É preciso desacelerar!



A sociedade, mediante esta era, vive a mil por hora, em busca de muitas coisas ao mesmo tempo, e que, por muitas vezes, não sabe definir ao certo do que se trata, daí o surgimento da ansiedade, tão comum entre as pessoas espalhadas pelo mundo.

E neste ritmo de vida, onde a aceleração faz parte dele, além da instalação da ansiedade por algo que está por vir, a vivência dos excessos chega perto de nós já que, na era do imediatismo o “eu quero e tem que ser agora” toma conta.

Estamos vivenciando a era do imediatismo em que tudo precisa ser realizado “aqui e agora” – “Vivemos na era do imediatismo. Todas as soluções buscadas devem ser encontradas para o mais rápido possível” (CANTARELLI, 2017).

Este momento está sempre nos solicitando: a superar as expectativas, a conquistar as melhores notas, se inserir em um extraordinário campo de trabalho e lá conseguir crescer mais e mais, ser os melhores pais, vivenciar novas experiências e muito mais, mesmo que para isso seja preciso ultrapassar o limite do meu corpo, ultrapassar o meu limite subjetivo.

Por muitas vezes o lema é: “Não posso decepcionar ao outro” (outro sociedade, outro família, outro amigos, outro “concorrente”), mas eu pergunto: “E você, como se sente e como fica diante da cobrança em superar todas as expectativas postas pela sociedade?”

E eu respondo em forma de reflexão: “É preciso desacelerar…”.

Mesmo diante deste momento súbito – que por muitas vezes somos devorados ou estamos à beira do penhasco – precisamos buscar intimamente a calma, a leveza e enfim, desacelerarmos frente ao tumulto do “aqui e agora”.

Quando falo em “busca íntima” refiro-me à procura pelo equilíbrio de vida[1], pois, mesmo diante do caos externo, precisamos tentar o equilíbrio de dentro para fora, para que o caos interno não se instale dentro de nós.

Em um texto escrito por mim, remeto a esse assunto dizendo:

No percurso da vida, por muitas vezes, andamos com pressa, afinal de contas, a sociedade nos convoca a ter pressa porque o tempo é curto demais.  Não é mesmo? Mas é preciso calma, leveza para sentir a vida passar; para poder seguir a vida.

E nessa calmaria, ora podemos chorar, ora podemos sorrir, mas com uma certeza: sempre aprendemos[2] (LUSTOSA, 2017).

Quando nos permitirmos desacelerar, começamos a sentir que faz parte da vida, as coisas não acontecerem como desejamos ou como o outro deseja, pois sempre haverá algo chamado limite – limite do corpo, limite da mente, nosso limite singular – e devemos respeitá-lo, da mesma maneira que gostamos que as pessoas nos respeitem.

É preciso passar por todos os momentos de forma tranquila – mesmo em momentos conturbados –  para que possamos sentir tudo, não deixando escapar nenhuma sensação. É preciso mais calma, meu caro leitor. Assim nos disse Ferreira.

E como é importante se respeitar, respeitar seu ritmo próprio… cada questão tem que ser trabalhada com atenção, dedicação e principalmente respeito. Pode levar o tempo que for, o importante é tudo acontecer de verdade, quase que com uma devoção à própria história. Sentindo cada etapa, ouvindo cada sinal, vivendo cada transformação de corpo e alma (20-).



Ao desacelerar permitimo-nos perceber que a vida não é feita do “aqui e agora” e sim da espera… Espera por algo que está por vir e virá no tempo que for preciso.

Diante dessa era, confesso que a espera provoca muita ansiedade e angústia por vivenciarmos o não saber: o não saber se dará certo, se vai ou não vai acontecer, se fizemos como deveria ter feito, ou seja, sofremos diante da expectativa. Mas mesmo assim, ela estará lá constituindo a nossa trajetória, pois há muitos momentos em que a solução é exatamente ela, ou seja, a espera; esperar o tempo que não é nosso; esperar um tempo que está em constante transformação para ao final concretizar o que está por vir.

Sendo assim, meus queridos leitores, desejo a você que mesmo diante dessa constante aceleração do viver imposta pela sociedade, possam desfrutar da desaceleração íntima, onde a leveza, a harmonia e a paz serão os atributos encontrados por cada um de vocês. Permitam-se sentir! Como fazer? “Caminha e o caminho se abrirá (Gassho)”.

Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz
E ser feliz

(Almir Sater)


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: halfpoint / 123RF Imagens

[1] Cuidados com a mente e com o corpo.

[2] Grifo meu.






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