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Estamos cheios de palavras e às vezes tão vazios…

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Sempre pode haver discordâncias quando damos sentido às palavras. Eu ando acreditando que elas vêm com sentido muito mais denso do que poderiam ter. E pode nem ter tanto sentido assim. Não que a gente não sinta, mas as palavras insistem em dizer coisas que a gente nem quis dizer. Palavras escapam.



São assim, meio desentendidas. Mas quem disse que precisam ser entendidas, explicadas, comparadas? Elas podem apenas ter um esboço, um rabisco. Podem ser meias palavras. Será que bastam?

As palavras são sempre cheias de tudo. Eu tenho dúvidas destes tudo. Coitada da palavra amor. Ela precisa ser eterna. Ser sentida além da vida. Gosto de palavras que durem o tempo que têm que durar. E onde está a força da palavra amor? Amor não tem força, amor tem suavidade. Não sei bem se esta é a palavra.

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Palavras têm peso e medida. Palavras têm tantas coisas. Têm achismos, conceitos, significâncias. Qual a palavra mais importante pra você? Encontre outras palavras para explicar por quê.

E a palavra tempo? Quando alguém diz – vamos dar um tempo – o quanto deste tempo é possível entender? Palavra é remédio. Quantas doses de palavras por dia são necessárias?

Talvez não consigamos saber a intensidade da palavra vida. Ela é bela? Quanto? Se há sofrimento, as pessoas podem não compreender o sentido desta beleza. Ela pode se tornar fulgás. Ela pode deixar de ser. Que palavras serão usadas pra julgar quem não encontre mais beleza em viver?

São as palavras fortes ou eu que dou força e sentido a elas? Que tanto elas me enchem e sufocam? Que tanto elas me colocam no vazio? O quanto elas dizem sobre mim ou sobre o que eu quero dizer?


Quando quero ficar em silêncio preciso exprimir palavras para dizer que preciso da quietude, mas não é um não falar total. É apenas menos ruído, menos atrito. Quero palavras, mas poucas.

Você precisa ser forte, ser persistente, ser decidido. Que força têm estas palavras diante da minha fraqueza num dia qualquer quando o que eu mais precisava eram palavras doces e não fortes?

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Nem todo dia o dia está lindo, o meigo é carinhoso o rude me afasta. O tempo passa e as palavras também passam. Há dias que as deixo ir. Outras eu guardo como a lembrança de um beijo. A vida já nos deixou sem palavras. As palavras já nos atraíram e traíram.


Quanto de poder damos a elas? Seus donos talvez não tenham criado ou escrito para que nos tocassem ou atingissem. Eles apenas deixaram ditas. Há tanta coisa que não queríamos dizer e as palavras disseram. E nos afastaram, e nos julgaram.

Talvez precisemos economizar palavras. Por que por mais que a gente fale o que dizemos pode não ser o que o outro quer ouvir e sentir. Ninguém sabe o que está no coração das bocas que dizem tantas palavras. Podemos nos encher delas e continuarmos vazios.

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