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Era véspera de natal…

Um conto de natal…



Era véspera de Natal, eu tinha 8 anos quando minha mãe me pegou no colo e disse de maneira natural:
– Papai Noel existe sim! Assim como você que nasceu da fusão entre o real e o imaginário.
– Quer dizer que você está segurando uma ilusão?
– Claro que não minha filha. Você é muito mais que uma simples ilusão.
– Ah! É! O que eu sou mãe?

Ela então pegou um presente que estava no pé da árvore de natal, que mais parecia um carro alegórico de tanto badulaque.
Olhou dentro dos meus olhos e disse que eu era como aquele embrulho.
Não me contive e a olhando nos olhos também com ar interrogativo perguntei:
– Mãe! Você me comprou? Por favor não me diga que dividiu no cartão?

Ela meneou a cabeça negando o que eu perguntara e com um sorriso largo respondeu:
– Há algum tempo atrás fiz um pedido para Papai Noel e no natal seguinte ele me deu de presente uma bela caixa com papel verde bolado de branco e vermelho, com laços repletos de joaninha, dentro dela continha a boneca com a qual sempre sonhei, você.


Papai Noel então me explicou como conseguiu elaborar esse milagre:

“Numa noite de lua cheia, com o céu repleto de estrelas que ajudavam a dar mais brilho ao arco-íris que surgia no horizonte, Noel estava em seu laboratório juntamente com seus ajudantes desenvolvendo uma fórmula com os seguintes ingredientes:
– 10 gramas de saúde
– 10 gramas de beleza
– 10 gramas de simpatia e uma pitada sutil de curiosidade, não esquecendo das 23 gotas de imaginação.”


Colocou tudo isso num lindo cesto ornamentado com lírios-verdes quando quase no final, uma esplendorosa borboleta azul entrou pela janela e parou sobre a alça do cesto. Papai Noel e os elfos observavam com curiosidade os movimentos daquele inseto alado. A borboleta batia as asas levemente e delas saíam pozinhos dourados que cintilavam ao cair no interior da cesta. E num passe de mágica os ingredientes transformaram-se numa boneca de cabelos negros, olhos da mesma cor que ganharam vida. Seus olhos piscavam e suas mãos tentavam alcançar aquele pozinho que ainda cai sobre sua cabeça. “

Ouvia atentamente o que minha mãe dizia e quando terminou, fiquei alguns instantes refletindo sobre essa receita esquisita do Papai Noel. Passei minha mão sobre meus cabelos, puxei minhas pestanas, olhei minhas mãos, conferindo se não eram de borracha e finalmente disse:
– Mãe! Papai Noel estava bem nesse dia?
– O que quer dizer com isso minha filha?

Levantei-me de seu colo, e andando de um lado para outro com as mãos no bolso do meu macacão ilustrado com as Fuinhas, explanei:
– Mãe, essa receita nem Ana Maria Braga seria capaz de fazer. Convenhamos, Papai Noel deve ter tomado uma boa dose de rum.

A campainha tocou não dando tempo para mamãe dizer alguma coisa. Fui andando atrás dela pois não era normal alguém visitar os outros a meia-noite.

Minha mãe sempre precavida, viu pelo olho mágico da porta e logo em seguida a destrancou.
Acredito ter me transformado numa estátua de tanto susto que levei. Era Papai Noel.
– Noel que surpresa, por favor queira entrar! – Convidou minha mãe

Eu continuei atrás da perna esquerda da minha mãe. Virei um pouco a cabeça para esquerda querendo comprovar a presença do barrigudo simpático, com botas pretas que reluziam tanto que chegavam arder meus olhos.
Não sabia o que fazer. Cocei a cabeça, e pisquei os olhos umas 100x em apenas um minuto. Quando ficava nervosa sentia que meus neurônios entravam em curto-circuito.

– Feliz Natal! – exclamou para minha mãe ainda de pé na porta
– Não quer entrar? – insistiu minha mãe
– Querer eu quero, mas não posso deixar minhas criancinhas esperando seus presentes. Onde está Andréa, vim trazer o que ela pediu?

Fui do zero aos sessenta e quatro graus, efeito estufa era bobagem perto do que acontecia comigo. Tirei a cópia da cartinha que havia enviado para ele do meu bolso e reli rapidamente.
– Andréa minha filha, veja quem está aqui?

Minha mãe tinha cada uma, é lógico que já havia visto que quem estava ali era ele, o Papai Noel.
– Ele tem um presente para lhe dar! – Exclamou ela me cutucando

Era estranho a sensação que se apossara em mim. Meu sonho era encontrar com Papai Noel, agora ele estava ali diante de mim, mas me deu medo de encará-lo. Então coloquei minha mãozinha por entre as pernas da minha mãe. Pois assim ele me daria o presente e eu não precisaria ficar cara a cara com ele.

Ele deu uma gargalhada, daquelas que só de ouvir dá vontade de rir também e disse:
– Com uma mão só você não dará conta de segurar.

Coloquei então a mão esquerda na espera do presente.
Ele chegou pertinho e sabendo que eu estava com medo deixou presente em minhas mãos.
– Feliz Natal!

Despediu-se de mim e de minha mãe e foi embora.
Sentei rapidamente no chão colocando a cesta que havia recebido sobre minhas pernas e lá dentro, tinha realmente o que havia pedido, uma irmãzinha.

Ela veio do jeitinho que pedi, bochechas gordas, narizinho de tomada, cabelinho de cuia e olhos levemente puxados.
Mamãe olhava para mim ainda sorrindo. Acho que Papai Noel colocou uma grande quantidade de alegria na sua receita. Mamãe sentou-se ao meu lado e disse:
– A magia do natal está em acreditar que a imaginação pode fazer parte da realidade.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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