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É preciso largar a mão, quando o próximo decide andar sozinho

É preciso deixar o outro ir. Não é fácil, mas necessário.

Por mais que sejamos movidos por boas intenções e propósitos, se o outro não desejar ver, não será a luz que irradiamos que o fará enxergar



É preciso deixar o outro ir. Não é fácil, mas necessário. Por amarmos em demasia, por nos preocuparmos em excesso, por zelarmos e nos sentirmos responsáveis por determinadas pessoas, acabamos tentando blindá-las de suas dores, de suas experiências, de suas quedas e tropeços. E isso não é justo: nem com elas e nem conosco.

Torres que tocam o céu são prerrogativas de contos infantis. Não somos nobres com castelos imagináveis, onde trancafiamos indefesas almas para que não se deparem com a maldade e as maldições alheias.

A vida não é assim. As pessoas as quais amamos percorrem estradas muito mais sinuosas e longas do que o pequeno trecho, no qual a bailarina solitária rodopia seguramente, ao som de uma suave melodia. Aqui, no mundo real, bater a cabeça, cair de penhascos, conhecer o fundo de vários poços, é fundamental para a tão almejada evolução.


Não se sinta na obrigação de ser a rede de proteção de trapezistas inconsequentes.

Não somos senhores do tempo e nem donos de destinos. Precisamos soltar mãos. Deixar que se desprendam.

A vida não é um jogo com cartas marcadas. Ganhar e perder. Cair e levantar. Ensinar e aprender. Tudo isso faz parte, mas, no final, cada um responderá pelo manuseio das peças e por levar ou aplicar um xeque-mate.

Não coloque o outro em uma redoma de vidro: ensine-o a lidar com os cacos. Aceite que ele vai se cortar vez o outra. E que, tudo bem! Não chore lágrimas que não são suas. Permita que falte ar durante o choro descomunal de quem você ama. Chorar faz bem, ninguém morre por sofrer.


Tem horas que não adianta avisar, aconselhar, pegar na mão. As palavras vão entrar em um ouvido e sair pelo outro.

Os conselhos serão ignorados com sucesso. As mãos se perderão umas das outras. Saiba quando tirar o seu time de campo. E não pense que isso se chama abandono. Ao contrário. Chama-se desprendimento, desapego. Para isso, é preciso maturidade.

Aprenda que você só pode ir, até onde o outro lhe permite. Após isso, é invasão. Lembre-se, grandes expectativas, gigantescas decepções. O outro, não é você. Assim como não o são as suas decisões, reações, valores, princípios e moral. Por mais que ensinemos como costurar, o dedo que a agulha furará na distração, não será o nosso. Por mais que demonstremos como agir, não seremos o fiel da balança, que penderá para boas ou más atitudes. Podemos ser a fagulha que incendeia, mas manter a brasa viva, já não depende mais de nós.

Caiba na frase: “não é problema meu”. Afinal, as pessoas precisam errar e aprender com os seus erros, andar com suas próprias pernas.

Não se percorre um caminho carregado nos braços e nas costas. É preciso caminhar, mesmo que se dê com a cara no muro ou contra uma porta.

Não tome posse da vida alheia. Viva a sua. Respeite a do outro. Se preciso, solte as mãos, desate nós. Ensine a plantar, mostre o valor da semente e a importância do adubo. A colheita, é responsabilidade do semeador, não é sua.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / anekoho.

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