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Entenda a depressão em dez passos

Depressão é como alguém que resolve tomar chá com você às 3:30 da manhã. E assim como é difícil entender a cabeça de alguém que resolveu fazer-lhe uma visita às 3:30 da manhã, é difícil entender a cabeça de quem sofre de depressão.



E não é por que eles não demonstram que querem amor, que eles não querem necessariamente o amor. Ela vai fazer de tudo para você sumir, às vezes pensando que ela pode ser um fardo muito grande na sua vida, ela vai pedir para você sumir. Mas se você a ama essa pessoa de verdade não suma, e entenda-a… se puder, ajude.

Um: depressão é uma doença

Depressão é doença, tem protocolo, diagnóstico tratamento, medicação, e um CID reconhecido mundialmente, e como qualquer outra doença não dá em poste. E assim como qualquer outra ela vem com tudo sem olhar gênero, idade, condição social. Ela só chega, e na maioria das vezes dando pancada.

Segundo a Organização pan americana de saúde, é considerada  o mal do século e estima-se que existam mais 300 milhões de diagnósticos em todo o mundo, porém menos da metade fazem tratamento adequado.


Depressão não é frescura, falta de Deus, amigos, amor, é uma doença, apenas aceite, e como você faz um curativo em alguém que cortou o dedo, ofereça um ombro a alguém que se feriu onde ninguém vê: a alma.


Dois: alguém com depressão não é triste, apenas está com depressão.

O grande sentimento que ronda alguém com depressão é o vazio, ou seja, a ausência do mesmo. Por mais que todos estejam chorando, rindo, por mais que eu esteja chorando, rindo, na verdade eu estarei sempre sentindo nada.


Três: e então… bate a tristeza.

Quando você percebe que não sente nada, quando percebe que nada acontece, por um momento você confunde vazio com infelicidade e começa uma busca em torno do nada disfarçado de outra profissão, uma faculdade diferente, um carro do ano, roupas novas, corte de cabelo novo.


Às vezes, você consegue às vezes não. Então percebe que, no fundo, aquilo não faz diferença, que o que falta não está fora, mas sim dentro, e além de tudo são o grande moinho da vida: os sentimentos.

Nesse momento que o elefante cai na sua cabeça, que seu mundo se quebra em mil pedaços, causando uma tempestade só no seu metro quadrado, nesse momento você desaba.

Você olha ao seu redor e vê que caiu em um grande poço, onde você está se afogando, sabendo que precisa nadar, mas você não consegue. E é uma dor gigantesca, existe uma faca para cada milímetro do seu corpo, e então você fica imóvel amarrado pelas cordas dos próprios pensamentos.


Quatro: Um dia nunca é igual ao outro.

E isso pode dificultar um pouco o diagnóstico. Um dia nunca é igual ao outro, o humor fica instável, alguém com depressão vaga sem motivo. É como ficar à deriva no oceano, pode ser que se encante com o pôr do sol no horizonte, pode ser que desespere por  não ver nada além de água, e pode ser que alterne esses sentimentos a cada segundo.

Talvez conte piadas, talvez chore sem motivo, pode ser que grite sem motivo ou se cale. Que coma muito ou nada, pode ser que sofra para sair da cama, às vezes, pode sofrer menos. Mas em todas as vezes vai sofrer, porque uma coisa é certa, a gente sempre acaba se isolando, mesmo não querendo.

A gente não consegue nem lidar com a gente, imagina com o outro, agora imagina com o outro sem paciência conosco? É demais! Logo, a solidão passa ser uma opção.

Ela passa uma leve sensação de que você administra bem as coisas, mas, no fundo, é só para espantar as pessoas que repetem mil vezes a frase “ Você precisa reagir.” A gente sabe que precisa, a gente só não sabe como fazer.


Cinco: a gente pensa mil vezes, mas no fundo não pensa em nada

E os obstáculos começam sempre com o raiar do dia.  Todo dia o despertador toca uma hora antes da hora que eu preciso realmente levantar, porque eu vou pensar 100 vezes se devo abrir os olhos, levantar, tomar banho, se devo ir àquele compromisso, atender ao telefone. E, na maioria das vezes, eu não vou, não vou atender, trabalhar, levantar, comer, banhar-me. Eu vou fazer a mesma coisa que sinto: NADA.


Seis: eu vou recusar seu carinho, mas eu o quero

Eu não estou sabendo lidar comigo, então eu não espero isso de você. A minha dor é tão grande, que eu não a desejo para você, o meu amor é tão grande que eu me afasto de você. Parece louco? É só minha cabeça!

Eu sei que vou gritar, parecer sem sentido, louca, perdida, que não vou procurá-lo, atendê-lo, não vou ligar, mas, acredite, não é por falta de vontade. Sei que vou ficar monossilábica e, na maioria das vezes, calada. Mas não me abandone! Vai passar, e o seu amor é importante para mim.


Sete: eu não vou falar… mas você pode falar.

Ouvir outras coisas que não as vozes dentro de mim pedindo o fim dessa dor, que eu não sei como terminar. Ouvir outras vozes é bom, outro assunto, eu deixo até você cantar desafinado do meu lado. Eu sei que  vou demonstrar tédio, mas eu estou gostando.


Oito: ela não quer falar sobre isso.

Você não precisa necessariamente falar sobre depressão, ou como ela se sente, para ajudar alguém com depressão. Às vezes, a pessoa não quer falar sobre isso, e mesmo sem ser esse o foco, falar de qualquer coisa já ajuda a encontrar seus sentimentos perdidos.

Às vezes, ela nem sabe! A depressão, assim como todas as doenças mentais, é negligenciada pela sociedade. Você, no fundo, só entende quando se vê no meio da bola de neve, sendo ela ou rolando com alguém que você ama.

Diferente das doenças físicas, quando aparecem os primeiros sinais e sintomas, a pessoa não estimulada a pedir ajuda. A  crise precisa chegar ao ápice para isso acontecer, e mesmo assim muitas pessoas saem pela tangente. Quando a crise chega ao ápice, acredite: a pessoa chegou ao fundo do poço, então, ajude-a.


Nove: não é errado pedir ajuda!

Você não é fraco, pelo contrário, foi forte até demais. Se por algum motivo você  pensar coisas como: não aguenta mais, se o que você amava hoje não tem importância, se pensar em coisas extremas, procure ajuda. E se você ouvir isso de alguém um dia, não deixe simplesmente passar.


Dez: você não está sozinho(a), nem precisa.

Você não deve passar por isso sozinha, se não tá aguentando por algum motivo, procure ajuda, fale com quem pode ajudá-lo(a) a seguir em frente. Existem diversos caminhos declarados ou anônimos, não importa o que você escolher.

Procure alguém com que possa conversar, alguém que lhe traga calma, procure um especialista, se for o caso, eles saberão como ajudá-lo. Você não está sozinho(a), e nem precisa, acredite.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: tixti / 123RF Imagens

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