Pessoas inspiradoras

Empresária subestimada por ser mulher e negra supera preconceitos e fatura milhões

Primeira empresária da família, Priscila foi adotada e viveu na roça, mas saiu da casa dos pais para abrir uma empresa de reboque, que se tornaria a mais importante do Rio de Janeiro!



As mulheres vêm ganhando espaço no mundo. Se antes elas não podiam sair de casa sem a permissão do homem da família, não podiam receber educação formal, nem sequer podiam ajudar a eleger os representantes políticos do país, hoje elas lutam para se inserir cada vez mais nos espaços públicos e privados.

A porcentagem de mulheres com ensino superior é maior do que a dos homens, elas compõem a maior parte de pessoas que fazem faculdade no Brasil. Segundo o Censo de Educação Superior do país, as mulheres representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de graduação e têm 34% de chances a mais de se formar do que os homens.

Essa luta em busca de conquistas não se limita aos espaços considerados “femininos”, cada vez mais as mulheres se inserem também nos espaços socialmente atribuídos aos homens.


Atualmente, é comum nos depararmos com mulheres que trabalham em borracharias, em mecânicas de carros, em estoques de fábricas… Não existe lugar que elas não sejam capazes de entrar e se destacar.

Priscila Santos, de 36 anos, é uma dessas mulheres. Negra, adotada na infância, segundo o UOL, ela se tornou a primeira empresária da família ao criar a Rebocar, uma empresa que atua no segmento de reboque e administração de veículos. Criada em 2008, hoje a empresa é a maior no estado do Rio de Janeiro e está entre as principais do Espírito Santo. O faturamento da Rebocar, em 2020, foi de R$ 9 milhões, mais que o dobro do ano anterior, e ela tem planos de aumentar esse valor em 45% em 2021.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@priscilasantos.

Mas quem conhece a história de sucesso Priscila não imagina a quantidade de provações que ela precisou passar! A empresária conta que com ela não existe tempo ruim, inclusive já dirigiu muito reboque, quando precisava, levando até os filhos junto para realizar os serviços. Mesmo que os clientes estranhassem uma mulher rebocando os seus veículos, Priscila explica que ela sempre atendeu a todos.

Entre os principais problemas que precisou enfrentar, fazer negócios era um dos piores. Ela revela que já chegou a ficar sozinha na sala, porque os homens se levantavam e iam embora ao perceber que tratariam com uma mulher. Eles afirmavam que mulher não sabe negociar, não entende do ramo de reboque e que fala demais, tudo para colocá-la numa posição de inferioridade em relação aos demais.


Outro momento que abalou os negócios e sua vida pessoal foi o fim do casamento. Priscila conta que abriu a empresa em sociedade com o ex-marido, com quem havia se casado aos 18 anos e tem dois filhos. Eles se mudaram para Guarapari, no Espírito Santo e, por insistência dela, compraram dois caminhões de reboque que a esposa de um amigo tinha herdado. Priscila buscou compreender o mercado, por isso procurou seguradoras e fez parcerias antes de se consolidar.

No momento em que ela acreditava estar no ápice profissional, descobriu que seu marido a havia traído. A sociedade e o casamento ruíram imediatamente. Priscila acreditava que tinha um relacionamento perfeito, com uma empresa de sucesso, dois filhos, imaginava que tudo estava estável, mas se enganou.

Logo começaram as disputas judiciais. Inicialmente, eles dividiram os negócios ao meio, ficando cada um com a administração do negócio numa das cidades em que eles estavam atuando. Mas logo alguns conflitos maiores começaram e, por ordem judicial, ela precisou se afastar da Rebocar. Priscila chegou a vender seu carro e suas joias para conseguir pagar um advogado e recuperar a empresa e, quando o conseguiu, descobriu que ela estava afundada em dívidas.


Mas isso também não foi capaz de parar essa mulher! Aos poucos, conseguiu organizar as finanças e começar sua trajetória rumo ao topo. Durante esse período, Priscila afirma que sofreu muito assédio de homens que a pressionavam para sair com ela. Como atuava apenas em Guarapari e ainda não tinha muita ambição de conquistar mais, resolveu se mudar para Vitória (ES). Com pouco dinheiro e sem nenhum reboque, ela precisou fazer assistência para seguradoras.

Uma seguradora para a qual prestava serviço ofereceu uma oportunidade para atuar no Rio de Janeiro. Foi quando ela deixou os dois filhos, por um ano, com o ex-marido e se mudou.

A solidão em uma grande cidade e as dificuldades por que passou quase a fizeram desistir.

Priscila explica que os homens não facilitaram, eles queriam se relacionar com ela em troca de apoiar a empresa. Constantemente, diminuíram suas conquistas, dando sempre a entender que ela sozinha nunca seria capaz de ter uma empresa desse ramo.


Direitos autorais: reprodução Instagram/@priscilasantos.

Priscila conseguiu, com todo seu esforço, consolidar-se no ramo. Ela conta que as pessoas que a diminuíram no passado já compreenderam que ela entende dos negócios e se desculparam. Em 2020, a Rebocar chegou a fazer quase 30 mil atendimentos on-line e presenciais. Entre seus clientes, há pessoas que tiveram o automóvel apreendido, roubado ou furtado, pessoas que buscam informações sobre leilões.

Com 150 funcionários, mais de 50 caminhões-guincho, a empresa ainda realiza de dois a quatro leilões de veículos por mês.

Hoje em dia, Priscila compartilha mensagens motivacionais para outras mulheres que a seguem e acompanham sua história. Ela acredita que todas as pessoas têm uma missão, e que a sua é ajudar os outros. Ela busca oferecer conhecimento e oportunidades, pois já foi muito desacreditada ao longo da vida, compreendendo o que essas mulheres passam.

Priscila afirma que, no início, ela não se sentia segura e que as críticas lhe causavam sofrimento excessivo, mas ela percebeu que não precisava provar nada a ninguém. A empresária acredita que o mercado esteja aberto a todos e que as mulheres, cada vez mais, vêm demonstrando seu valor e sua força, sendo excelentes profissionais.

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