publicidade

Enfermeira de Manaus desabafa: “O povo está morrendo asfixiado. Orem pelo Amazonas”

A segunda onda da covid-19 provocou colapso no sistema de saúde de Manaus; hospitais estão sem cilindros de oxigênio e são comparados a “câmaras de asfixia”.



A pandemia ainda não acabou. Muitas pessoas se sentem cansadas com a duração do surto do coronavírus, e essa sensação de fadiga faz com que algumas medidas de proteção sejam relativizadas.

Durante as festas de Natal e Ano-Novo, foi possível perceber que poucas pessoas mantiveram o distanciamento. Sob a pretensa desculpa de que seguem todos os “protocolos de segurança”, vimos aglomerações no país inteiro. Essa conta não ia demorar para chegar.

Durante a primeira onda de covid, Manaus registrou os piores índices de transmissão e mortes decorrentes do vírus no país, anunciando a tragédia que se espalharia para outras cidades.

A capital do Amazonas, no final de 2020, já vinha sendo alertada por especialistas e profissionais de saúde para a segunda onda, que viria com força. E veio! As unidades de saúde sofrem agora com a falta de cilindros de oxigênio.

Em entrevista à Band News FM, uma enfermeira, que pediu para não ser identificada, desabafou dizendo que os pacientes estão “morrendo asfixiados” e que o sistema de saúde local entrou em colapso. O relato é forte, e ela afirma que são tantos pacientes que os profissionais da área da saúde já não estão mais tomando todos os cuidados que deveriam, por conta da quantidade de trabalho. Com apenas uma garrafa de álcool para o dia todo, a enfermeira conta que não tem mais onde alocar paciente, e que muitos acabam ficando nos corredores, pelo chão.


A médica residente Gabriela Oliveira, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), em entrevista ao G1, relata que a situação atual está caótica. Com muito pesar, a médica conta que nunca imaginou algo similar acontecendo, e que esses momentos deixarão uma cicatriz eterna no seu coração.

Mais de 5,8 mil pessoas morreram de covid no Amazonas, e o colapso nas unidades de saúde fez com que medidas de urgência fossem tomadas: pacientes que estiverem internados com o vírus, mas em situação estável, serão transferidos para unidades hospitalares de outros seis estados.


Direitos autorais: reprodução G1.

Quando conta sobre a situação dos hospitais, a médica descreve um cenário de caos. Além disso, explica que os profissionais da área da saúde já estão se sentindo esgotados, pois a maioria, além de acompanhar esse número excessivo de mortes, também tem de trabalhar com carga dobrada. A falta de oxigênio fez com que muitos profissionais e cidadãos fossem atrás de cilindros, por conta própria, demonstrando que os governos federal e estadual não conseguiram lidar com a pandemia como deveriam.

O epidemiologista Jesen Orellana, da Fiocruz no Amazonas, revela que os hospitais da capital viraram verdadeiras “câmaras de asfixia”, onde muitas pessoas perderam a vida e outras ficaram com nível insuficiente de oxigênio, o que pode desencadear graves sequelas.

Uma das pacientes, Michelle Viana, que perdeu o pai para o vírus, conta que, no momento que o oxigênio acabou, houve muita gritaria no local, e todos começaram a chorar, inclusive os médicos. Os pacientes agonizaram nas macas, e nenhum profissional de saúde pôde ajudar. Mesmo que coloquem os pacientes em respirador manual, uma pessoa só consegue bombear sem interrupção por cerca de 20 minutos.

Em nota, o governo do Amazonas declarou que tem trabalhado com o governo federal e municipal para achar uma saída para a questão do oxigênio. Quanto mais tempo essa providência levar, mais e mais mortes ocorrerão.

As Forças Armadas têm prestado total assistência, da forma como deveria, e feito o trabalho de enviar cilindros de oxigênio para hospitais públicos da capital amazonense.

Uma das formas encontradas para lidar com a crise no sistema de saúde foi a aplicação do toque de recolher. O governador Wilson Lima anunciou um decreto que proíbe a circulação de pessoas, em Manaus, das 19h às 6h. Apenas os serviços essenciais para a vida podem abrir, como supermercados e farmácias.

Wilson disse também que o Estado entrou com ação judicial contra a empresa que fornece oxigênio, para obrigá-la a garantir o abastecimento nos hospitais em quantidade suficiente para que ninguém morra asfixiado.

A empresa responsável pelo fornecimento de oxigênio no estado, chamada White Martins, informou que uma das saídas é buscar oxigênio na Venezuela. Como a demanda aumentou mais de cinco vezes sua capacidade produtiva, a saída é encontrar quem possa ajudar.

Os pacientes serão distribuídos entre os estados de Goiás, Piauí, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Brasília. O governador disse ainda que montará um grupo de apoio aos familiares dos pacientes com covid transferidos para outros Estados.

Toda ajuda agora é bem-vinda! Além disso, Wilson ressaltou que o Amazonas tem vivido uma operação de guerra, sendo o oxigênio o produto mais requisitado durante a pandemia.

A falta de cuidado com a higiene e medidas de isolamento da população, aliadas ao descaso do governo, que deveria ter trabalhado preventivamente, a fim de evitar um colapso, mostram que a pandemia ainda não acabou.

Mesmo que a vacina tenha sido anunciada, muito tempo passará até que todos os cidadãos estejam imunizados. Vale reforçar que devemos continuar nos cuidando, para que não entremos nas estatísticas desse vírus letal.

O que você achou dessa notícia?

Compartilhe com seus amigos nas redes sociais e se proteja!

Baixe o aplicativo do site O Segredo e acompanhe tudo de pertinho. Android ou IOS.

Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




Deixe seu comentário

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.