É você quem escolhe o que merece ser priorizado, o que fica, o que já não faz mais sentido algum

A folha em branco

Gosto muito de uma frase do Mark Twain que diz assim: “Eu sofri muitas catástrofes na minha vida, a maioria nunca aconteceu”.



Engraçado (seria essa a palavra mesmo?) o quanto a nossa mente pode nos reerguer ou nos sabotar ao longo da jornada, principalmente quando, pouco atentos ou fragilizados em relação aos nossos próprios pensamentos e sentimentos, ao invés de somente deixarmos ir o que tiver que ir, agradecendo e seguindo em frente, batemos ponto na estação, pagamos pela passagem e embarcamos no trem. O destino? Qualquer lugar que não faça o menor sentido e que nos tire a nossa paz. E que, exatamente por isso, nos custará caro demais.

Demorei muito para entender o poder da mente (que mente!) e o simples fato de que nós não somos o que temos, pensamos e sentimos, mas, sim, o que fazemos com tudo isso. Eu posso me sentir pequena, incomodada, angustiada, acovardada, enervada, injustiçada, decepcionada ou seja lá como for diante de qualquer situação difícil que eu venha a enfrentar na minha vida, no entanto, a decisão de respeitar os meus sentimentos, agradecê-los, entendê-los e simplesmente deixá-los partir, sem que eu precise embarcar junto com eles nessa viagem, é o que vai me manter emocional e fisicamente saudável e conectada com o fluxo perfeito do Universo, numa equação de causa e efeito que nos mostra o tempo todo o quanto a vida é 10% do que nos acontece e 90% de como nós reagimos ao que nos acontece.

No fim das contas, é tudo uma escolha.

É você quem escolhe como vai doar a sua energia de criação. Que lobo vai alimentar no começo do dia, quais são as lutas pelas quais você daria a própria vida. E quais são aquelas que simplesmente não valem a noite mal dormida, a comida mal digerida, o estresse físico e emocional, a ruguinha de preocupação.


É você quem escolhe o que merece ser priorizado, o que entra, o que fica, o que sai, o que já não faz mais sentido algum.

É você quem escolhe como vai começar o seu dia, com que risos vai sorrir (o da aparência ou o da essência?), como vai reagir diante das situações mais adversas, das pessoas mais irritantes, das dores mais doídas, das respostas mais confusas, das interrogações, dos silêncios, dos pontos finais, das vírgulas, das reticências… (e dos parênteses também).

É você quem escolhe como vai se acolher naqueles invernos mais severos. E de que forma vai reagir aos outonos da alma, quando todas as páginas de um passado que já não volta mais tiverem que ser viradas. E as folhas caírem. E o vento levar tudo embora. Ou mudar de repente de direção.

É você quem escolhe como vai florescer. E de que maneira vai cuidar das suas próprias flores, regar a própria grama, construir o próprio jardim.

– É para você – entrego para minha amiga uma folha em branco.


– E o que tenho que fazer com ela, Ana? – ela pergunta. Sem entender nada.

– Eu conto ou você conta?  – pergunto para a menininha de 4 anos sentada na mesa ao lado que, orgulhosa do seu desenho, vira pra minha amiga e diz:

– Eu fiz um papai, uma flor e um sol bem bonito, olha!

A minha amiga sorri de volta.

– A titia fez um barquinho para mim! – diz, enquanto mostra a dobradura que eu fiz pra ela, enquanto esperava essa mesma amiga chegar.

– Dá para fazer muita coisa com uma folha em branco, né? –  minha amiga diz, enquanto olha de canto de olho pra mim.

– Dá, sim – a menininha responde. Dá para fazer o que a gente quiser.

O que a gente quiser…

E então ela guarda os desenhos todos e, com a maior inocência do mundo, diz:

– Sabia que dá até para limpar o bumbum?

– Aí só não pode guardar a folha, né? – a mãe dela diz.

– Não pode, mamãe! Tem que agradecer a folhinha. Tchau, folhinha. Tem que deixar ir…

(Reticências para as suas próprias reflexões).


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: brillianata / 123RF Imagens

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