Estar vulnerável nos torna mais tolerantes e humanos

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É longe do porto seguro que nos misturamos aos demais, é distante de algumas proteções que nos aproximamos de Deus.



Não é preciso ir muito longe para atravessar a barreira que liga nosso mundo ao universo do outro. Às vezes, nós nos deparamos com situações bem inusitadas, em que nem conseguimos mensurar a angústia alheia, pois não temos como compreender o que abriga cada coração envolvido, cada vida atingida. Isso acontece porque a realidade das pessoas é sempre diferente: as histórias, os laços, a família, tudo! E nem sempre é simples adquirir um olhar de empatia quando não conhecemos nada a seu respeito.

Vivo um processo de autoconhecimento há alguns anos e com isso percebi a necessidade de sair da tão comentada zona de conforto para me observar em outras situações e também ao lado dos mais variados tipos de pessoas. Deixar nosso mundinho confortável e partilhar do que diz respeito ao outro nos aproxima muito mais de nós mesmos. Deixar de lado algumas convivências que sempre foram primordiais, também.

Não é nada tranquilo largar o que sempre fez parte e deu segurança para experimentar outras vivências. Estar vulnerável assusta, revela nossas lacunas, mas também nos torna mais tolerantes e humanos.


Porque é longe do porto seguro que nos misturamos aos demais, é fora de tudo que sempre realizamos que nos envolvemos com nosso lado mais desperto, é distante de algumas proteções que nos aproximamos de Deus.

Viver a serviço é não procurar mais respostas, pois não existem mais perguntas. É sentir uma conexão sem explicação ao mesmo tempo em que esclarece tudo, deixando às claras o caminho a seguir.

Talvez passemos a vida tentando nos encontrar, procurando algum sentido. Porém, creio eu, que paz seja algo fácil de se perceber, porque a plenitude com que saímos tantas vezes desenfreados para encontrar está na entrega, na intenção de deixar de desejar tanto e ir nos acomodando nos espaços que se abrem, nas esquinas que se fundem.

Pode ser que passemos a vida tentando ser feliz, mas pode ser que acordemos num dia e nos convençamos de que a real felicidade não acontece só de um lado. Talvez ainda descobriremos que a paz que tanto procuramos está no silêncio que não fazemos, na ajuda que não ofertamos, na partilha que não permitimos.


Pode ser que nos encontremos na dor do outro, no pranto ao lado, na mazela que surge e, quem sabe, estaremos livres quando deixarmos de querer entender tudo, aprendendo a gostar do “não sei” seguido do “tudo bem”.

E só assim então nos sentiremos enfim despidos, porém sustentados pela luz que habita, guia e fortalece todos os nossos passos.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Tuva Mathilde Løland/Unsplash.

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* Matéria atualizada em 07/03/2020 às 2:56






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