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Ei, deixa-me falar de paixão…

Sorte mesmo é quando esse negócio tempestuoso que queima a pele – e o resto todo, ganha a serenidade de virar um amor bonito (sem nunca deixar de ser paixão).

A paixão queima feito fogo. Arde, faz bolha e depois explode tudo. Paixão é mais ou menos como pular de bungee jump, aquela adrenalina que acelera o peito, dá um medo danado até que a gente se dá conta de que basta um empurrão para cair em queda em livre.



Eu nunca pulei de bungee jump, mas acho que deve ser parecido. Você leva um tempo para achar a forma exata de saltar, se ajeita, se prepara, diz que não vai se entregar à loucura de querer voar sem asas e dá dois passos para trás.

Mas a loucura toda chama a gente, convoca, convida, intima mesmo. É só questão de tempo até darmos o impulso em direção ao desconhecido. A única diferença entre os dois é que a paixão continua. Bom, pelo menos deveria ser assim.

Apaixonar-se é ganhar um banho de entusiasmo. É um SPA natural que exalta a beleza dos enamorados, devolve brilho ao que se apagou com o tempo. A paixão nos transforma em algo muito maior do que somos. A paixão é nobre.


Mas não é só isso. A paixão é lençol limpinho, é vela na mesa, no chão, na pele. É beijo doce, salgado, demorado, molhado. É luxo, é banheira, é um convite para uma valsa regada ao bom e velho rock and roll.

A paixão é a noite da sexta-feira com um pedacinho da manhã de sábado. É café puro que se toma num gole só. E nunca, mas nunca causa indigestão. Ahhhhh, e as borboletas que sobrevoam as paredes do estômago?

E o frio na barriga enquanto esperamos a paixão dobrar a esquina? E a tremedeira na voz, no corpo, no encontro e na despedida? A paixão é mesmo uma viagem sem data para um destino qualquer.

Acho que a paixão não exige destino, apenas o trajeto para se chegar ao topo do mundo, que pode ser em qualquer canto do país ou da sua casa. O bom da paixão não é exatamente o que ela causa, mas as possibilidades que ela oferece.


A paixão pode nos levar ao êxtase em um piscar de olhos, em um toque despretensioso. Ah, que mentira! Nada na paixão é despretensioso, pois a própria paixão não é simples. A paixão não é simples, amigos, ela é combustão.

O fato é que toda paixão deixa marca na gente, pode até ser dolorida, mas deixa. Um cheiro, uma comida especial, uma fotografia, o primeiro encontro, a primeira revoada, o primeiro pulsar dos corpos na arte de se fazer um só.

No fundo, ou no raso, toda paixão tem um pouco de sorte, mas nem toda paixão dá sorte. Achou difícil? Talvez seja, mas não precisa levar tão ao pé da letra, pois essa é uma filosofia minha (absolutamente nenhuma comprovação científica nisso – só experimental).

Sorte mesmo é quando esse negócio tempestuoso que queima a pele – e o resto todo, ganha a serenidade de virar um amor bonito (sem nunca deixar de ser paixão).

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