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Vinte anos sem Chico Xavier: o médium filho de analfabetos que continua sendo um fenômeno

Foto: Divulgação
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Há duas décadas, quando o Brasil se consagrava pentacampeão na Copa do Mundo de 2002, o país perdeu o maior médium do país.

O filho de um vendedor de bilhetes de loteria e de uma lavadeira, ambos analfabetos, acabou se tornando um dos maiores fenômenos do país, escrevendo mais de 10 mil cartas psicografadas e mais de 450 livros em vida, vendendo mais de 50 milhões de exemplares. Chico Xavier atribuía sua escrita aos espíritos, e mesmo 20 anos depois de sua morte, segue tendo livros póstumos lançados, alcançando quase 100.

De acordo com reportagem do jornal Extra, a média de livros lançados depois da morte do médium segue sendo a mesma de quando estava vivo, cerca de cinco a seis livros por ano. “Cândida missão”, lançado em março, é o livro número 537, e o presidente da Casa de Chico Xavier, Geraldo Lemos Neto, explica que ele deixou um vasto material ainda não publicado.

O médium Carlos Baccelli, parceiro de Chico na autoria de múltiplos livros, conta que esse material impulsiona a produção de material póstumo. Com a quantidade de lançamentos de sua autoria, somados à impactante relevância que ele também tem no nicho cinematográfico e artístico, ele segue sendo considerado um fenômeno, e muitos vídeos em que aparece psicografando ganham visualizações em larga escala.

Com uma vida trabalhada não apenas na mediunidade, mas também nos fenômenos inexplicáveis, até mesmo em sua morte acabou cumprindo uma “profecia”. Chico Xavier anunciou que deixaria o mundo material em um dia de muita alegria para a população, assim seria possível sentir menos tristeza em sua morte. No dia 30 de junho de 2002, data em que o Brasil conquistou o pentacampeonato na Copa do Mundo, o médium faleceu.

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Direitos Autorais: Reprodução

História

Francisco Cândido Xavier nasceu em 1910, em Pedro Leopoldo, interior de Minas Gerais, e conquistou destaque quando publicou seu primeiro livro, mas sempre garantiu que eventos mediúnicos ocorriam em sua vida desde muito pequeno. Em 1932, enquanto trabalhava 12h por dia como vendedor em um armazém, lançou a antologia “Parnaso de Além-Túmulo”, 60 poemas assinados por nove poetas brasileiros, quatro portugueses e um anônimo.

Considerado “matuto” e até mesmo uma fraude, poucos acreditavam que aquele jovem do interior do país tinha a capacidade de assinar por poetas e escritores já falecidos como Castro Alves e Augusto do Anjos. Escritores da Academia Brasileira de Letras se impressionaram com a proximidade de estilos e versatilidade na escrita de Chico, e muitos foram atrás dele, senão para desmascará-lo, para entender como tudo acontecia.

Aos poucos o médium foi se tornando conhecido, e passou a trabalhar como escrevente-datilógrafo em uma fazenda modelo ligada ao Ministério da Agricultura, e isso tornou a escrita ainda mais presente em sua vida. Na década de 1980, o dinheiro arrecadado por meio de suas obras já havia sido suficiente para fundar ou auxiliar 2 mil entidades de caridade em todo o país. Para a doutrina espírita, a caridade é um princípio fundamental.

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Infância

Muitos se perguntam se Chico Xavier já conversava com entidades na infância, e de acordo com reportagem da BBC, familiares próximos relatam que um ano antes de perder a mãe, aos quatro anos de idade, ele já conversava com espíritos. Depois que a matriarca faleceu, ele passou a ter conversas diárias com o suposto espírito dela, o que causava estranheza nos familiares.

Criado por uma madrinha abusiva, Chico encontrava em um padre católico de sua cidade a figura de um conselheiro, que se tornou peça fundamental para que ele não fosse internado como louco. Aos 17 anos conheceu a doutrina espírita kardecista, e os livros começaram a fazer com que seu legado fosse sistematizado.