E se a morte for apenas um ponto de vista?

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A morte não é diferente da vida. É um movimento da criação. Parte da existência e, portanto, da energia criativa. Se tal energia é ilimitada, a morte não pode ser o limite, mas, a tecla de ‘restart’. A oportunidade.

A morte, tal como a vida, não é facilmente compreendida. Acostumamos a relacionar a morte ao processo de envelhecimento e este ao adoecimento. A morte de um jovem é algo que nos choca porque confronta o paradigma de que se “morre só na velhice”.



Quando uma pessoa anciã falece a morte é aceita com certa naturalidade porque é entendida como um desdobramento da vida. Para a pessoa que lutou durante um longo tempo contra uma doença grave, a morte pode significar a erradicação do sofrimento assumindo o sentido de libertação.

A morte recai não somente sobre os idosos e doentes, mas, também sobre as crianças e jovens. Mas não estamos habituados a pensar dessa forma. Isso contradiz o sistema de crenças em que “funcionamos”. A constatação de que não temos toda a vida pela frente, e que pode não haver tempo para aqueles sonhos adiados recai como uma bomba. Quem disse que é impossível morrer jovem e saudável ou velho e saudável? Quem disse com o avanço da idade só podemos esperar adoecer e nosso corpo desmoronar? Quem disse que é impossível morrer com saúde independente da idade?

E se a morte for apenas um ponto de vista?


A morte não é diferente da vida. É um movimento da criação. Parte da existência e, portanto, da energia criativa. Se tal energia é ilimitada, a morte não pode ser o limite, mas, a tecla de ‘restart’. A oportunidade.

Foram criados muitos tabus sobre a morte. Na Antiga Roma, seu nome sequer poderia ser pronunciado a fim de não atrair sua atenção.

Não queremos morrer porque sentimos ter muitas coisas ainda a cumprir em nossa existência. Mesmo as pessoas sem qualquer senso de propósito têm esse sentimento, pois, apesar de suas mentes apegadas nas ilusões da realidade material, elas também vieram da Luz. Não queremos que os entes queridos morram porque sua Luz nos fará falta. A Luz do outro (mesmo aqueles que sequer conhecemos ou de quem não gostamos) sempre nos fortalece.


Os tabus criaram tanta dicotomia entre o que é vida e o que é morte que tornou muito difícil de entender o que tais coisas significam e o que de fato são.

Assim como gelo e vapor são água em manifestações diferentes, vida e morte são estados diferentes da energia criativa.

A vida não se sustenta sem que haja morte. Ela precisa ser impulsionada pela mudança, uma vez que nossa realidade se sujeita aos ciclos e, portanto, ao tempo.

Antes de “virar gente” cada um de nós venceu uma corrida de vida e morte, e depois o útero materno, a fim de sustentar a existência. Passamos pela Noite Escura da Alma antes transcender as fronteiras da luz misteriosa do dia. Um dia é preciso deixar morrer o filho para ser pai e mãe dos próprios filhos, e apodrecer o cordão umbilical para levantar a própria tenda.

A morte nos toca diariamente. É parte inseparável da vida, porque a vida é mudança. Ninguém nasce e permanece com as mesmas células. Nossos interesses e preferências nunca permanecessem os mesmos. Amores, memórias e sofrimentos…tudo será varrido pelo esquecimento que é a morte da lembrança. Afinal, até mesmo o passado precisa de renovação!

A casa de Escorpião simboliza a morte e a transformação. Quando o Sol entra nesse signo, celebramos a memória dos mortos e nos reconectamos a força das sombras, da noite, do desconhecido.

O mundo antigo se referia aos “da noite” como aqueles que conhecem os mistérios da vida, morte e renascimento, a exemplo das bruxas, curandeiras que com suas ervas, rezas e encantos, curavam os males do corpo e da alma.

Escorpião tem como regente clássico Marte, um planeta que brilha vermelho – o que lembra a principal estrela de sua constelação, Antares. Ligado ao fogo, Marte se revela em Escorpião como fluído que arde como sangue ou veneno. É um signo de magia, de transformação.

Quando o Sol está em Escorpião temos a oportunidade de refletir sobre os pontos que desejamos transformar e os aspectos que precisamos deixar morrer.

Onde estamos exercendo excessivo controle a ponto de coagular a fluidez da vida? Quais pontos de vista nos limitam? Quais julgamentos nos envenenam? Onde estamos mais reativos? E como isso afeta nossas possibilidades de escolha?

Alguém que teme a morte ou que rejeita a própria Sombra é um sujeito que jamais conhecerá a Luz, porque são partes de uma só unidade – e uma tem muito a revelar sobre a outra. Certa vez um cabalista disse que por trás de uma grande Luz há sempre uma grande Sombra. Por causa disso, não é possível evoluir senão através do erro. É preciso reconhecer o erro, aprender com ele e promover a correção. E esse é um ato profundamente transformador!

Quem nunca erra, nunca se reforma e também não melhora. Não emana mais Luz. Quem ama a vida e rejeita a morte nunca vive, porque a vida acontece quando a energia da mudança a toca.

Sem mudança o que existe é apenas sobrevivência – e isso não é viver!

Podemos ter muitas vidas e muitas mortes em uma mesma existência. E se tudo que pensamos ser a morte for apenas um ponto de vista?

E se você puder acolher a morte como a energia que trará a mudança que fará brotar a semente de uma nova realidade, muito melhor, para você e o mundo?

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Direitos autorais da imagem de capa: pressmaster / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 18/11/2017 às 3:15






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