para você: Que agradar alguém seja uma opção, uma escolha que possamos ou não ter, e não uma obrigação.





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