ColunistasFamília

Ensinamentos da minha avó…

Leia ouvindo: John Mayer – XO



Foi numa dessas conversas bobas com a minha avó que aprendi uma grande coisa na vida: aprenda a ver coisas únicas nas pessoas. Não que seja fácil, mas é a maneira mais inteligente de tornar alguém especial.

Além dos vínculos e afetos, existem coisas no outro que o tornam ainda mais especial. O que é mais especial na minha avó, além do fato de ser a minha avó? É a falta de humor dela. É uma coisa única e só dela, e apesar de muitos acharem isso um defeito, eu caio na gargalhada na maioria das vezes. O que torna minha mãe especial, além de ser minha mãe? São as duas covinhas que ela tem nos ombros. Só ela tem e ninguém faz ideia de como surgiu. Eu sinto que sou ainda mais especial para a minha avó quando ela pega no meu cabelo e lembra dos cachos que ele fazia quando eu era pequena. A voz do meu tio, já falecido, era o que deixava ele ainda mais especial para mim. O barulho da moto do meu pai é o que deixa ele especial, é o som dele chegando em casa do trabalho. O barulho da risada da minha prima também a torna especial.

E assim, vou criando a minha colcha de memórias únicas e especiais. Ali, só é costurado quem realmente importa, é o meu baú de memória afetivo, meu iCloud de vida e o meu melhor pedaço de mundo.


O mesmo acontece com as minhas amigas, é o jeito único de cada uma delas que torna tudo especial. Todos nós temos algo que é só nosso, e temos muito nosso que é só dos outros. Afetamos e somos afetados durante a vida. O cheiro da pele, a fisionomia, o barulho da risada, os resmungos, o jeito de sentar, de movimentar os braços, de olhar, o jeito de acordar junto, existem sempre duas memórias, dois jeitos, dois apegos, dois desapegos e muitos sentidos. Somos únicos e eternos dois. Eu e o meu “eu” para você. Nós e o nosso afeto.

As coisas únicas estão ligadas ao afeto, não necessariamente ao afeto no sentido de sentimento, mas sim do tanto que essas coisas únicas afetam a nossa vida e nossas lembranças. Você pode me dizer que é impossível ser único, até eu te perguntar o que era único na sua avó falecida, ou quando você está longe de casa e lembra da comida da sua mãe. Coisas únicas nos afetam, positiva ou negativamente. Quem nunca chorou ao sentir o cheiro daquela saudade ou de um abraço apertado?

Tudo aquilo que é único para o nosso coração é especial.

Ser melhor todo santo dia deveria ser obrigação, mas ser especialmente único para alguém é a verdadeira oração, coração, pão, memória e experiência. Você pode perder todos os bens materiais que possui na vida, mas não perde o vínculo com aqueles quens que afetaram a sua vida de alguma forma.


Juliana Manzato

Enfrentando os medos #narrativasqueinspiram

Artigo Anterior

Eu só precisava enxergar a mim mesma…

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.