Comportamento

“Essas pessoas devem ser órfãs”, diz Antônio Fagundes com relação ao preconceito contra idosos

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Também chamado de “ageísmo” ou “etarismo”, o preconceito contra os idosos tem se tornado cada vez mais comum, principalmente durante a pandemia do novo coronavírus.

O Relatório Mundial sobre o Idadismo, produzido pela Organização das Nações Unidas (ONU) neste ano, aborda os impactos que o preconceito causa no bem-estar e na saúde dos idosos. De acordo com o estudo, o idadismo (também chamado de etarismo ou ageísmo) é usado para “categorizar e dividir as pessoas” de forma que causa prejuízos, injustiças e desvantagens.

O preconceito contra essa faixa etária, assim como qualquer outro, começa ainda na infância, a partir dos reforços e da maneira como a comunidade e a cultura de cada indivíduo lida com a questão. É pelos estereótipos que a intolerância surge, assumindo três formas gerais: institucional (leis, regras e normas sociais são criadas para prejudicar indivíduos por conta da idade), interpessoal (interações entre dois ou mais indivíduos) e contra si mesmo (a pessoa internaliza o preconceito e o usa contra si própria).

Em entrevista à revista Veja, o ator Antônio Fagundes, de 72 anos, abordou justamente a questão explorando o preconceito pela idade sob a óptica da pandemia do novo coronavírus. Ele explicou que há mais de cinco décadas seu objetivo de vida é trabalhar e viajar, desfrutando majoritariamente dos prazeres de ficar em casa.

Para o ator, as coisas de que mais gosta de fazer envolvem ler muitos livros, ver filmes e apreciar a companhia da esposa Alexandra Martins, de 44 anos. Aproveitar as redes sociais também se tornou uma nova descoberta da sua vida, e ele explica que passou a utilizar a plataforma para, principalmente, oferecer dicas de livros que tem consumido.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @antoniofagundes.

Mas ele conta que existe um limite — passa pouco mais de uma hora por dia nas redes sociais —, e como ama a leitura, uniu os dois gostos, fazendo pequenos vídeos em seu perfil pessoal sobre as narrativas em que se tem enredado nos últimos meses. Se antes da pandemia a leitura precisava ser encaixada entre as gravações, hoje a história não é a mesma.

A pandemia fez com que seus dias se tornassem mais vagos, e ele explica que agora lê um livro a cada três dias, além de assistir a cerca de três filmes por dia, preenchendo suas horas livres. Isso tudo porque o ator respeita o isolamento social, e acredita que todas as pessoas, principalmente as mais velhas, precisam olhar para o restante do mundo antes de retomar a vida social, como se não existisse mais sinal do vírus.

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Direitos autorais: reprodução Instagram/ @antoniofagundes.

Falando um pouco sobre o idadismo, Fagundes acredita que as pessoas que defendem que a covid-19 é uma doença que vitimiza apenas os idosos, aparentemente “devem ser órfãs”, já que parecem não se preocupar com a morte de pais e avós. O ator explica que, depois dos 40 anos, todos estão mais perto da velhice do que da juventude, por isso, não valorizar os idosos é algo horrível.

O ator explica que o atual cenário o faz lembrar de uma frase de Edmund Burke: “Quem não conhece sua história está condenado a repeti-la”. Para Antônio, esse mesmo tipo de preconceito já foi visto em outros períodos da história, com a eugenia, com o nazismo e que, em muitos contextos, os idosos eram eliminados por serem considerados “inúteis”.

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Ele ainda explica que milhões de pessoas continuam morrendo pela irracionalidade humana, assim como aconteceu no passado, e que isso não pode continuar acontecendo. Resolver a radicalização política, de acordo com o ator, só será possível no dia em que for mantido um diálogo racional, baseado em fatos, não em preconceitos ou vontades.

Antônio Fagundes é explícito ao explicar que, no atual governo, as falhas da política econômica liberal puderam ser vistas com maior clareza. Para ele, o Estado possui funções e obrigações, e deve participar de políticas econômicas, como projetos de geração de empregos e melhor distribuição de renda.

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