É preciso aceitar que a vida muda o tempo todo e que tropeços fazem parte do caminho

Não vou dizer que é fácil, pois a vida chega gritando, o ego sofre e a carência mais ainda.



Finalmente entendi que preciso deixá-lo ir para que você possa chegar. Parece um contrassenso, mas não é. Eu preciso deixar aquela ilusão de que o homem perfeito é um príncipe da Disney – até a Disney já deixou – “Frozen” que o diga –, para que pessoas reais, de carne, osso e sangue, possam chegar à minha vida.

Eu preciso deixar a ideia de que só depois de conhecer “o grande amor” serei inteira, completa e poderei ter uma vida de amor e aventura. Eu preciso deixar a concepção de “família de comercial de margarina” para entender que está tudo bem, se o café da manhã for apenas eu e uma porção de granola.

Com o tempo, as coisas mudam, as expectativas vão sendo ajustadas e nos deparamos com duas opções: deixar se abater por não estar levando a vida da forma como gostaríamos, com todos os nossos sonhos e idealizações de infância, ou aceitar a vida que temos diante de nós, abrindo-se de verdade para as possibilidades, sonhando, desejando, mas não sofrendo pelas inevitáveis mudanças e desvios de rota.


Não vou dizer que é fácil, pois a vida chega gritando, o ego sofre e a carência mais ainda.

Porém, relacionamentos que não nos completam mais, que no fundo sabemos não ser suficientes para nós, que nos drenam, sufocam e nos transformam em pessoas que não somos ou não queremos ser, relacionamentos abusivos, doloridos, que levam anos para cicatrizar, com a maturidade e o autoconhecimento, são inaceitáveis.

Fazem parte da vida, afinal não só de flores é feito o caminho. Mas chega um momento em que basta.


É preciso aceitar que a vida muda o tempo todo, que nem tudo está sob nosso controle e tropeços fazem parte.

E isso não quer dizer que devemos nos fechar para novos relacionamentos e pessoas. Muito pelo contrário, abrir-se para as possibilidades da vida é essencial para que possamos de fato vivê-la, contudo sem esperar aquele “príncipe” ou “princesa” que virá nos salvar.

É preciso apaixonar-se pela vida, como nos ensina Giovana Antonelli em “Avassaladoras”.

Assim, quem entrar em nossa vida será para somar, trocar, para proporcionar um mútuo crescimento através de um relacionamento de amizade ou de amor, que pode durar dias, anos ou vidas. Vai depender da vontade e comprometimento dos envolvidos, algo além de qualquer controle.

O que podemos fazer é nos dedicar com o coração, dizer quando sentimos algo, quando amamos, quando não amamos mais. Ser honestos conosco e com o outro. O resto não depende de nós. Acima de tudo, é preciso saber quando ir, mas também quando ficar e, acredite, no fundo sempre sabemos.

Então, essa carta é para você, que assim como eu deseja e almeja algo que nem sabe direito o que é. Está tudo bem esperar, mas não se esqueça de viver no caminho.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Neal e Johnson/Unsplash.

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.