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Energia de renovo: o que você precisa saber para sair dos ciclos viciosos

Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, uma piscada, segunda, terça…


Tradicionalmente, o pentateuco (cinco primeiros livros da Bíblia) é dividido em 52 porções, e uma porção é lida toda semana, assim ao longo do ano, todas elas são lidas e, ao término das leituras, recomeça o ciclo, lá em Gênesis. O povo dessa tradição está prestes a comemorar o ano novo (Lua Nova de Libra), e eu gosto muito de aproveitar essa energia de renovo, quer seja o nosso ano novo, quer seja meu aniversário, o ano novo judaico, chinês ou o-que-for. Na divisa entre um ciclo e outro, não podemos deixar de refletir.

Refletir para decidir se vamos avançar ou repetir, crescer ou estagnar, viver ou existir.

Na Bíblia, os dias são denominados “1º dia”, “2º dia”, “3º dia”… O único dia que tem nome próprio é o sábado, o shabbat. O shabbat é tido como o dia do descanso, mas, particularmente, é algo que sempre me incomodou. O Criador, aquele que está acima de tudo e todos, que é o infinito, não pode ter se cansado depois de dizer algumas palavrinhas. Não faz sentido! Recentemente, descobri, por meio de um sábio rabino, que existe um significado mais profundo e perfeito para esse nome, essa ideia e esta energia.

Eu me lembro de ter assistido a uma palestra do Dr. Bruce Lipton, um biólogo mundialmente respeitado, na qual ele diz que vida é igual a movimento. Passei dias analisando o micro e o macro: a expansão constante do Universo, o fluir das águas, a nossa respiração, o nascer e o morrer do dia, as fases da Lua, as estações do ano. Tudo está em movimento, logo, há vida!


Diz-se que a energia do shabbat começa a surgir na quarta-feira, cresce gradativamente durante a quinta e atinge seu pico na sexta-feira (pôr do sol); começa a decrescer no domingo, atravessando a segunda, até chegar ao ponto mais baixo, na terça. Ressurge na quarta e assim sucessivamente, como uma respiração, um batimento cardíaco da energia da criação iniciada no Big Bang, no Éden, nas mãos do Criador.

Quando consegui casar a meditação taoísta com esse conceito judaico, eu me senti muito mais pleno do que jamais havia conseguido, como uma amostra grátis de paz. Aliás, a raiz da palavra “paz”, tanto no hebraico quanto no árabe, é a palavra “completo, inteiro”. Ter paz é estar inteiro. E estar inteiro no presente é o caminho mais curto, senão o único, para ser paz. Não sentir paz, mas ser paz.

A ideia da meditação taoísta é, basicamente, unificar o mundo ao redor (inclusive ruídos) e eu, como um, uma coisa só, uni-verso.


É uma pausa na individualidade do eu para dar espaço à unidade do todo. O tempo deixa de voar e pousa no seu coração.

Possivelmente, o shabbat não é o dia do descanso, mas o dia da apreciação, da contemplação, da união entre o Criador e a criação. Curiosamente, o grande shabbat é sempre o sábado que antecede a Páscoa. Eu me abro para a possibilidade de o pequeno shabbat ser todos os dias, ao pôr do sol, numa oportunidade única para eu apreciar, contemplar e unificar. Para que a vida não seja um avançar desenfreado do calendário, mas que seja de pequenas porções de luz, pequenas oportunidades de, à imagem e semelhança do Criador, criar um contexto melhor, uma vida melhor, um eu melhor, e admirar esta criação. E, caso eu não aprecie tanto assim o que criei, aperfeiçoá-lo, melhorá-lo, transformá-lo, movimentá-lo para fazê-lo viver.

Algumas pessoas seguem os Titãs e param para analisar a vida, no epitáfio; outras seguem o comércio, só pensam em renovação e reavaliação da vida em dezembro. O meu convite é que você aproveite todas essas ocasiões, desde o micro até o macro, para que, acima de tudo, você possa aproveitar a vida e não apenas vê-la passar. Permita-se parar por alguns minutos todos os dias para agradecer, apreciar e valorizar tudo o que você já tem. Aprecie a criação, alimente  e alimente-se dessa energia. Não se deixe chegar ao domingo pensando que ele está acabando, porque, enquanto você pensa, ele passa.

O mesmo vale para o mês, o ano e a vida. Apenas viva, sinta, aprecie, note, esteja, seja. 

Viva la vida. Feliz algo novo!

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF Imagens.





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