Empresário se muda para RR e ajuda imigrantes venezuelanos que chegam ao Brasil: ‘Todo dia é uma lição’



A atitude de um empresário brasileiro de renome mundial ganhou notoriedade recentemente. Carlos Wizard Martins, presidente do grupo Sforza, que possui mais de 20 empresas, entre elas Pizza Hutt, Wise Up, Mundo Verde, Taco Bell e KFC, e ex dono do grupo Multi, que incluía as escolas de inglês Wizard e a rede profissionalizante Microlins, mostra que o sucessos vai muito além de uma vida confortável e uma carteira cheia, e que algumas das coisas mais valiosas da vida são aquelas que fazemos por amor, não por dinheiro.  

O empresário bilionário de 62 anos e missionário mórmon da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias faz parte de uma grande projeto que está ajudando venezuelanos recém-chegados à Boa Vista (RR). Essa missão lhe foi designada pela Igreja e há 9 meses ele cumpre sua função com muita dedicação e amor, aprendendo com todas as pessoas que passam por sua vida diariamente.

A principal função de Carlos é integrar esses venezuelanos na sociedade e, junto com a sua equipe, ele cuida do transporte dessas pessoas a outros estados, onde serão recebidas e posteriormente encaminhadas a oportunidades de emprego, com o apoio da comunidade da Igreja, para que possam recomeçar suas vidas no Brasil.

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“Minha rotina é simples. Nós recebemos as famílias, cadastramos, identificamos pessoas em outras partes do país que possam acolhê-las, trabalhamos com as empresas aéreas e acompanhamos essas famílias até o aeroporto. Enquanto a família não chega lá no seu destino, a gente se preocupa com ela”, conta o empresário.

Ele conta que muitas das pessoas que foram ajudadas pela iniciativa já conseguiram empregos em diversas áreas. Muitos hoje são professores de espanhol técnico em refrigeração, marceneiro e mecânico; outros trabalham nas próprias empresas de Carlos.

“Não queremos enviar alguém para ficar dependente. Todo nosso trabalho está baseado na autossuficiência. Nós queremos dar condições para as pessoas caminharem com suas próprias pernas”, diz.

Os reflexos das ações de Carlos

Coronel Carvalhes, chefe da Interiorização da Força Tarefa Logística Humanitária, que executa a operação Acolhida, criada em 2018 para administrar o grande fluxo de imigrantes venezuelanos em Roraima, e da qual o grupo de Carlos Wizard faz parte, relata que o trabalho de interiorização realizado pelo grupo é fundamental para que Roraima possa lidar com os cerca de 500 imigrantes que chegam todos os dias pela fronteira.

“Se a interiorização não anda, é colapso para Roraima. Isso vai se refletir nos atendimentos de saúde, nas escolas públicas, numa série de serviços públicos que o estado não tem preparo para absorver. Nós temos que diluir esses imigrantes pelo Brasil e não mantê-los concentrados aqui como estão hoje. E a forma de fazer isso é com a interiorização”, contou Carvalhes. “Sem o trabalho do Carlos Wizard, a operação Acolhida sofreria um baque, porque ele está encabeçando um movimento da sociedade civil que é único.”


Como o projeto está transformando sua vida

Até agora, Carlos e seu grupo já levaram mais de 2.000 imigrantes a novos estados, onde foram recebidos por pessoas dispostas a ajudá-los a recomeçarem e encontrarem novamente a esperança e alegria.

O empresário conta que aprende diariamente com essas pessoas. Suas histórias de vida e até mesmo suas atitudes mais simples provocam uma profunda reflexão sobre os seus valores, e aquilo que mais valoriza na vida, e o inspiram a trabalhar para ser alguém melhor.

“Todo dia é uma lição, especialmente de humildade. Às vezes, vou o aeroporto, eles pedem para a família colocar a bagagem na balança e colocam um saco plástico com 5 kg de peso. É uma vida toda dentro de um saco plástico, e a gente tem tanto. Uma vez minha esposa preparou um lanchinho para um passageiro e tinha uma maçã. A pessoa se emocionou ao ver a maçã e contou que há três anos não sabia o que era comer uma maçã. Você pode comer uma, duas, uma caixa de maçã, mas para um refugiado comer uma maçã tem um significado diferente.”

Carlos ainda conta que uma história em especial tocou o seu coração:

“Cada dia é uma história diferente. Tem uma que me marcou muito. Um imigrante de 40 anos chegou aqui com uma menininha de colo, de pouco mais de um ano. Ele perdeu a esposa atropelada na Venezuela e veio com a criança. O detalhe é que ele é deficiente visual. Você imagina ser uma pessoa cega, sem visão, carregando uma criancinha no colo? Ele foi, então, para um abrigo aqui, e o maior medo dele era que alguém levasse a menina embora. Minha esposa, quando soube, perguntou se ele não queria que a filha fosse adotada, e ele disse que já havia perdido a esposa, que a neném era tudo o que ele tinha e iria criá-la. Minha esposa conseguiu contato de uma instituição na cidade de Jataí [GO], que tem como fundador um deficiente visual que acolhe essas pessoas. Eles concordaram em recebê-los e, para nossa maior satisfação e ao mesmo tempo emoção, descobrimos que a instituição ficava a uma quadra da Igreja de Jesus Cristo lá na cidade.”



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Ele acredita que assim como é tocado diariamente por essas pessoas, todos nós podemos ser, e que se todos fizerem a própria parte, por menor que seja, conseguiremos mudar a realidade dessas pessoas que chegam em nosso país completamente perdidas, em busca de empatia e oportunidades.

“Nós somos 200 milhões de habitantes no Brasil, será que não conseguimos dar conta de 20 mil refugiados? Claro que conseguimos. Se cada um fizer sua pequena contribuição, vai significar muito para aquele que não tem nada”, diz.

Carlos e sua esposa, que também faz parte da equipe, trabalharão na missão em Roraima até julho de 2020 e até lá esperam poder ajudar ainda mais pessoas. Sua atitude nos dá um grande exemplo de que é possível, sim, estendermos as mãos para aqueles que mais precisam, e que ajudar as outras pessoas também é ajudar a nós mesmos.

Quando dedicamos tempo para apoiar aqueles que precisam de ajuda, estamos fazendo um grande bem para o mundo e também para nós mesmos, porque ao doarmos nossa atenção a outras pessoas e ouvirmos suas histórias, aprendemos muito sobre como podemos ser pessoas melhores e tornar nossas vidas mais significativas, através da empatia e amor ao próximo.

Uma história muito especial, que merece ser conhecida e apreciada!

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*Com informações do G1


Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação desse material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.


Direitos autorais da imagem de capa: Emily Costa/G1 RR

Direitos autorais das imagens utilizadas no texto: Assessoria/Divulgação e Arquivo Pessoal






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