Comportamento

Empresários se unem e contratam apenas pessoas sem teto, ex-presidiárias e com deficiência!

Jorge e Miguel decidiram montar uma empresa que contratasse apenas aqueles considerados “dispensáveis” por outras empresas, oferecendo-lhes uma nova oportunidade.



A ideia superficial de que as pessoas em situação de vulnerabilidade social estão assim apenas porque querem costuma acompanhar grande parte dos discursos meritocráticos da atualidade.

É como se não tivessem se “esforçado o suficiente”, por isso, acabam desempregados e em situação de rua. Inclusive, alguns afirmam que muitas pessoas que moram nas ruas gostam de não ter lar ou querem “desesperadamente” um auxílio do governo.

O empresário Jorge Luis Borge percebeu, há 10 anos, que muitas pessoas que precisavam de oportunidades de emprego não as conseguiam por conta do preconceito das empresas. Ele decidiu pedir demissão para criar uma empresa de Recursos Humanos que contratasse apenas as “pessoas rejeitadas” pelos empregos tradicionais.


Essa percepção de que uma fatia dos cidadãos estava desempregada apenas por preconceitos dos mercado surgiu quando um senhor pediu para falar com ele, no antigo trabalho.

Um funcionário da segurança ligou do saguão para informar que havia uma pessoa em situação de rua querendo lhe pedir uma vaga de emprego, e Jorge o autorizou a subir. O segurança informou que o homem “tinha um cheiro forte”, mas o empresário não se importou com isso.

O senhor se chamava Aníbal, e eles ficaram conversando por cerca de uma hora e meia, e acabaram se conhecendo mais profundamente. Aquele homem tinha família, mas não tinha residência, e estava em busca de oportunidades de emprego, mas nunca encontrava opções. Jorge percebeu quão injusta era aquela situação, já que todos precisam que alguma porta seja aberta em algum momento.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Gestiones Solidarias.


Foi quando o empresário percebeu que a expressão “recursos humanos” não se refere a todos os humanos, pois é preciso que eles estejam dentro de alguns padrões sociais, algo que nem todos conseguem. Segundo reportagem do jornal La Nación, essa percepção provocou um conflito interno em Jorge, que trabalhava naquela ocasião como gerente de RH.

Ele optou por abandonar o emprego para abrir um empreendimento que se especializasse no gerenciamento de rejeições. Jorge sabia que essa nova forma de enxergar os trabalhadores exigiria muito tempo e energia, mas se tornou um sonho, mesmo sem ter capital inicial.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Gestiones Solidarias.

Jorge foi falar com seu chefe, Miguel Ángel López, o CEO da empresa onde ele trabalhava, e disse que queria colocar em prática sua ideia o mais rapidamente possível, por isso estava abandonando o cargo de gerente. O chefe optou por mantê-lo na empresa por um ano e meio, sabendo que ele precisaria de renda nos primeiros meses.


A ajuda de Miguel foi essencial para que a Gestiones Solidarias (ou Gestões Solidárias, em tradução livre) fosse criada, uma empresa que já teve mais de mil funcionários na última década.

Ela atua no setor de limpeza, manutenção e também possui uma agência de empregos, aceitando, majoritariamente, as pessoas com menores chances de ser contratadas por fazer parte de alguma minoria social.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Gestiones Solidarias.

Assim que abriram a empresa, ninguém sabia o impacto positivo que geraria na sociedade. No armazém onde trabalham, os funcionários são pessoas com deficiência auditiva, passado nas ruas, algumas já foram presas em algum momento e pagaram suas dívidas com a sociedade; todas são contratadas com carteira assinada.


O ex-chefe de Jorge, Miguel, tornou-se sócio daquele empreendimento recheado de sonhos e afirma que sente muita satisfação e alegria por ver onde conseguiram chegar com aquela ideia.

Para os dois, alguns preconceitos fazem parte do imaginário da população e não condizem nem um pouco com a realidade. Eles citam como exemplo a contratação de 14 funcionários com deficiência auditiva, dos quais 11 recebiam pensão por invalidez, mas preferiram voltar ao mercado de trabalho, renunciando ao benefício.

Direitos autorais: reprodução Facebook/Gestiones Solidarias.

Os empresários garantem que eles apenas não tiveram oportunidades e que todas as pessoas do mundo, em algum momento, receberam algum tipo de ajuda. Ambos sentem muita satisfação ao ver que os funcionários estão prosperando, alugando casas maiores e melhores, saindo das ruas, pais que sustentam os filhos, pessoas que já foram encarceradas e que não precisaram voltar para a criminalidade por não conseguir um emprego honesto.


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