Esta minha forma de estar na vida, chama-se resiliência!

Resiliência: uma capacidade epigenética!

“Eu quero ser feliz o tempo todo, sorrir para a vida e dar-me conta de que cada momento valeu a pena. Eu quero “SER” de verdade e sorrir com emoção, porque para ser feliz tem de se sentir com o coração. Eu vou ser sempre assim, feliz, sobre todas as circunstâncias, porque em cada pedra que eu tropeço eu a apanho e faço um reforço no meu caminho…” – Paula Mouta, in “Crônicas de Bem-viver.”



Esta minha forma de estar na vida, chama-se resiliência!

É nas adversidades que eu me torno capaz de superar o que me incomoda, aproveitando a oportunidade para crescer, mudar, evoluir e aprender a ser melhor, amadurecer emocionalmente e ficar mais forte.

Durante muitos anos, os estudiosos da ciência acharam que a resiliência tinha origem genética, mas está provado que este é um fator epigenético de adaptabilidade neurológica, ligado a fatores psicossociais.

A saúde e o desenvolvimento de um indivíduo são afetados pela sua relação com o meio em que está inserido. É isto que a epigenética nos mostra. Existem evidências científicas que mostram que nem todas as pessoas submetidas a situações de risco desenvolvem doenças ou padecem de diversos tipos de sofrimento.


Um estudo realizado por Dennis Charney, da Universidade de Medicina de Icahn, no Monte Sinai, e um outro estudo realizado por Steven Southwick, da Universidade de Yale, explicam a maneira de funcionalidade do cérebro das pessoas resilientes e das não resilientes.

A origem desta capacidade de adaptabilidade às contrariedades da vida explica-se pela forma como exercemos o controlo a nível neurológico das hormonas, como a adrenalina e a noradrenalina. Nas pessoas resilientes, o cérebro faz mais uso da noradrenalina, um neurotransmissor relacionado com a recompensa e a gratificação.

Quando estamos em stress crônico ou em constante ansiedade, o nosso cérebro deixa de libertar dopamina, o neurotransmissor do prazer, e deixamos de ter esta capacidade de resiliência.


Do latim resiliens, que significa ser impelido, romper… remete-nos para uma ideia de elasticidade e capacidade rápida de recuperação e de voltarmos ao estado de normalidade, após uma circunstância fora do comum. 

A resiliência mostra-nos que podemos tomar uma decisão e uma atitude correta, mesmo quando tudo desmorona, basta olhar para a situação sob uma outra perspectiva, mais positiva e construtiva.

Nos seres humanos, ela caracteriza-se pela arte de adaptação às condições biológicas, psicológicas e sociais, sobre as quais desenvolvemos capacidades de recursos internos e externos que nos permitem uma reação ou resposta psíquica de inserção social e afetiva quando nos confrontamos com adversidades múltiplas.

Falar de resiliência significa falar de saúde em contextos adversos, pois ela está ligada ao desenvolvimento e ao crescimento humano, englobando diferenças etárias. 

É preciso que cada vez mais os profissionais dos vários campos da saúde sejam alertados para esta forma de encarar a recuperação, pois a forma como a pessoa é capaz de se adaptar aos fatores que geram stress, traçando um caminho mais positivo de se relacionar consigo mesmo e com o ambiente que o rodeia, pode levar-nos a caminhos de maior qualidade de vida.

A resiliência emerge como uma ferramenta de construção e representa uma abordagem importante para se ter uma vida saudável, quer em condições físicas, quer em condições psicológicas.

Num contexto histórico, remeto-vos para dois exemplos de resiliência, que são para mim valiosos e que me serviram de orientação, quando me deparei, muitas vezes, ao longo da vida, com imensas adversidades, entre elas um AVC e uma doença reumática: Nelson Mandela e Stephen Hawking.

Este último sofre de esclerose lateral amiotrófica desde os 21 anos, conseguiu ter uma vida longa e é um dos melhores exemplos de resiliência que eu conheço no campo da ciência. Nelson Mandela, Nobel da Paz, deixou-nos um dos maiores legados para a vida da humanidade.

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, ou pelo seu passado, ou por sua religião.

As pessoas aprendem a odiar, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.” –  Nelson Mandela.

Com esta mensagem, eu apenas deixo aos meus leitores esta sugestão: olhe para si, vá bem lá dentro do seu âmago e reconstrua-se a partir do caos.

Faça o melhor de si para si e renasça para a vida!

Muita paz.

Paula Mouta

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