Elefantes “abraçam” mulher que os criou, num gesto emocionante de gratidão

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Na África, Daphne Sheldrick criou um santuário para filhotes de elefantes que ficaram órfãos; suas mães foram mortas por caçadores de marfim.



Seu jeito dócil, apesar do tamanho, peso e força sobre-humanos, fez dos elefantes alvos fáceis de caçadores ao longo da história da África. Todos os anos, centenas desses animais são mortos para extração de marfim, substância que compõe suas gigantescas presas. O material é serrado e vendido de forma ilegal, em sua maioria, para colecionadores.

Não há fiscalização dessa prática, já que os caçadores agem à noite. E, como se não bastasse a atrocidade dos ataques a essas belas criaturas, que por sinal estão ameaçadas de extinção, outro fator relacionado à caça dos elefantes é ainda mais dramático.

Com a morte dos elefantes, muitos filhotes da espécie ficam sozinhos, suscetíveis à morte, seja por fome ou por outros predadores.


Compadecida dessa situação, uma mulher há anos cuida desses pequenos em um tipo de santuário localizado em pleno coração da África.

A doutora Dame Daphne Sheldrick cria os filhotes de elefante desde o fim dos anos 1970, no David Sheldrick Wildlife Trust, cujo nome é em homenagem ao seu marido. Ele começou o trabalho ao seu lado, mas alguns anos depois (1977), faleceu.

A partir de então, Sheldrick decidiu manter sozinha o legado construído ao lado do seu amado. Na instituição, são acolhidos elefantes feridos, que foram explorados em fazendas ou mesmo os encontrados sozinhos, no safári, depois de suas mães serem mortas por caçadores de marfim.

O espaço tem condições idênticas às da selva. Campos amplos, lagoas, muito alimento e, claro, a atenção especial da criadora do lugar. Sheldrick faz questão de acompanhar o crescimento e a evolução física de cada um dos animais.


Tanto carinho fica claro em uma série de imagens que mostram a interação da idosa com os animais. Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que eles evoluíram junto dela. As fotos mostram a mulher, desde a época das fotos em preto e branco, acariciando e brincando com os elefantinhos.

No retrato mais surpreendente da série de fotografias, é possível ver os animais enfileirados enquanto ela abraça um deles. Os outros parecem entender e continuam ali, só esperando a sua vez, como se quisessem agradecer à mulher que dedicou a vida à preservação dessa espécie tão rara e impressionante. É de se emocionar com tanto carinho e solidariedade.

No centro de reabilitação, cada animal tem um cuidador, que foi a maneira encontrada para aumentar a confiança e a adaptação dos bichos. Todos os dias, os pequenos recebem uma camada de protetor solar na pele, para evitar queimaduras do sol.

Depois de 28 anos de pesquisa, Sheldrick também desenvolveu uma fórmula de leite que é tão saborosa e rica em nutrientes quanto o leite de uma mãe elefante. Até a criação do suplemento, era praticamente impossível manter os filhotes em cativeiro com saúde semelhante à que teriam, se estivessem sendo amamentados pelas mães.

O objetivo é que os filhotes se recuperem dos traumas físicos e psicológicos, e cresçam saudáveis, assim poderão ser soltos na natureza, prontos para constituir novas manadas e elevar o índice da espécie na selva.

No local, há até rinocerontes, outra espécie muito procurada para extração do marfim contido em seus chifres.

Antes de serem soltos, no entanto, os animais são levados para um centro de realocação, no Parque Nacional Tsavo, para que o retorno ao seu habitat seja o menos traumático possível. A cada partida, Sheldrick sente um aperto do peito, mas a satisfação de ver os animais livres é ainda maior.

Ela também garante que a memória e o senso de família dos elefantinhos são idênticos aos dos seres humanos, com a diferença de que eles doam toda essa paz sem querer nada em troca, apenas por instinto.

Atualmente, o David Sheldrick Wildlife Trust depende de doações e segue firme em seu propósito de reabilitar filhotes de elefantes, mesmo sem a sua colaboradora mais ilustre, desde 2018. Daphne Sheldrick morreu de câncer, aos 83 anos, mas deixou um legado de solidariedade e luta, depois de salvar mais de 230 elefantes.

Confira o vídeo que mostra um pouco da trajetória de Sheldrick em seu instituto.

Linda esta história de amor pelos animais, não é mesmo?

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos. Direitos autorais da imagem de capa: arquivo pessoal.

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