Reflexão

“É preciso empurrar o filho para fora do ninho”

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Uma reflexão de essencial leitura para todos os pais que se importam com o futuro dos filhos.

A maternidade e a paternidade, para muitas pessoas, são muito mais do que apenas uma obrigação adquirida ao descobrir que existe uma criança a caminho, é uma missão de vida e a realização de um sonho.

Desde muito novos, milhares de homens e mulheres podem planejar a construção de uma família, dando prioridade muito especial aos filhos, para que vivam a única experiência de criar uma criança do zero, ensinando a ela todas as lições necessárias e se dedicando para que ela tenha um futuro de segurança, felicidade e sucesso.

O que leva as pessoas a quererem ter filhos varia muito: deixar uma “herança” ao mundo, ter alguém para continuar a linhagem da família, experimentar uma forma de amor única, oferecer a um sucessor tudo que não receberam enquanto cresciam, entre muitas outros.

Entretanto, quando se trata de filhos, tão importante quanto a idealização é a realidade, a forma como construímos esses relacionamentos e os conduzimos. Criar um filho é algo que descobrimos ser muito mais difícil quando assumimos a responsabilidade, e precisamos exercer essa missão dia após dia. A rotina nos traz um choque de realidade e nos mostra que se trata de muito mais do que imaginávamos, e deixa claro que temos total responsabilidade pela pessoa que os nossos filhos se tornarão.

Muitos pais, na tentativa de proteger os filhos de todos os perigos do mundo e de evitar que tenham a cara e o coração partidos, assim como eles tiveram, podem adotar uma postura mais acolhedora com suas crias.

Quando os filhos são pequenos, oferecem um excesso de proteção, até mesmo impedindo que a criança viva partes naturais da infância, como se machucar brincando, fazer passeios, dormir na casa dos amigos, entre outros, e à medida que o tempo passa, sentem necessidade de controlar a vida dos filhos.

A intenção desses pais, com certeza, é sempre muito positiva, de oferecer aquilo que nunca tiveram, mas os resultados desse tipo de comportamento nem sempre são agradáveis em longo prazo.

Quando mantemos os filhos “dentro do ninho” a vida toda, nós os privamos da oportunidade de construir a própria história, e os criamos para se tornarem adultos preguiçosos, desmotivados e folgados, que acham que as coisas sempre baterão à sua porta, sem nunca se sacrificar por nada.

É claro que é muito importante que eles saibam que sempre podem contar conosco e estaremos presentes quando as coisas não acontecerem como o planejado, mas incentivá-los a viver as suas experiências é tão importante quanto, até porque não estaremos ao seu lado para sempre.

Quanto mais os filhos permanecem debaixo de nossas asas, menos preparados eles estão para ir para o mundo e a experimentar tudo aquilo que tem a lhes oferecer, de bom e de ruim.

Tentando protegê-los excessivamente do perigo, também os privamos das alegrias e do sentimento poderoso de orgulho das vitórias pessoais, afinal, quando conquistamos algo por conta própria, vencemos os próprios obstáculos.

Pelo bem dos nossos filhos, é muito importante sermos capazes de “empurrá-los para fora do ninho e os incentivarmos a voarem com as próprias asas.

Apesar de parecer algo um pouco cruel, na verdade, é um dos maiores atos de amor e cuidado que podemos oferecer a eles, porque uma pessoa realmente feliz e realizada é alguém que aprendeu a viver sem depender de ninguém.

Abaixo, deixamos uma reflexão muito interessante sobre esse assunto, atribuída a Rubem Alves. Confira!

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho. Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas adoidadas.

Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira… Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…

Existem muitos jeitos de voar. Até mesmo o voo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…

Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar. Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.

Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar. É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.

É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem a urgência de conquistar o mundo longe de nós. É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar a distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente, apoiar decisões que caminham para longe. Isso é amor.

Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados. Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção, cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que os impede de navegar nas ondas de seu próprio destino.

Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma.

Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança. Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.

Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase. Aprendo que tudo passa, menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno.

Aprendo que existe uma criança em mim que, ao ver meus filhos crescidos, se assusta por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível. Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar. E não há estrada mais bela do que essa.

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