ColunistasLei da Atração

Enquanto você não matar o demônio interno…

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Demorou muito tempo para eu entender que eu sou o meu maior inimigo. Eu nunca consegui realmente aceitar esta ideia, afinal, por que no mundo eu iria conspirar contra mim mesmo? Não faz sentido!



Aí então, eu comecei a estudar sobre auto sabotagem, li diversos livros, assisti palestras, dediquei horas e horas de reflexão e meditação… “Preciso mudar o meu mindset”, foi a resposta que consegui encontrar quando conectei todos os pontos. Passei a dedicar meus dias para atualizar e aprimorar o mindset, as configurações da mente. Agora vai, pensei.

Mais algumas dezenas de palestras, livros, artigos e horas de autoanálise e reflexão. Eu não vou mentir, muita coisa mudou, o horizonte se expandiu, os conceitos se atenuaram, as oportunidades saltaram aos olhos com mais facilidade. Mas. Não importa quão forte eu batesse as asas, não importa quantas vezes eu pulasse, eu ainda estava preso a algo. Alguma coisa ainda estava dando errado e eu não conseguia consertar.

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Flutuando sobre os lençóis de minha cama, num desses dias onde você se vê com uma lista de perguntas, dúvidas e receios, e nenhuma resposta desponta em lugar algum, eu me lembrei da frase: “Não se aproxime demais / É escuro aqui dentro / É onde meus demônios se escondem.” – É um trecho da música “Demons” (Demônios), da banda Imagine Dragons. A-háaaa! Foi quando eu o encontrei. Senhoras, senhores: o meu demônio de estimação.

Estava na hora de um sacrifício!

Eu cresci em berço cristão, e desde que me conheço por gente, ouço falar sobre a Santíssima Trindade, ouço falar sobre seu exército inimigo, Lúcifer e os anjos-caídos. E desde este momento, criança que eu era, permiti que eles me assistissem. Episódios como as reuniões de exorcismos e os alertas de Jesus, “orai e vigiai”, me deram inúmeros comunicados oficiais: os demônios estão atrás de nós!

Na minha cabeça – e isto durou anos e anos –, eu estava sempre vulnerável, sempre na mira do inimigo. Se eu falhasse, ele me pegava!


Bom… “Eu (Deus) sou contigo” e “revestimento das armaduras de Deus” não ajudaram em nada, porque a mesma pessoa que me disse isso, também me disse que “o inimigo veio para roubar, matar e destruir”. Estamos em guerra! Alerta geral!

Como qualquer bom estrategista de guerra faria, os meus planos eram sempre manipulados com muita cautela e sigilo; minhas orações e profecias eram (igualmente) ditas somente com o coração, os lábios até se moviam, mas não saia som, pois eu temia que o inimigo ouvisse e se apressasse só para garantir que tudo iria dar errado. Sabe como é, só de sacanagem! Ele era o inimigo.

E aí eu conheci a Lei da Atração – uma arma poderosa para vencer a tal guerra – e ouvi muitos dizerem que devemos fazer murais com as fotos das coisas que queremos, escrever frases e fazer afirmações para atraí-los.


Tinha um enorme problema nisso: os demônios!
E se eles souberem ler? E se algum deles vir o meu mural? E se ele me ouvir? E se…? Vai dar errado?! Deu errado.

Deu errado por um simples motivo: os demônios não estão ao meu redor, acampados, esperando um momento oportuno para destruir meus sonhos. Não! Eles estão estavam dentro de mim! Eu conspirava contra mim mesmo, e colocava a culpa nos demônios.

Tem outra música que foi importante para este meu processo: “One”, do U2, que diz mais ou menos assim: “Vai fazer ser mais fácil pra você, agora que tem alguém para culpar? ”. Tá, a culpa é do demônio. E aí? O que eu faço? É isso? Estou impedido de viver o melhor da minha vida por conta de alguém que, francamente, pode nem existir? Maktub, estou fadado a fracassar por causa de demônios?


Não, não estou. E não, não é mais fácil porque tenho alguém para culpar.

Na verdade, tomei a culpa para mim mesmo. Eu imaginava que alguém/algo ia conspirar contra mim e as coisas não iriam dar certo. Ou seja: eu, eu, eu e eu. O foco sou eu, a culpa é minha.

Mas isto tudo deve ser conjugado no passado, porque agora eu sei que não passa de fruto da minha imaginação. E agora que sei que só eu mesmo posso impedir de eu atingir meus objetivos, eu saí da minha frente, do meio do caminho, e passei a correr ao meu lado, por mim e para mim. Passei a conspirar a meu favor. Por que não? Por que não anjos conspirando a favor?

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Pronto. Os demônios não existem mais! Agora, sou EU querendo versus EU temendo/ julgando que não mereço/ inventando qualquer desculpa esfarrapada para eu não conseguir o que quero. Basicamente, o conflito é o mesmo, mas há um, “porém” que faz toda a diferença: uma vez que a culpa não é dos outros, uma vez que o defeito não está nos outros, eu estou no controle! Eu decido! E aí, é uma questão de decidir encontrar um jeito ou uma desculpa. Simples assim.

Talvez não haja maneira melhor para encerrar este texto do que com o grande pensamento de Dalai Lama: “É muito melhor perceber um defeito em si mesmo, do que dezenas no outro, pois o seu defeito você pode mudar.”.

Nada é tão bom que não possa melhorar cada vez mais!

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