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Epigenética – a visão além da genética…

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  “A Visão Além da Genética”



O termo Epigenética tem origem no prefixo grego “epi”, que significa “acima ou sobre algo”.

Esta ciência é um campo da biologia que estuda as interações causais entre os genes e os seus produtos responsáveis pela produção do fenótipo, ou seja, a epigenética é o estudo da modificação do genoma herdável durante a divisão da célula, que não envolve a mudança na sequência do DNA.

De acordo com este tipo de estudo, é-nos dado a conhecer que, no nosso biótipo, nem tudo está programado, pois atos como alimentação, exercício físico e comportamento, podem influenciar a maneira como os genes se organizam, alterando os padrões de mudança do nosso fenótipo, os quais serão transmitidos aos nossos descendentes.


Por biótipo, entende-se que são as nossas características herdadas geneticamente, aquelas que fazem de cada um de nós, seres únicos.

Em 1909 o pesquisador dinamarquês Wilhelm Johannsen definiu que, o termo fenótipo serviria para atribuir características morfológicas, fisiológicas ou mesmo relacionadas ao comportamento do ser vivo, tais como, fatores bioquímicos próprios ou o tipo de sangue, a cor da pele, dos olhos, o tipo de cabelo, ou altura, constituição física, ou o formato dos olhos de cada ser humano.


Os primeiros relatórios do projeto sequencial do genoma humano foram publicados em 2001 nas revistas “Nature and Science”.


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Os trabalhos de pesquisa envolvidos em processos fisiológicos ou patológicos, passaram a avaliar dezenas de milhares de alvos, dos quais uma parte sobre a relação entre nutrição, genética e genoma foram sendo cada vez mais evidenciadas.

Sendo o Genoma o conjunto de todas as moléculas de D.N.A. de um determinado ser vivo, é nestas moléculas que se encontram os genes que guardam as informações para a produção de todas as proteínas que caracterizam os seres.

Estes estudos relacionam dados genéticos de indivíduos saudáveis ou doentes, com a sua dieta, para alcançarem as conclusões sobre as interferências da dieta na estrutura e expressão genética.


E isto leva-nos para os campos da nutrigenómica, da nutrição funcional e da nutracêutica.

Esta nova forma de abordar a nutrição, abre o caminho para uma nova realidade, a alimentação pode ser o “medicamento” mais poderoso para reduzir o risco das doenças.

 Não podemos mudar os nossos genes, mas podemos através da nossa dieta modificar a sua expressão.

Recentemente a Direção-geral da Saúde publicou um artigo, onde nos revela que metade das causas de doença e de morte em Portugal têm relação direta com a alimentação, apontando o consumo excessivo de sal e de açúcar como fatores de risco para várias doenças (Lusa, 20/09/2016 – CIÊNCIA & SAÚDE).


Para podermos modificar os padrões de comportamentos que moldam a nossa estrutura, precisamos de olhar para dentro de nós. O desenvolvimento do indivíduo requer uma série de interações entre as suas células, sobretudo entre os seus genes com componentes do meio interno e externo do organismo, pois o nosso corpo é um sistema cristalino vivo com estruturas minerais oscilantes, cheias de energia.

Isto remete-me para uma abordagem de avaliação focada no DNA existente nas células vivas do nosso cabelo.

O folículo capilar contém enzimas que desempenham um papel importante na regulação neuro-endócrina do nosso corpo e na constituição de elementos minerais que constituem o estado dos ossos, dos músculos, do cérebro, do fígado e da medula.

Por isso o cabelo pode ser considerado como um bio- marcador informativo do nosso estado metabólico.


O cabelo, leva até 80 dias para chegar à superfície, o que lhe permite armazenar informações que emanam do micro e do macro ambiente de cada ser humano.

A ciência tem-nos mostrado ao longo da sua evolução, desde a era do Dr. Hipócrates, que, o nosso corpo se auto-regenera através de estímulos adequados e encontra o caminho certo para alcançar a energia vital.

A diferença está na forma como gerimos a nossa vida. Atrevo-me até a afirmar que a velocidade do envelhecimento pode ser reversível.

Por isso, considero que nunca é tarde para fazermos mudanças. Qualquer mudança leva cerca de três meses a ser sentida e mantida pelo corpo físico, mental e emocional, pelo que deve ser feita com responsabilidade e sempre focada numa avaliação personalizada e criteriosa.


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Para manter o seu equilíbrio metabólico em perfeito estado, é fundamental criar hábitos de vida saudáveis, com os nutrientes certos.

Somos na verdade o que comemos e isso reflete-se em toda a nossa aparência, alegria e bem – estar e na nossa saúde.

Dra. Paula Mouta – Naturopatia e Nutrição Funcional


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