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Ela espera 1.445 dias em um orfanato, então a professora do ensino fundamental decide adotá-la como filha

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Loralie passou metade de sua vida esperando para ser adotada, e felizmente conseguiu uma nova família aos 9 anos, na data em que os Estados Unidos celebram o Dia da Adoção.

A adoção é um processo que garante a união de crianças que precisam de um lar com famílias que desejam filhos, mas que, por alguma razão, não conceberam de maneira biológica. Garantir que elas tenham uma fonte de amor, que consigam desfrutar dos benefícios familiares, além de retomar o acesso aos espaços públicos mostram a quantidade de pontos positivos que encontramos quando mencionamos o termo “adoção”.

Mas, no Brasil, adotar uma criança não era um processo regulamentado pelo Judiciário até o século XX, o que implicava em uma série de perdas de benefícios, como herança, além da paternidade e maternidade em si. A adoção era destinada aos casais que não conseguiam ter filhos biológicos, de preferência ricos, ou mesmo os que eram homossexuais, mas que, para não levantar suspeitas, criavam uma criança fingindo que era filha biológica.

A maioria das crianças eram colocados nas “Rodas dos Expostos”, uma roda de madeira que ficava presa a muros ou janelas de conventos e Santas Casas de Misericórdia espalhadas pelo país. Era uma espécie de dispositivo que permitia às famílias colocarem de recém-nascidos a crianças de até 7 anos, e quando giravam a roda, elas eram conduzidas para dentro das instituições, sem que a origem fosse descoberta.

No país, a última “Roda” foi fechada em 1950, mas a prática foi retomada recentemente em alguns países da Europa. Dessa forma, se algum casal desejasse um filho adotivo, bastava ir a um convento ou unidade da Santa Casa da Misericórdia. Mas isso, além de deixar inúmeros bebês em situação de vulnerabilidade, também não lhes garantia nenhum tipo de conforto, já que não tinham direito à herança das famílias adotivas, por exemplo.

Em 1916, o Código Civil Brasileiro, na Lei nº 3.071, Capítulo V, determinava que apenas pessoas acima de 50 anos poderiam adotar. O adotante precisava ser, no mínimo, 18 anos mais velho e não poderia ter filhos biológicos. Em caso de matrimônio, ficava estabelecido que o casal só poderia adotar depois de terem passado cinco anos de casamento.

Foi apenas com a Constituição Federal de 1988 que os filhos passaram a ter igualdade, adotivos ou biológicos. Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fez importantes contribuições para o cenário das crianças, diminuindo o número de empecilhos à adoção. A idade mínima do adotante foi reduzida para 21 anos e não existe mais nenhuma vinculação ao estado civil, regulamentação de adoção póstuma e internacional, entre outras questões.

A regulamentação das leis faz com que os adultos se sintam mais motivados e influenciados a adotar, já que as garantias são altas e as crianças passam a ter todos os benefícios de um filho biológico. No país, hoje são 29.527 crianças em casas de acolhimento e 4.135 disponíveis para adoção, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, mas no mundo inteiro, a realidade é a mesma.

No último dia 22, os Estados Unidos comemoraram a data nacional da adoção e, de acordo com informações da ABC7, 165 crianças foram adotadas no condado de Los Angeles, na ocasião. Muitas famílias aumentaram, proporcionando melhor qualidade de vida para quem estava apenas aguardando o momento em que sairia do abrigo para finalmente receber o amor de pai e mãe.

A pequena Loralie, de 9 anos, que passou 1.445 dias no sistema de adoção temporária, era uma dessas crianças. Desde os 4 anos ela mudava de casa com frequência, esperando o dia em que uma família finalmente a adotaria definitivamente. Imagine passar metade de sua vida esperando o dia em que poderá finalmente conhecer o amor?

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Direitos autorais: reprodução/ ABC7

A responsável por tornar a vida de Loralie melhor foi Zoe Henry, sua professora da segunda série. Ela conta que, desde que a viu entrando na sala de aula pela primeira vez, sabia que deveria ser sua filha, e ficaram apenas aguardando o melhor momento para tornar esse sonho uma realidade.

Na entrevista, Zoe explica que a menina completa sua família e sua vida, trazendo aventuras, alegrias, diversão e coragem em tudo o que fazem, e que isso é realmente perfeito. Pedindo que a menina não se emocionasse, enquanto ela mesmo segurava as lágrimas, a nova mãe conseguiu concretizar o processo de maneira virtual, por conta da pandemia. Este será o primeiro ano em que a família Henry vai comemorar as festas de fim de ano se sentindo completa, sem que absolutamente nada lhe falte.

A realidade norte-americana não é tão diferente da brasileira, talvez mostrando algum tipo de complexidade no fato de ter muito mais crianças em casas de acolhimento. O Departamento de Crianças e Serviços à Família do Condado de Los Angeles revela que tem mais de 32 mil crianças sob seus cuidados, um número muito próximo do total de crianças em casas de acolhimento no Brasil inteiro.

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