Comportamento

Em um país dominado pela estupidez, mendigo vira rei

Foto: Reprodução instagram
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Givaldo Alves foi flagrado em um apartamento em bairro nobre do Rio de Janeiro, andando em carro de luxo, além de ser frequentemente procurado por anônimos e famosos.

As subcelebridades possuem um espaço cativo no coração do público brasileiro, que tem o poder para colocá-las em um patamar mais elevado, ou deixá-las cair no esquecimento. Mas entre uma ponta e outra, existe um longo caminho, e esses artistas podem passar um bom período de tempo desfrutando nas benesses de serem minimamente conhecidos.

Socialites, ex-participantes de reality shows (que agora contam com a novidade de tentar reacender carreiras artísticas que já estavam enterradas), pessoas que protagonizaram vídeos virais ou até mesmo artistas de uma obra só, a lista das subcelebridades brasileiras é extensa, e a cada dia, com a popularização e intensificação do uso das redes sociais, vemos aumentar.

Antes vivendo em situação de rua, Givaldo Alves, de 48 anos, foi uma das pessoas que viu sua vida mudar completamente depois que manteve relações íntimas com a esposa de um personal trainer e acabou sendo espancado por ele. A história beirava a bizarrice, e Sandra Mara, de 33 anos, levou o homem desconhecido até um local ermo, dentro de seu próprio carro, até que Eduardo Alves, de 31 anos, encontrou os dois, e teve uma reação violenta contra o homem anônimo.

Câmeras de segurança acabaram fazendo com que o caso caísse na mídia, sendo noticiado pela primeira vez pelo jornal Metrópoles, seguido pelos demais grandes portais brasileiros. A partir daí, inacreditavelmente, um segmento da população passou a considerar Givaldo um “herói” por ter mantido relações sexuais com uma mulher que, momentos antes, estava pregando na rua para os fiéis, em um ato de caridade da igreja evangélica, ao lado da própria sogra.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @eduardoalvestrainer

Depois das primeiras informações, Givaldo passou a dar entrevistas aos portais, fazendo de sua agressão uma porta de entrada para uma fama subsequente. Sandra ficou internada, e o marido passou a suspeitar que ela tivesse passado por alguma espécie de surto psicótico. O homem em situação de rua deu detalhes sobre a relação íntima que manteve com a comerciante, atiçando ainda mais a curiosidade do público que queria colocá-lo em um pedestal.

O jornal O Globo compartilhou o laudo da equipe médica do Hospital Universitário de Brasília, que indicava que Sandra passou por um “transtorno afetivo bipolar em fase maníaca psicótica”, e que desde que tinha sido internada, apresentou “delírios grandiosos e de temática religiosa”. Recentemente, ela usou as redes sociais para explicar que viu o próprio marido durante o ocorrido.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @sandrinhamarafernandes

O caso acabou ganhando uma repercussão nunca antes vista, e Givaldo, que segue sendo investigado como suspeito por estupro de vulnerável, se tornou uma subcelebridade, tendo curtido momentos de boemia em apartamentos de classe alta e carros de luxo. Durante o Carnaval do Rio de Janeiro, ele inclusive foi cumprimentado por famosos e anônimos, como se fosse um ídolo da atualidade.

Mas, a pergunta que fica é: ídolo de quem? Ou melhor, ídolo de que? Qual foi, afinal o grande feito de Givaldo para que ele alcançasse essa posição no tecido social? A idolatria que acompanha o ex-morador de rua se sustenta em comportamentos abusivos e sexistas, que em grande parte tratam a mulher como um objeto pronto para o deleite masculino.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @givaldoalves_brasil

Givaldo já tentou beijar uma mulher à força em público, ganhou o apelido de “mendigo pegador” e ainda conquistou espaço na elite brasileira, frequentando festas, eventos e sendo tratado como um artista importante. Sempre que demonstra algum comportamento considerado “de macho”, o público imediatamente o aplaude, como no vídeo abaixo:

Muitos esperam que Givaldo Alves caia rapidamente no esquecimento, fazendo com que as pessoas que o idolatravam sintam vergonha de seu próprio comportamento, ou ao menos se questionem sobre quem escolhem idolatrar. Nem sempre é fácil admirar alguém, mas que, ao menos, essa pessoa seja reconhecida pelo seu caráter e bom comportamento. Porque, da forma como está, podemos dizer que em um país dominado pela estupidez, se torne quase compreensivo a fama do ex-morador de rua.