Ensine aos seus filhos que a frustração faz parte da vida, mas levantar, sacudir a poeira e seguir em frente também faz

Nossa liberdade acaba quando começa a liberdade do outro. Esta é uma máxima fundamental para que a vida em sociedade seja possível.

Os grandes desencontros do mundo acontecem exatamente quando um acredita que pode mais que o outro, quando ser você mesmo significa ser mais do qualquer um. Se todos fossem o que desejam ser, não existiria pobreza, feiura, imposto de renda, polícia, quiçá, vida no planeta que, do caos, provavelmente viraria poeira.



O que precisamos ensinar para a nova geração é exatamente o contrário. Ninguém pode ser o que quiser. Vivemos em um mundo onde o bom senso prima pela paz. Somos feitos de sentimentos bons e de um voraz ardor para o rancor e a raiva. E é aí que mora o perigo. Se somos o que a gente quer, somos também nossas crueldades, nossas vinganças, nossa sujeira, nossas fantasias mais esdrúxulas e nossos desejos mais desumanos, que, na verdade, são bem humanos.

Por isso, devemos ser, sim, o melhor que temos dentro de nós, não o que a gente quer, porque o nosso instinto é animal e nosso querer não vê regras, nem limitações. Nossas vontades não estão inseridas em uma corte que luta pelo bem contra o mal. Elas simplesmente são sem qualquer julgamento. E a racionalidade que vem para nos dizer: espera aí! Você não pode ser o que quiser.

A criança que não aprender isso crescerá frustrada e se tornará um adulto infeliz, provavelmente, depressivo, pois todos os dias alguém vai lembrá-lo que ele não é tão importante quanto gostaria de ser, tão competente quando pensa que é, tão bonito quanto quem lhe dera que fosse.


Todos os dias, a vida vai jogar na cara dele suas limitações e, muitas vezes, dir-lhe-á em alto e bom tom: “Você está muito longe de ser o que quer.”

Então, não haverá outra realidade do que a inconformidade que o levará a conflitos, vícios, rebeldias, a uma vida destrutiva ou autodestrutiva e muito, mas muito infeliz. Levando em conta que a principal causa do suicídio é, exatamente, não ser o que se quer.

Pessoas que não sabem respeitar limites, não se adaptam à sociedade, são incapazes de ter relacionamentos saudáveis e, principalmente, de enxergar aquilo que o outro deseja ser.

Portanto, ensinar seus filhos a se frustrarem é um dos maiores bens que você pode dar a eles. E, mais do que isso, mostrar aos seus pequeninos que, além da frustração fazer parte da vida, levantar, sacudir a poeira e seguir em frente também faz.


É assim que conquistamos nossos sonhos, nosso espaço e o respeito dos outros. Deixe-o com a certeza de que, mesmo que ele não seja um monte de coisas que gostaria de ser, você ainda estará com ele, por ele, amando-o incondicionalmente, não importando quais os limites que a vida lhe imponha.

Então, em vez de se tornar um frustrado e cair em depressão por nunca se tornar tudo o que gostaria, seu filho crescerá com a sábia maturidade de entender que ter sucesso na vida significa não ser tudo o que se quer e, ainda assim, ser muito feliz.


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