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E quem lhe disse que eu queria tempo?

Se eu fizer uma pergunta você me responde?


Quem lhe disse que eu queria tempo? Quem te disse que queria ir para longe? 

Confesso que meu mundo sempre foi um pouco distante, mas quem lhe disse que estava fechado para você? E depois com esse sorriso amarelo, tem a coragem de dizer: Eu vi que você precisava de tempo…

Como? Já revisou o seu exame de miopia, sobre esse seu ponto de vista equivocado? Na tentativa de salvar os restos desse naufrágio que se resumiu a nossa relação, eu apenas engoli seco tudo que ficou no ar sobre aquela antiga dúvida: Quem lhe disse que eu queria tempo?

E então, pouco tempo depois, você some novamente, pego-me pensando que, talvez, não lhe sirva de mais nada, nem de companhia em dias chuvosos, ou não tolere mais meu ritmo pacato ou ele não combine com a maré agitada por onde você surfa agora. Mas quem será que lhe falou que eu precisava de tempo, diacho? Deixa! Já não importa mais.


Sabe, eu não queria tempo, nunca quis. Eu queria ombro, cumplicidade, queria colo, tudo aquilo que nunca neguei. Pare e pense, será que algum dia que precisou, não tenha me visto?  Talvez no meu modo calado, ou apenas com o meu olhar, mas estava lá, não me arrependo, só estou aqui a recordar. E olha que antes disso tudo eu pensava: o que será que fez durar? Como chegamos até aqui? Será que era uma premonição de que tudo iria desabar, essas coisas de sexto sentido sabem como é, ou era só aquilo que não queria ver já dando seus sinais.

Eu pensei que fosse culpa desse modo “esquisito” de ser, não me pergunte o que é ser ”esquisito” eu sempre fui assim e não sei dizer; engraçado, porque estávamos “juntos”, você contava comigo e eu não contava com você, depois a “ esquisita” da história era eu.


Nós temos o dom de nos vitimizar em tudo que acontecesse, mas preste atenção, na maioria das vezes, a culpa não pertence a ninguém menos que nós: aquele mal-entendido que não se quis entender, aquele orgulho que falou mais alto que o perdão, o outro que se esqueceu de ouvir, a empatia jogada pelos ares.

E quando você vai perceber, os anos viram segundos, assim do nada, você já não conhece mais o outro, já não pensa mais em dividir aquele momento de felicidade, são dois estranhos enrolados no mesmo lençol.
Quando você cai na real se foi, assim do nada, ou tem que deixar partir, a dói mais que faz sorrir, mas se tivesse visto os sinais, veria que a relação caminhava em ré com a vida, veria que de alguma forma viramos mais invisíveis que a brisa. E então… tenho de ouvir: “oi sumida”, “a margarida apareceu” e outras expressões…

Já sumi há tanto tempo da sua vida, e agora que você percebeu? 

Você deduziu que eu queria tempo e me deu um tempo que não pedi, mas tudo que eu precisava era presença. E agora eu quero tempo, eu quero todo o tempo do mundo, eu, só,  e mais ninguém.

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Direitos autorais da imagem de capa: maurus / 123RF Imagens





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