Comportamento

Educamos para máquinas e não para humanos!

EDUCAMOS PARA MÁQUINAS E NÃO PARA HUMANOS capa e dentro

Há dias a minha filha veio da escola de cariz baixo, algo raro nela. Perguntei-lhe o que se passava ao qual ela respondeu que o grupo de amigas anda todo nas aulas de hip hop e que no recreio não a deixavam entrar nas suas coreografias porque ela não andava.



Pensei que me fosse pedir para a inscrever no hip hop, algo que apoiaria tal como apoio as outras atividades onde ela está, mas não. Apenas disse-me que não compreendia como é que as colegas nem sequer a ajudavam ou ensinavam para que ela também fizesse parte das tais coreografias, pelo menos durante o tempo de recreio e assim brincavam todas juntas.

Levou-me a refletir na educação que damos aos nossos filhos e no ensino que lhes é dado nas escolas.

Ensinam-lhes equações matemáticas que de nada servem para o nosso dia-a-dia. Ensinam-lhes símbolos de química que decoram para os testes e mal acabam de os fazer já os eliminaram da memória.


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Ensinam-lhes a falarem não sei quantas línguas, mas nunca lhes ensinam que dizer “bom dia” quando entram, por exemplo, num elevador é mais importante. Ensinam-lhes a fazerem medições com réguas, mas não lhes ensinam a medir o respeito. Ensinam-lhes a escrever, mas nunca os incentivam a escrever uma carta de desculpa a alguém que possam ter magoado. Ensinam-lhes todos os desportos e mais alguns, mas nunca os ensinam a ajudar o colega que ainda não consegue fazer o pino.

Não ensinam a pensar, em dar amor, em dar atenção, em pedir perdão. Não ensinam a ser humanos, apenas máquinas que por aí habitam com rotinas estranhas, para ganharem dinheiro, e gastarem-no em tanta coisa inútil.

Ensinam-lhes que o caminho correto de evolução humana é terminarem a faculdade, irem para um emprego que nem gostam, a aturarem atitudes de chefes e patrões mal formados e educados, receberem dinheiro ao final do mês, quanto mais melhor, para pagarem a casa, o carro (para mostrarem aos “amigos” como têm status), as despesas inerentes a estes, a roupa cara das melhores grifes do mercado, e comerem mal, muito mal mesmo. Comprarem comida congelada para não terem trabalho e tempo a prepará-la e também assim escusam de se preocuparem em saber cozinhar, em saberem os alimentos da época, os ingredientes que fazem bem à nossa saúde, os alimentos que precisamos nas diferentes mudanças físicas pelas quais passamos.


Não vejo as boas ações a serem avaliadas, o respeito pelos colegas, a compaixão, a entreajuda, a compreensão.

“Ensinam-lhes” a reparar na roupa que o colega do lado traz, mas não os ensinam a reparar se a expressão deste está triste ou feliz. Ensinam-lhes a apontar o dedo, mas não os ensinam a disponibilizarem-se para ajudar o outro. Ensinam-lhes a “não mostrar fraqueza”, mas isso não faz de deles fortes.

E é nisto que vivemos, nos ensinamentos de matérias que mais de metade não utilizamos na nossa vida prática, nos ensinamentos materiais, mas nunca nos sentimentais. E esta é a razão pela qual sabemos o preço das coisas, mas não o valor delas. É por isso que magoamos com mais facilidade do que amamos ou pedimos perdão. É por isto que ofendemos mais depressa do que dizemos um “gosto de ti”. É por isto que nos custa demonstrar carinho, mas não temos qualquer problema em levantar a voz.

E para quando é que pais e professores ensinam a amarmos? E quando é que nos dizem que esta é a “coisa” mais importante das nossas vidas?


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