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E quando plantamos concessões, colhemos os frutos na altura que nós cedemos!

e quando plantamos

Era uma vez uma menina que se chamava “Flexível”. Ela queria agradar todo mundo e se permitia fazer as mais diversas funções. Era amiga, parceira, companheira, conselheira, arrumadeira, mãe e profissional. No trabalho ajudava a todos, sem restrições.



Até que um dia percebeu que tinha perdido o seu lugar. Não preenchia mais nenhuma função, não era mais requisitada para uma tarefa específica.

Ela cedeu demais, abaixou demais e começou a colher os frutos na altura que ela plantou!

Às vezes, perdemos os limites das nossas concessões, quer seja por sermos naturalmente voluntários, quer por acharmos que a multiplicidade de funções vai nos tornar pessoas mais solicitadas.


A verdade é que as pessoas não valorizam uma pessoa assim. Eles usam uma pessoa assim! Você vai ser usada, utilizada, requisitada, até o dia que em perceber que o seu valor não está do tamanho da sua capacidade, e, sim, no formato que as pessoas precisam.

É preciso tomar cuidado, pois, às vezes, você se abaixa tanto… tanto, que se torna imperceptível e acaba, como consequência, só comendo frutas rasteiras.

Quando isso acontece na sua vida e você está numa relação particular, como com um amigo, por exemplo, às vezes uma boa conversa e uma mudança de postura, pode fazer as coisas voltarem ao normal.

Mas… e quando você está num relacionamento amoroso? Algumas vezes nem adianta tentar consertar, pois tudo que você falar vai parecer um drama, as flores que você deixou de ganhar, só virão por reivindicação, as surpresas serão premeditadas, pois você, com o seu comportamento de “aceitar tudo”, compreender tudo, colaborar com tudo, tornou a ausência dessas coisas… uma coisa normal!


É preciso um recomeço para que você mostre que é feita de “carne e osso” e também sente calor, frio, cansaço, o barulho incomoda, acha a música chata, não gosta muito daquele amigo, não quer ir para aquele lugar etc.

Dessa maneira, você poderá conseguir, de novo, preencher o seu espaço e não viverá somente preenchendo os espaços vazios do outro.

Mas e quando essa situação se desenvolve num ambiente de trabalho? Como consertar essa relação profissional, tendo em vista que você já mostrou o seu lado “superpolivalente e superproativo”? Às vezes, é irreversível e você precisará aprender com as experiências para recomeçar em outro lugar! É preciso muita maturidade por parte dos gestores para que compreendam o seu ponto de vista e aceitem a sua mudança de postura. O comum é qualificar a sua nova atitude como  desmotivada e questionadora e, a depender do ambiente de trabalho, uma conversa nesse teor poderá piorar a situação, tornando o seu relacionamento com os colegas desagradável, pois você sairá da posição de boazinha(o) para a posição de arrogante.

Não há outra alternativa, a não ser se reerguer de novo e voltar a ficar do seu tamanho. Do tamanho do seu merecimento!


É preciso não ter medo de dizer não. Acreditar que tudo tem um limite, que a proatividade e a polivalência não podem ser confundidas com exploração. Na realidade, ninguém poderá dar esses limites por você, a não ser você próprio. Não espere do outro uma atitude que tem que partir de você.  Só calçando os seus sapatos para saber o que o incomoda. Portanto, diga não, valorize-se, limite o seu campo de atuação e se isso não bastar para alguém, certamente essa experiência também não é bastante para você.


Direitos autorais da imagem de capa: wallhere.com/pt/wallpaper/1174814


Ela é a minha companheira. Ele é meu companheiro

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